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		<title>oruminante</title>
		<link>http://www.oruminante.com.br/feed.asp</link>
		<description>Últimos textos do site oruminante.com.br</description>
		<language>pt-br</language>
		<category>Crônicas</category>
		<copyright>2002 - 2010 oruminante.com.br. Todos os direitos negociáveis.</copyright>
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			<title>oruminante.com.br</title>
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		<item>
<title><![CDATA[Bodas de ouro - pra quem me esperou na ponte - 20/2/10]]></title>
<link><![CDATA[http://www.oruminante.com.br/LstTxt.asp?CodTxt=2042]]></link>
<description><![CDATA[<P align=center><FONT size=2 face=verdana><IMG src="http://www.oruminante.com.br/ImgTxt/bodas.jpg"></FONT></P>
<P><FONT size=2 face=verdana><BR>Quando você se casar, eu já estarei longe. Mas ainda estaremos juntos de alguma forma. Ainda aqui, ainda aí, perto desse cisco de canto que não vamos limpar porque ele é o que somos também. Histórias de dor nunca deixam nossos poros se fecharem mesmo.</FONT></P>
<P><BR><FONT size=2 face=verdana>Ele irá pôr a aliança no seu dedo com a pressa e a firmeza de quem sabe o que faz. Você irá acreditar. Você sorrirá, irá chorar. Vai olhá-lo como tudo aquilo que sempre quis e esperou. Tão pouco vale uma espera. E será a ilusão mais doce e real de sua vida. Você tremerá. Todas as outras ao seu lado a te ver como um horizonte. Inveja em lágrimas. Você linda como antes, com sua ingenuidade vestida de branco e sua pureza refletida nos cabelos pretos, nascidos só para esse dia. Você vai dizer sim. E, aí, vai dizer não a todas as lágrimas que choramos juntos. Quando isso acontecer, eu estarei longe de nós, mas o pó por perto, a nos lembrar que ninguém é limpo por inteiro.&nbsp; </FONT></P>
<P><BR><FONT size=2 face=verdana>Ainda me lembro. Minhas inconstâncias eram um jeito de te amar em zigue zague, de partir pra voltar com mais saudade. Todas nossas brigas, um motivo para ajeitar seu travesseiro e te passar a mão no cabelo enquanto você soluçava aquela dor fina e tão machucada. Nunca te contei o quanto sua pele ficava ainda mais linda com você irritada, emburrada de mim. Pra que, afinal, se você sentia também?<BR></FONT></P>
<P><FONT size=2 face=verdana>E hoje você aí, na igreja, seu sonho, em frente ao Cristo de gesso. Ele a te abençoar. A dor dele, sua maior alegria. Que ironia. Alguém sempre precisa se sacrificar em nome do amor. Alguém precisa ter pregos enfiados nos pulsos e uma coroa de espinhos na testa pra que o outro possa ser coroado com ouro e promessas, com abraços de uma boa vida futura.&nbsp; </FONT></P>
<P><BR><FONT size=2 face=verdana>Quando você tiver seu primeiro filho, eu serei só aquela borra no fim do seu café apressado, aquele tipo de lembrança que vem com a dor nas costas e logo passa. E quando seus filhos te trouxerem a alegria de ser vó, da vida rica que é poder ter tido uma história costurada na presença dos outros, eu já serei um nada pra você. Mas ainda assim é bom pensar nos nadas desta vida, porque quanto mais velhos estamos e ficamos, mais perto deles chegamos. </FONT></P>
<P><BR><FONT size=2 face=verdana>Quando você ficar velhinha, e muitas velinhas for assoprar, eu serei aquela brisa da sua boca que apaga o fogo que um dia existiu em nós. Tão rápido foi,&nbsp;tão rápido será. Tão pouco, mas tão belo. E&nbsp;preste atenção quando isso acontecer, porque seus netos irão sorrir mais do que você ao vê-la fazer seus últimos pedidos. Crianças adoram não saber que um dia também morrerão e sofrerão de amor.</FONT></P>
