oruminante

Vai lá, num só ar. Prendeu? Fui.

Sou da espécie dos polissêmicos/polifônicos. Isso, aquela turminha. Proletário quando o mês começa; paranormal quando termina. Meio médio lento no recreio. Ateu para futebol e ETs. No fundo, eu coiso. Mas não qualquer coisa. Só coisa nenhuma. Faço o tipo coisativo. É que meu deus é um Ovo. Rezo pro Ovo. Meu ovo, projeto de galinha, é canja, imagem e semelhança de almoço de domingo. Autoajuda e exorcismo para os dias de carnaval. Cabeleira e despenteio para as noites de vendaval. Hedonista ortodoxo e indecente revolucionário. Nos solstícios, um incoerente moderado. Quando as folhas voltam a nascer, um inconsequente radical. Enfim, muito mais adjetívico adverbial que substantívico verbal. Bom filho, mas péssimo namorado. Ácido úrico, osso quebrado. Cicatriz de espinha e queda de cabelo. Mais romano que vitoriano; mais irônico que cínico. Numa viagem pela América do Sul de bike, virei um “Coxa Bamba”. Nadando, pedalando e correndo por aí, me tornei um “IronMan”. Hoje faço dieta Herbalife. Já fiz livro e filmes, mas meu maior sucesso é com a Ana Clara, que adora minhas cambalhotas. Beethoven, axilas, iPod e Pink Floyd. Falho, fálico, infantil. Kant, anal, imbecil. Síndrome do pânico e tentativa de revolução. Recuperação no fim de ano. Bonito, mas pobre. Ruim de briga, mas bom de cama (e adepto do autoengano). Aspirante a amador. Armadura de desamor. Do ser ao tudo, melhor em nada.  A viver de suspiros e improvisos, entre a navalha e a gaita; entre a pinga e a tara; entre a palma e a desgraça. Detesto homeopatia, astrologia, brócolis e New Age. De cá, me comem e tiram meu espasmo. De lá, veneram meu berro. Meu rumem é meu aflito, estômago, amargo e maldito. Eu, ruminante, sem lugar diante do absurdo da porteira, impotente de atravessar, babando feito gente. Mas às vezes me sinto o último filho de Krypton, um Kal-El sem capa, gozador vira-lata, um Balboa sem luvas a correr no frio. Macho? Cado. Paçoquinha? Duas! Pra criação e pra procriação. O resto? Te devo, pendura meu irmão.

Renato Cabral - roteirista e redator; ruminante e criador.
Sujeito a pisar a linha do palavrão, mas sem ir além. Palavrinhas aqui não, caralho!
oruminante@gmail.com
@CabralDiz

5 Responses to oruminante

  1. Maria flavia says:

    Superlativo!!!

  2. Daniela says:

    Parabéns!

    Hoje vi pela primeira vez o seu trabalho e fiquei surpreendida, suas palavras são perfeitamente usadas para impressionar.
    Excelente trabalho, parabéns mais uma vez!

  3. Ganhei uma camiseta uma vez . . sou o famoso Japa . .hauahuauhauh

  4. Marcus says:

    Muito bom….
    Cara, pq vc tirou O EFEITO COLG
    ATE do youtube?? Era muuitoo engraçado…hahuauh…poe de novo, preciso mostrar pros meus amigos….faloah

  5. solange says:

    CARA VC É UM PSICÓTICO , TA PRECISANDO MSM É DE TRATAMENTO, QUE COISAS MAIS MALUCAS QUE VC ESCREVE, JA LI UM POUCO DE LITERATURA E ISSO QUE VC ESCREVE SÃO SURTOS, LOUCURAS DE UM PSICÓTICO, ME DESCULPA , MAIS VC , QRIDO NÃO É MUITO NORMAL. FELICIDADES!!!!

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