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	<description>Da palavrinha ao palavrão</description>
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		<title>Feijoada da APP 2012. Uma breve historinha</title>
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		<pubDate>Wed, 16 May 2012 18:03:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oruminante</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos]]></category>

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Renato Cabral pagando de gatinho com Nikon, Red One e uma Harley em foto do Roberto Chacur www.robertochacur.com.br  O filme da Feijoada da APP de Uberlândia saiu. É meu primeiro trabalho de direção de cena para publicidade com o parceirasso &#8230; <a href="http://www.oruminante.com.br/2012/05/16/479/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
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<h6 data-ft="{&quot;type&quot;:1,&quot;tn&quot;:&quot;K&quot;}"><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/05/cabral_diretor1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-481" title="cabral_diretor" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/05/cabral_diretor1.jpg" alt="" width="640" height="450" /></a></h6>
<p style="text-align: right;"><em><small>Renato Cabral pagando de gatinho com Nikon, Red One e uma Harley em foto do Roberto Chacur<br />
www.robertochacur.com.br </small></em></p>
<p>O filme da Feijoada da APP de Uberlândia saiu. É meu primeiro trabalho de direção de cena para publicidade com o parceirasso Luis Felipe Pimenta, da Imaginare Filmes. Já falei pra vocês que ando muito interessado e focado em Storytelling. Ou seja, minha intenção é atuar agora no mercado oferecendo intervenções mais criativas e ousadas, que vão do roteiro à direção de boas histórias. E foi exatamente isso que fiz nesse trabalho. A turmaça da agência Red House chegou com o roteiro, cujo conceito era trabalhar “Saudade e Família”. A Imaginare Filmes, que fez a produção, me convidou pra dividir a direção com o Lóis. Fiquei satisfeito em contribuir para que o roteiro tivesse ainda mais força e o filme ainda mais vida. E tão importante quanto tudo isso foi pensar junto com o Leonardo Martinelli e o Zanon o melhor jeito de divulgar o trabalho. Nada melhor que lançar a peça no encerramento do Prêmio Tubal Siqueira de Publicidade. A reação da plateia não me deixa mentir. Conseguimos. E olha que ninguém tinha bebido ainda. A piada do filme é interna, claro, e por isso mesmo não podia ser genérica. A aposta deu certo. A escolha das maiores lendas e mitos do mercado local foi importantíssima pra gerar a sensação que o filme traz, seja em quem conhece as figuras, seja em quem gostaria. O trabalho de áudio ficou por conta do ultra Leo da Voz da América. Parabéns a todo mundo pela peça. Ficou, como se diz, um brinco. E não se chateie se você não entender o VT. O importante é se lembrar da data e aparecer por lá pra gente se ver (ok, pra gente beber uma juntos).</p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/QTFHEICv37o" frameborder="0" width="560" height="315"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>A vida que você escolheu</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Apr 2012 18:14:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oruminante</dc:creator>
				<category><![CDATA[LADO B // Pra que eu não morra invisível]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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Sempre tive medo de não dar tempo de terminar algumas coisas que acho essenciais. Uma delas é fazer um filme sobre duas pessoas extraordinárias. Ambas inspiraram minha vida de um jeito único. O primeiro é um cara que me mostrou &#8230; <a href="http://www.oruminante.com.br/2012/04/28/a-vida-que-voce-escolheu/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
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<p><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/04/44613_111835915538302_100001356816852_79168_832738_n.jpg"><img title="44613_111835915538302_100001356816852_79168_832738_n" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/04/44613_111835915538302_100001356816852_79168_832738_n.jpg" alt="" width="640" height="960" /></a></p>
<p>Sempre tive medo de não dar tempo de terminar algumas coisas que acho essenciais. Uma delas é fazer um filme sobre duas pessoas extraordinárias. Ambas inspiraram minha vida de um jeito único. O primeiro é um cara que me mostrou que dá pra ser forte e levantar o mundo, que seja o seu próprio, com apenas um braço. A outra me ensinou que dá pra ir longe, muito longe, sem poder dar um passo. Isso sem contar que por mais difícil que seja o mundo, a vida não precisa ser feia, muito menos a gente. Porque ela é uma mulher linda, em todos os sentidos. O filme eu ainda quero fazer. Mas pode demorar demais e a gente nunca sabe o que nos espera do outro lado da rua. Por isso, faço hoje aqui a minha homenagem a eles com o roteiro que bolei pra esse dia. O filme (a locução), vocês verão, não falam para eles nem deles, é muito mais para nós&#8230; Um filme que eu gostaria muito de fazer e vou fazer. Agora imagina se a gente tivesse uma grande marca assinando o conteúdo, uma marca que tivesse a alma que essas duas pessoas tem, só para que a mensagem que eles transmitem vá ainda mais longe. Como não custa sonhar, eu imagino muito uma (RedBull, Nestlé, Nike, Adidas, Johnnie Wallker&#8230;) patrocinando nosso sonho, mesmo que não precisemos deles pra sonhar. Leia ouvindo a música e imagine como imagens um dia simples na vida dos dois. Isso basta&#8230;<strong>  </strong></p>