<P><FONT size=2 face=verdana><BR>E você pra mim nesse dia terá muitos nomes, porque amei mais de duas, mas nunca quis dar a&nbsp;vocês meu sobrenome. Porque a gente nasce sozinho e morre sozinho. Mas pra atravessar essa ponte, vai de mãos dadas com os outros, mas poucos. Preferi ir só. Ou talvez não tive escolha. Preferi ver vocês todas sorrindo uma vida em que se pode pisar sem se desequilibrar (mas também sem ter grandes suspiros&nbsp;ou vôos) à tristeza de encontros adiados comigo no meio da ponte, mas sempre com a possibilidade de que – mesmo&nbsp;tão raros – seriam nossos melhores e mais livres momentos.&nbsp; </FONT></P>
<P><STRONG><FONT size=2 face=verdana>Por Renato Cabral - @oruminante</FONT></STRONG></P>]]></description>
</item>
<item>
<title><![CDATA[MangArriada - 22/12/09]]></title>
<link><![CDATA[http://www.oruminante.com.br/LstTxt.asp?CodTxt=1976]]></link>
<description><![CDATA[<P align=center><FONT size=2 face=verdana><IMG src="http://www.oruminante.com.br/ImgTxt/manga64484.jpg"></FONT></P>
<P><STRONG><FONT size=2 face=verdana>MangArriada</FONT></STRONG></P>
<P><FONT size=2 face=verdana>"Uma vila. Uma luta. Um homem entre o conformismo e a resistência, entre o lixo e o mangue." </FONT></P>
<P><A href="http://www.youtube.com/watch?v=ofdLI8NH6dA"><FONT size=2 face=verdana>http://www.youtube.com/watch?v=ofdLI8NH6dA</FONT></A></P>
<P><FONT size=2 face=verdana>Gente ora molenga, ora aflita e com sede, ora ansiosa pela coleira que lhes guiem e arrastem; ora acordando no lixo, ora sonhando com o luxo. E o luto sempre perto. Por esse misto de engolir e vomitar, vai se tecendo a trajetória torta desses micróbios, desse microcosmo que nos é longe, mas familiar; que nos diz respeito como uma sombra e que conta nossa própria história nos bustos de bronze, nas bonecas de plástico de uma infância perdida em poças de lama. Enfim, pelos signos que também nos tomam conta e nos apagam. Enquanto&nbsp;isso, o mangue indo e vindo com a maré, relógio do tempo que não irá nos esperar nos limpar e seguir. Morreremos assim, sujos e quase lá, perto do mar, mais perto ainda do asfalto e da merda, da desgraça esperada. Lutemos até lá. <BR></FONT></P>]]></description>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Duas doses com Deludi - 27/11/09]]></title>
<link><![CDATA[http://www.oruminante.com.br/LstTxt.asp?CodTxt=1949]]></link>
<description><![CDATA[<P align=center><IMG src="http://www.oruminante.com.br/ImgTxt/deludi.jpg"></P>
<P><FONT size=2 face=verdana>Quando você conta uma mentira com tanta força, ela se torna inevitável, mais real que&nbsp;o fato. Quando você acredita na sua ficção com tanta paixão, ela se torna inexorável, mais legal que&nbsp;a vida. É por isso que alguns se tornam lendas e outros apenas têm apelidos, no máximo sobrenomes. Hoje morreu uma forma de brincar com a existência, de curti-la como poucos. Hoje morreu Dudu Deludi. </FONT></P><FONT size=2 face=verdana>
<P><BR>Acabei de deixar seu velório. Vim mais cedo pra poder escrevê-lo. Não quero ver o caixão ser entregue à terra. Isso, amigos, já foi feito antes mesmo de nascermos. Vim pra poder reler o que escrevi pra ele no seu Orkut, na sua lápide agora: </P>
<P><BR><EM>&nbsp;“Deixa que eu falo. Dudu Deludi, o cara de mil cabeças. O cara de mil cabelos. O cara de mil idéias. O cara de mil tatuagens. O cara que te vende a idéia antes de criá-la. O cara do front e das ordens, das ilusões e das tempestades. O Deludi não faz marketing ele é o marketing. O cara que tocou no casamento de Chuck Norris e beliscou a bunda de sua noiva. O cara dos fakes e das verdades. Teve um dia que o Deludi, ah... esquece, você não ia acreditar mesmo. O Deludi esteve lá e voltou pra nos dizer como é. Muita coisa é mentira, mas o que no Deludi não é um grande show? Você não precisa acreditar, irmão, o Deludi é como o pastor e o messias, o santo e o demônio, não importa se é verdade ou não, o que vale é botar fé e ver no que vai dar.”</EM></P>
<P><BR>Doente, ele me pediu pra ir visitá-lo no hospital. Não fui. Hospital não é lugar para se visitar gente viva. </P>
<P><BR>Era carnívoro e comia vegetais. Usou todas as drogas e continuou são. Gostava de tatuar o nome das amadas na pele. Depois cobria os desamores com alguma bobagem qualquer. Os amores que passam são assim, se tampam com um desenho de lagarto. Ligado aos 220V, dava choque na gente com sua habilidade de ir a todos os palácios e templos sem sair do lugar. Eu, que sempre falo muito, adorava ficar calado e lê-lo, ouvi-lo. Adorava suas contradições, suas histórias fantásticas, seu jeito indiscreto de dizer que iria conquistar o mundo. Ganhou minha atenção e as lágrimas de muitos que beiravam seu caixão. Eu sorria, olhando para sua caricatura. Ele gostava de sorrisos e de fazer rir. Suas farsas, suas máscaras me mostravam as delícias que um cérebro criativo e ousado pode criar. Por isso, sempre o respeitei.&nbsp;<BR>&nbsp;</P>
<P>Na última vez que o vi, estávamos Barão, ele e eu sentados tomando uma última cerveja. Ao ser questionado sobre o que faria com a Sheila Carvalho numa ilha deserta, ele riu e disse que seu coração não aguentaria. Como numa estranha ironia, seu coração parou hoje. Porque é assim mesmo a vida. Como numa metáfora idiota, a vida é esta Sheila Carvalho que ora nos faz gozar e ora faz nosso coração parar de babar e bater. Perdemos mais um do curral, perdemos mais um pouco hoje. </P>
<P><BR>Que ironia. Pra quem viveu como um anárquico a vida inteira, morreu como um romântico: jovem, embriagado com a própria existência. Não teremos essa chance, infelizmente. </P>
<P><BR>Acabo estas linhas e vou para o lançamento do meu último curta metragem. Um filme que medita sobre o tempo, sobre a morte, sobre os que ainda estão pairando por aqui, como os pardos na noite, como os cadáveres adiados, como os condenados na múltidão. O título: <A href="http://www.vimeo.com/7480456" target=_blank>Ainda Aqui</A>. Para nós, os que ainda estão no curral, duas doses. Vamos precisar.&nbsp; </P>
<P><STRONG>Por Renato Cabral</STRONG></FONT></P>]]></description>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Preciso comer Fernanda Young  - 12/11/09]]></title>
<link><![CDATA[http://www.oruminante.com.br/LstTxt.asp?CodTxt=1930]]></link>
<description><![CDATA[<P align=center><IMG src="http://www.oruminante.com.br/ImgTxt/Fernadnadyoug3E-03.jpg"></P>
<P><FONT size=2 face=verdana>Aperte a minha mão e nada de lágrimas querida. Essa água é pra você. Sem sal. Sem doce. Vai descer amarga com o que vou te dizer. Mas não vou mais me casar com você. </FONT></P>
<P><BR><FONT size=2 face=verdana>Entenda. Quartas são dias de mudanças, enxurradas e apagões. Dias em que o destino passa na nossa frente e nos fecha sem seta nem bracinho pra fora. Batida na anca. Passei na banca e estava lá pendurado o meu sinal, era um pare pra mim. Se fosse cristão diria que vi o Jesus que vocês adoram; se fosse Buda, diria que foi um despertar. Mas o preço da minha salvação custou onze reais. </FONT></P>
<P><BR><FONT size=2 face=verdana>Em casa, no banheiro, calça arreada igual aos 14, eu ia pulando páginas até achar o começo da perdição. Quem disse que é fácil se perder? Diante de tanta internet, de tantas BBBs, a gente se acostuma a gostar de mentiras e de Photoshop. Nem o título da entrevista franca da vez eu li. Afoito, eu já estava ereto ao abrir a porta de casa. </FONT></P>