<p><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/04/ro.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-464" title="ro" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/04/ro.jpg" alt="" width="640" height="848" /></a></p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/WQtGqmi2O2U" frameborder="0" width="640" height="35"></iframe></p>
<p align="center"><span style="color: #000000;"><strong>A vida que você escolheu</strong></span><strong></strong></p>
<p><strong></strong>Quanta vida pode haver numa vida só, já se perguntou alguma vez?</p>
<p>Você vive quando apenas abre os olhos e respira. Ou quando não perde aquela chance. Vive quando larga tudo e começa uma nova ideia; quando consegue começar de novo. Vive para ser maior; e indo mais longe, vive mais tempo, porque mais importante que chegar é a vontade de partir.</p>
<p>Você vive quando sai de casa sem blusa e vem o frio. Quando acha que vai chover, e faz calor. Vive quando desses pequenos enganos ainda tira um sorriso e o dá de presente. E, assim, fica mais cheio de motivos para viver. Você vive quando entende que vive melhor quando vive junto; e aí compartilha, divide, cuida.</p>
<p>Você vive quando conhece aquela pessoa e por ela cruza as ruas e os continentes. Vive quando nunca cruza os braços. Você vive quando um se torna dois e vocês viram três, e ficam cheios de uma vida totalmente nova.</p>
<p>Tem gente que vive só quando o sapato aperta; outros só quando os pés saem do chão. Tem gente que vive para mudar o mundo. E tem aquele que gostaria de mudar tudo só para não mudar nada e viver ali, quietinho. Vivemos quando redescobrimos o amor&#8230; o amor próprio; o amor ao próximo.</p>
<p>Tem gente que espera pela vida. Tem gente que vive correndo atrás dela. E tem aqueles que a criam em cada respiração, no suor e no sangue, nos sonhos que jamais deixam morrer. Você vive quando entende que viver é ser este movimento que nunca para. Porque afinal, no dia em que ele, enfim, parar, você já não precisa mais se preocupar com a vida.</p>
<p><strong></strong> <strong>Letícia Ferreira.<br />
</strong>Paraplégica desde os 9 anos.<br />
Campeã mundial de natação paraolímpica desde os 26.<strong> </strong></p>
<p align="right"><strong></strong><strong>Roberto Carlos.<br />
</strong>Deficiente físico desde os 4 anos.<br />
Bicampeão brasileiro de Paratriatlon desde os 38.<strong> </strong></p>
<p><em>Para você que está sempre cheio disso que a gente aprendeu a chamar de vida, a nossa homenagem. Para todas as Letícias e Robertos que existem em nós, nas suas deficiências e nas suas vitórias.</em></p>
<p><strong>Oruminante. Roteiro e direção em StoryTelling.</strong></p>
<p><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/04/38512_102214986500395_100001356816852_14588_3333740_n.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-467" title="38512_102214986500395_100001356816852_14588_3333740_n" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/04/38512_102214986500395_100001356816852_14588_3333740_n.jpg" alt="" width="640" height="427" /></a></p>
<p><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/04/522907_311973015540694_100001839948694_765275_1144623799_n.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-468" title="522907_311973015540694_100001839948694_765275_1144623799_n" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/04/522907_311973015540694_100001839948694_765275_1144623799_n.jpg" alt="" width="640" height="415" /></a></p>
<p><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/04/73913_127370767318150_100001356816852_147532_4339974_n.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-469" title="73913_127370767318150_100001356816852_147532_4339974_n" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/04/73913_127370767318150_100001356816852_147532_4339974_n.jpg" alt="" width="640" height="425" /></a></p>
<p><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/04/ro3.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-470" title="ro3" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/04/ro3.jpg" alt="" width="640" height="961" /></a></p>
<p><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/04/41130_112354268819800_100001356816852_81702_5768457_n.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-471" title="41130_112354268819800_100001356816852_81702_5768457_n" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/04/41130_112354268819800_100001356816852_81702_5768457_n.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/04/ro2.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-473" title="ro2" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/04/ro2.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a></p>