<P><FONT size=2 face=verdana><BR>Com ele nas mãos e ela na cabeça, tive o orgasmo que você nunca me deu. Fernanda Young e eu num só palco, num só romance barato, brega, e daí, dentro do meu banheiro que você sabe que fede porque me nego a mijar sentado. Porque para todo romance, o que importa mesmo é a parte em que os personagens se comem. E eu a fodia com tanto gosto que não posso dar a revista aos meus sobrinhos. Ela já não serve pra nada, melada de mim, suada de mim. Deixei você lá também, escorrendo com seu choro que sempre me incomodou. Ali foi a última vez que pensei em você como mulher. </FONT></P>
<P><BR><FONT size=2 face=verdana>Não quero ser seu amigo, mas quero um favor. Preciso encontrar Fernanda Young. Me ajude. Preciso que ela saiba que tivemos uma ligação orgasmico-mental-trans-pós. Não era isso que ela queria? Salvar a bronha da vergonha, salvar a nudez da breguice? E agora eu sei a causa do meu desconforto ao te ver pelada. É que você é brega. Ela não queria a punheta arte de volta? Apenas os folhetos de roupas íntimas da Marisa já me causaram algo parecido. Mas nada perto das axilas de Fernanda Young. </FONT></P>
<P><BR><FONT size=2 face=verdana>Preciso encontrar Fernanda Young, cheirar aquela vulva negra e peluda. Sua depilação é certinha demais, babe. Seu peito é certinho demais com esse silicone gigante. O dela tem alfinetes nos bicos, são singelos e sinceros, caídos, são peitos que contam histórias, muitas, e quero conhecê-las. Ela tem tatuagem e já escreveu livros. Você só copia receitas pra fazer bolo de cenoura. E seu brigadeiro é péssimo. Vocês duas são brancas, sim, mas gosto de mulher com bunda de mulher, nem lá nem cá,&nbsp;uma bunda que não sabe a idade que tem, mas sabe onde já sentou. </FONT></P>
<P><BR><FONT size=2 face=verdana>Vamos fazer um trato, então. Me ajude a encontrar Fernanda Young e eu me caso com você. Mas prometa que se casa de preto e cinta liga. E em nossa lua de mel me deixe amarrar você e, claro, me dê por trás, porque eu tenho certeza que a Fernanda Young adora fazer isso.</FONT></P>
<P><STRONG><FONT size=2 face=verdana>Por Renato Cabral</FONT></STRONG></P>]]></description>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Aos 30 - 8/11/09]]></title>
<link><![CDATA[http://www.oruminante.com.br/LstTxt.asp?CodTxt=1919]]></link>
<description><![CDATA[<P align=center><IMG src="http://www.oruminante.com.br/ImgTxt/30.jpg"></P>
<P align=left><BR><FONT size=2 face=verdana>Começo tonto. De novo, mais uma vez. Não bote reparo. Nem me lembre se eu não me lembrar...</FONT></P>
<P><FONT size=2 face=verdana>Comecei aos 30. Comecei com a nicotina, com seus derivados, os sedativos. Continuei com o álcool, não moderado. Mais apressado. Comecei a me repetir. Comecei a me enamorar pela gordura localizada, pela boca fechada. Mas as gengivas rosas nunca me deixaram. Os alagados pelo relógio, acompanhei. </FONT></P>
<P><FONT size=2 face=verdana>Comecei a deixar de me preservar, me consumindo como um churrasco. Deleite de fim de semana, pecado de segunda. Embrulho de Natal. Comecei a beber, quase, quase todos os dias. De água a vocês. Comecei a tomar bioquímicos, moderadores de um estado incontrolável, interminável. Comecei a aceitar as contradições. Os tantos nãos, as contramãos. </FONT></P>
<P><FONT size=2 face=verdana>Comecei a perder a fé. Daí, passei a aceitar. Comecei a ficar sem graça, sem grana, a pé, a ficar de porre de perfumes e shopping, a ficar sem saco, seco, safado. Comecei a ficar velho. Comecei a cheirar tudo pela frente, igual menino. De uma só vez, comecei o que nunca tinha feito, a ver o que tinha visto. Comecei a lembrar de histórias não vividas, de vidas não lembradas. Comecei a me escutar, a me masturbar do lado de lá. </FONT></P>