<p><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/04/38512_102214989833728_100001356816852_14589_5451837_n.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-474" title="38512_102214989833728_100001356816852_14589_5451837_n" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/04/38512_102214989833728_100001356816852_14589_5451837_n.jpg" alt="" width="640" height="956" /></a></p>
<p>Ajude a compartilhar essa ideia. Cole a imagem abaixo no seu blog ou facebook.</p>
<p><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/04/A_VIDA.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-478" title="A_VIDA" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/04/A_VIDA.jpg" alt="" width="850" height="964" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Por Renato Cabral</strong></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Falando de Thais Barja. Ou algo que deveria ser um release profissional.</title>
		<link>http://www.oruminante.com.br/2012/04/26/falando-de-thais-barja-ou-algo-que-deveria-ser-um-release-profissional/</link>
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		<pubDate>Thu, 26 Apr 2012 23:28:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oruminante</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos]]></category>

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Trabalho encomendado pela cantora Thais Barja. Uma típica ação de storytelling onde um simples release pode ser mais legal. Todo release deveria começar com uma nota de humildade. Porque não é fácil se vender no papel. Uma porque é difícil &#8230; <a href="http://www.oruminante.com.br/2012/04/26/falando-de-thais-barja-ou-algo-que-deveria-ser-um-release-profissional/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
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<p><strong><em>Trabalho encomendado pela cantora Thais Barja.<br />
Uma típica ação de storytelling onde um simples release pode ser mais legal.<br />
</em></strong></p>
<p><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/04/t9.jpg"><img title="t9" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/04/t9.jpg" alt="" width="640" height="408" /></a></p>
<p>Todo release deveria começar com uma nota de humildade. Porque não é fácil se vender no papel. Uma porque é difícil falar de si mesmo, isso quando há algo a ser dito. E outra porque quando a gente consegue, fica parecendo que somos arrogantes ou simplesmente ridículos. Então, tento agora equilibrar a autoestima com a modéstia e vamos ver no que dá.</p>
<p>Na verdade, para evitar elogios em boca própria e possíveis devaneios, chamei meu ghostwriter, Renato Cabral (do site <a href="http://www.oruminante.com.br">www.oruminante.com.br</a>), para escrever por mim. Como sabemos, ele pode exagerar. Por isso, dê um desconto aí caso o texto fique recheado de superlativos. E também porque ninguém melhor do que ele para falar por mim. Uma porque ele sempre comparece aos shows como um fã irritante e já conhece minha pegada (sem trocadilhos) e outra porque sempre fica a olhar para minhas <span style="text-decoration: line-through;">pernas</span> atuações fora dos palcos também, seja nos trabalhos como atriz de comerciais ou nos programas de rádio. E isso, no fim das contas, dá uma boa síntese do resumo da obra.</p>
<p>Comecemos. Thais Barja é cantora desde 2005. Pronto. A parte profissional já está dita. Agora vamos ao que interessa e ao que faria qualquer um contratar seu show ou ir a ele. Imagine que você está numa boate em Uberlândia. E, se você mora aqui, sabe que a casa estará lotada de mulheres bonitas. O clima de paquera é intenso. Todo mundo se olhando, fazendo caras e bocas e segurando sua vodka com energético. Todo mundo jogando charme pra lá e pra cá e conversando alto, muito alto.</p>
<p>Luxúria, glamour, tendências da moda na pista e um pouco de suor se misturam entre uma ida e outra ao bar ou ao banheiro. Ninguém consegue prestar atenção em nada que não seja o sexo oposto (como estamos em Uberlândia, no mesmo sexo também), nem no DJ, nem no cartão de consumação que já estoura. Eis que, tcharam&#8230; <strong>sobe no palco uma mulher de preto, cabelão, pernão, bocão, vestidinho, e um vozeirão de arrepiar.</strong> Sem contar a presença, o carisma e o magnetismo que, que, ufa&#8230; deixa eu tomar um ar. Os homens param de olhar para as meninas. As meninas param de ser olhadas pelos homens e passam a escutar a música (claro, com um pouco de inveja com certeza). Enfim, Thais Barja no palco. Impossível não se encantar, não cantar junto e não ter uma noite intensa.</p>