<P><FONT size=2 face=verdana>Comecei a detestar tudo que não dizia respeito a mim. E como tudo falava comigo, passei a falar mais de mim e, quem diria, a ouvir vozes. E a ser mais chato, claro. Comecei a ouvir as músicas dos outros e seus destinos. Cada caminho uma história, um desvario, testemunho da minha obra, de meu desvio, e da passagem dos tantos cordeiros abraçados, açucarados/cantadores durante a queda da cachoeira. Felizes inocentes burros. Mulas andantes a esperar um sol improvável. Bois babando pra Lua minguando. </FONT></P>
<P><FONT size=2 face=verdana>Comecei a adorar as axilas com pêlos crescendo, os corrimentos rasteiros. Passei a ser escravo livre, consciente e autosuficiente, cheio de adjetivos pra minha subjetividade substantiva. Passei a desejar mais a querer tocar guitarra. A tocar com os dedos no ar. </FONT></P>
<P><FONT size=2 face=verdana>Comecei a achar que&nbsp;minha&nbsp;mãe estava pra morrer e que já era hora de voar. Comecei a achar que tinha alcançado a riqueza. Sem emprego, sem nada. Só eu e a Via Láctea. Eu e minhas páginas cheias de autores e idas, de voltas sem ideias, saídas. Minhas nádegas surradas de tapas e bancos, de santos a me adorarem, a me adotarem,&nbsp; sem meu consentimento nem meu compromisso. Mas mordidas são bem-vindas. Eu e minha língua a encostar na memória mal cheirosa do não feito, dos defeitos, a reconhecer o gosto de tudo que achava terminal e amargo, digerível, ruminável. A me reconhecer ali. Na quase pá de cal. </FONT></P>
<P><FONT size=2 face=verdana>Comecei assim, numa noite em claro, com um solo de latinhas familiar e encostado, com meus dedos me levando, com minha mão fervendo. Comecei como quem termina, feliz abandono, como quem já teve e é tarde, breve, cheio, barulhento e apressado. Pesado. Os quilos ganhados, as apostas no pulso. Caneta cheia de mal ditos, de rabiscos. Comecei a me fazer agora, antes de ontem e de amanhã. </FONT></P>
<P><FONT size=2 face=verdana>Mas tive que esperar 30 anos pra poder juntar tudo isso, pra poder amontoar todas as promessas, rezas, riquezas, trepadas, abandonos num corpo que já não me resta. Esta capa/carcaça, manequim de caveria tem dono e mapa. Deixo pros invertebrados minha satisfação, minha graça, tudo que comecei e que não tem fim, que sou eu em mim, eu no mundo; eu devorado pelo começo de tudo que volta a ser coisa.</FONT></P>
<P><FONT size=2 face=Verdana><STRONG>Por Renato Cabral</STRONG></FONT></P>]]></description>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Ainda Aqui - 7/11/09]]></title>
<link><![CDATA[http://www.oruminante.com.br/LstTxt.asp?CodTxt=1917]]></link>
<description><![CDATA[<P align=center><IMG src="http://www.oruminante.com.br/ImgTxt/vovotota.jpg"></P><SPAN class=entry-content done27="22" done26="22" done10="2" done9="22" done21="22" done23="22" done25="22"><FONT size=2 face=verdana>
<P align=center><SPAN class=entry-content done27="22" done26="22" done10="2" done9="22" done21="22" done23="22" done25="22"><FONT size=2 face=verdana></FONT></SPAN>&nbsp;</P>
<P align=center><SPAN class=entry-content done27="22" done26="22" done10="2" done9="22" done21="22" done23="22" done25="22">&nbsp;</SPAN><SPAN class=entry-content done27="22" done26="22" done10="2" done9="22" done21="22" done23="22" done25="22"><FONT size=2 face=Verdana><STRONG>Desta vez temos pouco tempo</STRONG></FONT></SPAN></P><SPAN class=entry-content done27="22" done26="22" done10="2" done9="22" done21="22" done23="22" done25="22"><FONT size=2 face=Verdana><STRONG>
<P align=right><BR><EM>*por Lara Stoque</EM></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P align=left><SPAN class=entry-content done27="22" done26="22" done10="2" done9="22" done21="22" done23="22" done25="22"><FONT size=2 face=Verdana><EM>Obcecado pelo tempo e pela morte, o diretor Renato Cabral desconta no cinema a dor pela perda do pai, o que resulta em um singelo filme sobre todas as grandes dores.</EM></FONT></SPAN></P><SPAN class=entry-content done27="22" done26="22" done10="2" done9="22" done21="22" done23="22" done25="22"><FONT size=2 face=Verdana>
<P align=left><BR>Se ele diz que não é ficção por que então o cinema? Podia ser de novo um livro. Mas ele não quis desperdiçar mais nada dessa vez, preferiu esgotar todo os recursos enfiando palavras, sons e cenas. Mais uma vez o tremor delirante e pensante do multimídia Renato Cabral escarafunchou e machucou a nossa pobre alma. Mas, não se preocupe, ficaremos, sim, ainda aqui. Para ver seu novo filme. Para debruçar nossos regaços no tempo. Para cacarejar nossos mortos. Para fermentar nosso pavor.</P>
<P align=left>Existencialista, a obra parece suspirar para que não haja morte, mas logo nos deparamos com flores que nada tem de alegres. A personagem fica na cama e não sai dali. O sol também não aparece e a chuva não molha, só respinga a saudade. E a velhice assombra nossa humanidade. No entanto, a personagem vivida pela avó do diretor, Dorvalina Fagundes, é a antítese disso tudo. Ela virou atriz para o neto; para o filho perdido; para paralisar seu fim. E só a arte pode estancar esses lamentos. </P>
<P align=left>As fotos no quarto não são penduradas, são jogadas. Às vezes, precisamos engolir a seco a monotonia dos dias. Será que o filme é triste por que perfura o relógio e faz conta-gotas com a vida? Existimos mesmo depois da dor? Somos devotos de uma perspectiva que queremos evitar? Será que o que nos resta é o lençol que amordaça nossa memória?</P>
<P align=left>O desejo que nos movimenta durante o filme evoca vários pensamentos. E nada interessa quanto às respostas. Não somos de plástico como bonecas, portanto é permitido chorar se for necessário. </P>
<P align=left><STRONG>Por Lara Stoque</STRONG>, jornalista, compositora e devota de todas as obras cabralianas. Até as mais dolorosas.</P>
<P align=left><BR><STRONG>O diretor </STRONG><BR>Renato não é devoto&nbsp;a nada. A ninguém.&nbsp;À causa nenhuma. Fala demais porque o impulso o consome. Ama as mulheres porque precisa de afago. Adora filosofia porque se desdobra para justificar a vida. Nunca consegue isso. Mas achou no cinema, na escrita e na literatura o jeito de suportar sua solidão. É indecente, incoerente e inconsequente. É bem mais reservado do que esbraveja. Finge ser pessimista, mas idolatra a pequena sobrinha. Acha que tudo é uma competição, mas no final do dia se conforma que a vida não é grande coisa. Ainda bem.</P>
<P align=left><STRONG>As artes</STRONG><BR>Começou com o filme “Vida Desperdiçada”, poderíamos chamar de sorte de iniciante. Mas veio “Entre os dedos” e ficou claro que não era sorte, era sensibilidade. Antes de fechar a trilogia escreveu “Míseros Platôs” (anos para ver ser no papel teria redenção. Não teve e nunca terá), basta assistir “Ainda aqui”, o filme fecha a angústia do diretor. Ou inicia um novo ciclo delas. Veremos...</P>
<P align=left></FONT></SPAN>&nbsp;</P>
<P align=center>
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<P><A href="http://vimeo.com/7480456">Ainda Aqui - Curta</A> from <A href="http://vimeo.com/user2596776">oruminante</A> on <A href="http://vimeo.com/">Vimeo</A>.</P></FONT></SPAN>]]></description>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Já vai tarde - 6/11/09]]></title>
<link><![CDATA[http://www.oruminante.com.br/LstTxt.asp?CodTxt=1912]]></link>
<description><![CDATA[<P><IMG src="http://www.oruminante.com.br/ImgTxt/esperanca.jpg"></P>
<P><FONT face=verdana size=2></FONT>&nbsp;</P>
<P><BR><FONT face=verdana size=2>De apatia&nbsp;se foi&nbsp;a última esperança.<BR>Aquela que ainda andava por aqui e ali.<BR>A que se via no seu rosto ou no meu. <BR>Foi só, como foi a vida inteira.&nbsp;<BR>Triste. <BR>Sentada na sua cadeira. <BR>Assim. <BR>A olhar para os apaixonados, os traídos. <BR></FONT><FONT face=verdana size=2>A tentar erguer os últimos doentes. <BR>Os adormecidos.</FONT><FONT face=verdana size=2><BR>A cumprir&nbsp;seu destino. <BR>Seu aviso. </FONT><FONT face=verdana size=2><BR>Vão.&nbsp;<BR>Vazio. </FONT><FONT face=verdana size=2><BR>Viu o tempo passar.<BR>Viu sua prima chegar.<BR>A morte. <BR>Não evitou olhar.<BR>O grato consolo para quem&nbsp;passou da hora.<BR>Quem espera demais é sempre o primeiro a não morrer. <BR>E&nbsp;o último a&nbsp;não ter vivido.&nbsp; </FONT></P>
<P><FONT face=Verdana><FONT size=2><STRONG>Renato Cabral. </STRONG>Assassino de esperanças. Caçador de afetos desesperançados. <BR><STRONG><EM>@oruminante</EM></STRONG></FONT></FONT><BR></P>]]></description>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Sexta drunk - 2/11/09]]></title>
<link><![CDATA[http://www.oruminante.com.br/LstTxt.asp?CodTxt=1889]]></link>
<description><![CDATA[<P align=center><IMG src="http://www.oruminante.com.br/ImgTxt/dedos.jpg"></P>
<P><BR><FONT face=verdana size=2>Espera! Não desliga. Preciso terminar isso antes do remédio pra dormir. Minha cabeça não pára. Você devia ver como ela está agora, diante dessa multidão de alegrias que é a internet.</FONT></P>
<P><FONT face=verdana size=2>Mas que pergunta idiota. Você sabe que não amo ninguém. Pessoas me dão tédio. O mundo é um saco que deixo pros outros carregarem. Só quero alguém com a bunda e peitos grandes pra me alegrar, ah, e que me dê cigarros. Só escolho minhas garotas pela pele&nbsp;e&nbsp;pelo cheiro&nbsp;e não vou mudar. Você está perfeita e aprende rápido. Mas cuidado com o sol, os 30 chegam na mesma pressa e tudo... ah, você&nbsp;sabe. </FONT></P>
<P><BR><FONT face=verdana size=2>Não vamos falar disso agora, vamos falar sobre casamento, seu sonho... tem muita coisa mal resolvida&nbsp;aí, né? Você achou mesmo que eu ia partir? Não tenho onde cair morto, pra onde fugir. Eu sempre peço demissão do emprego, sou&nbsp; inadequado e muita gente odeia quando escrevo mostrando a elas o que elas conseguem ver sozinhas. Moro com minha mãe. Não vou pra lugar algum há muito tempo. O cheiro do mar se apagou da minha cabeça. </FONT></P>
<P><BR><FONT face=verdana size=2>Aliás, por que quando outras meninas te perguntam: “como você aguenta esse cara”, você não responde? Por que precisa sorrir de lado e jogar os ombros? Diga à elas o que querem ouvir. Que você está aqui porque consegue se livrar do&nbsp;pudor, do&nbsp;altar, do banco da&nbsp;igreja e da saia da mãe. Aqui você consegue&nbsp;virar a sem vergonha que sempre quis ser. Sei que já deu pra todo mundo. Mas sei que&nbsp;nunca gritou de verdade.&nbsp;Ando te achando caladinha nas últimas vezes? Tédio? </FONT></P>
<P><BR><FONT face=verdana size=2>Espera. Eu sei que você quer casar. Todas vocês querem. E eu vou. Mas responde. Por que tanto ciúmes quando vejo fotos amadoras de meninas que não conheço e tão pouco quando vejo aquelas com tratamento de Photoshop? Por que meu Orkut&nbsp;preenche tanto&nbsp;seu dia, mais do que uma boa leitura? E por que sempre quando falo o nome da sua amiga na cama você se revira? Já vi você olhando pra ela.</FONT></P>
<P><BR><FONT face=verdana size=2>Você sabe dos meus sonhos. Eu vou casar. Mas ainda farei minhas bobagens, minha viagens, terei meu site erótico, nada pornô, nada clichê, apenas essas coisas que ninguém imagina, filmes e fotos e textos, mas com tarja preta. Aliás, misturar remédio com bebida não é muito inteligente. Eu não sou muito inteligente, por isso ainda rumino por estas bandas...</FONT></P>
<P><BR><FONT face=verdana size=2>Ainda tá aí? Ok, foi um blefe, uma brincadeira de 5 latinhas e 3 cigarros. Não chore. O ruído pelo telefone me incomoda. Você sabe que amo você. Limpo suas feridas. Enxugo suas lágrimas. E te viro pra tapinhas. A bebida me deixa romântico, você sabe... </FONT><FONT face=verdana size=2>Não desl...</FONT></P>
<P><BR><FONT face=verdana size=2>Poxa. Mas amanhã é só cheirar sua nuca e está tudo do mesmo jeito. Vidinha besta. Povinho besta. Noitinha mais ou menos. Banda larga boa. </FONT></P>
<P><STRONG><FONT face=verdana size=2>Por Renato Cabral, sóbrio. </FONT><BR></STRONG></P>]]></description>
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<title><![CDATA[O Efeito Colgate - - 29/10/09]]></title>
<link><![CDATA[http://www.oruminante.com.br/LstTxt.asp?CodTxt=1881]]></link>
<description><![CDATA[<P><STRONG>O Efeito Colgate - ou sobre como ensinar as novas gerações a não broxar</STRONG></P>
<P>Cansado de broxar? Cansado de ver a parceira se retorcendo de tesão e raiva por causa de seu pinto moribundo? Apresento-lhes o <STRONG>Efeito Colgate</STRONG>, minha patente, minha invenção. Isso ainda vai salvar sua vida e sua autoestima. </P>
<P><A href="http://www.youtube.com/watch?v=gscmK8VdQf0">http://www.youtube.com/watch?v=gscmK8VdQf0</A></P>]]></description>
</item>
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<title><![CDATA[Parágrafos. Um só tempo - 29/10/09]]></title>
<link><![CDATA[http://www.oruminante.com.br/LstTxt.asp?CodTxt=1876]]></link>
<description><![CDATA[<P align=center><IMG src="http://www.oruminante.com.br/ImgTxt/morrer94607.jpg"></P>
<P><FONT size=2><FONT face=verdana><STRONG>Pra quem sabe que vai morrer.<BR></STRONG><BR>Duas e vinte e... De madrugada. De serenata. Ela com medo de mim. Escrevo sem pensar, sem voltar atrás. Começa o solo. De Confortably Numb. Eu em MI em SI. David Guilmour em tudo. O mundo é deste tamanho aqui: cabe na ponta dos dedos. E eles seguram o entorpecente, o endereço pra onde vou. Mas não consigo ler... do alto, do vôo, não enxergo as letras das agendas, dos compromissos nem os sorrisos de quem sabe que não vai viver. Hoje, livre, sou&nbsp;o herói que sabe que já matou, mas também que vai morrer. <BR><BR><STRONG>Pra quem sabe que não vai viver.<BR></STRONG><BR>Pegue sua esperança, sua fé, seu despertador. Dobre. Escreva do lado que sobrou: Sou um adormecido, esquecido. Leia o outro lado. Jogue fora. A vida te espera. Ei, ei, ei... a porta é do outro lado!...<BR><BR><STRONG>Pra quem sabe que já passou. <BR></STRONG><BR>Não dá tempo mais. A partida já foi, você não. Tão longe, mas sem sair do lugar. Acompanhe o barco que vai ao horizonte levar a notícia que você ficou pra trás. Deu sorte, ele poderia levar você. E, você sabe, lá, teria que combater piratas. Aí, a água de coco basta. <BR><BR><STRONG>Pra quem não sabe que não sabe de nada. <BR></STRONG><BR>Agradeça. Você poderia estar no primeiro parágrafo, escutando música psicodélica, fazendo perguntas sobre a Via Láctea e o começo, que desde o começo, marca sua breve hora. Agradeça. Você é um idiota que ignora. Você, de todos, é o único que prova a onda sem se perguntar de onde ela vem. É um surfista desenganado. Agradeça. Você nem sabe que vai morrer. </FONT></FONT></P>
<P><BR><FONT face=verdana size=2>Por <STRONG>Renato Cabral </STRONG>@oruminante<BR></FONT><A href="mailto:oruminante@gmail.com"><FONT face=verdana size=2>oruminante@gmail.com</FONT></A></P>
<P><BR>&nbsp;</P>]]></description>
</item>

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