<p>E tudo isso começou ali, por volta de 2005 com a banda Maria Fumaça. Ela já dividiu o palco (ou eles dividiram com ela, prefiro assim) com Paulo Miklos (Titãs); Nasi (ex-IRA), Gero Israel (Kid Abelha), Wilson Sideral e Sambô. Fez parte do projeto Divas (London Pub), nome justíssimo à causa que promete levar a esse público tão carente. Também faz participações em projetos como Clássicos do Rock e Back to 80’s. Em 2008, chegou a ser finalista de um reality show em rede nacional com cerca de 30 mil concorrentes, sendo a única representante uberlandense. Ainda bem que não venceu. Senão não estaria por aqui nunca mais. Atualmente, além dos shows, Thais apresenta o programa de rádio Degustação, na Cultura HD- 95,1, onde canta de vez em quando e tem a oportunidade de entrevistar grandes nomes da música brasileira. Também está numa nova fase, desenvolvendo um projeto de música eletrônica. No repertório: black music, rock, reggae e até samba-rock. Bem, agora precisamos de um bom final pro release. Ah, sim, claro, o telefone dela: <strong>34 9690-5550.</strong></p>
<p><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/04/t2.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-451" title="t2" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/04/t2.jpg" alt="" width="640" height="958" /></a></p>
<p><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/04/t7.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-460" title="t7" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/04/t7.jpg" alt="" width="640" height="640" /></a><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/04/t11.jpg"><img title="t11" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/04/t11.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a></p>
<p><strong>Por Renato Cabral</strong><br />
Roteiro e direção em storytelling<br />
oruminante@gmail.com</p>
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		<title>Raízes e Asas no Update or Die</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Apr 2012 21:34:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oruminante</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos]]></category>

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Hoje saímos num dos mais respeitados sites de conteúdo do Brasil, o Update or Die.Pra quem não viu, veja. Pra quem não assistiu ao filme, assista. É o que importa. &#160; &#160;]]></description>
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<iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http://www.oruminante.com.br/2012/04/26/raizes-e-asas-no-update-or-die/&amp;layout=standard&amp;show_faces=true&amp;width=450&amp;action=like&amp;colorscheme=light" scrolling="no" frameborder="0" allowTransparency="true" style="border:none; overflow:hidden; width:450px; height:60px"></iframe> 

<p>Hoje saímos num dos mais respeitados sites de conteúdo do Brasil, o <a href="http://www.updateordie.com/2012/04/25/grades-que-voce-nunca-viu-mas-que-tambem-nunca-deixam-de-existir/">Update or Die</a>.Pra quem não viu, veja. Pra quem não assistiu ao filme, assista. É o que importa.<br />
<a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/04/update.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-446" title="update" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/04/update.jpg" alt="" width="640" height="506" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><iframe src="http://player.vimeo.com/video/31337894" frameborder="0" width="500" height="281"></iframe></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Meus 19.</title>
		<link>http://www.oruminante.com.br/2012/04/25/meus-19/</link>
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		<pubDate>Wed, 25 Apr 2012 19:25:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oruminante</dc:creator>
				<category><![CDATA[LADO B // Pra que eu não morra invisível]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>

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Carinhosamente para minha amiga Jess Block. O texto é antigo, mas o afeto o mesmo. Ela escreve como as tempestades, que não se importam de despejar sobre o mundo seu peso, seu molho. Torna os cascos de géis, despreparados, em &#8230; <a href="http://www.oruminante.com.br/2012/04/25/meus-19/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
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<p style="text-align: right;"><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/04/jess.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-423" title="jess" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/04/jess.jpg" alt="" width="640" height="404" /></a><em style="text-align: right;"><strong><small>Carinhosamente para minha amiga Jess Block. O texto é antigo, mas o afeto o mesmo.</small></strong></em></p>
<p>Ela escreve como as tempestades, que não se importam de despejar sobre o mundo seu peso, seu molho. Torna os cascos de géis, despreparados, em cabelos revoltos, quando assopra seu olhar. Tem arrepios como os terminais, que não terão muito tempo, nem tantos lamentos mais. Mas carrega a juventude dos que tem tudo pela frente e ainda podem se perder.</p>
<p>Muda de cabelo como quem vai à missa. A pele branca é um deserto de sal a refletir a luz do sol; você pode se cegar para sempre. Mas nunca morrer de frio, porque ferve quando você a toca.  Sabe que deve fugir de casa como quem sai à rua. Mas insiste no contrário: vai pelas calçadas como quem foge de casa. Na barriga um ventilador; nos seios, bombas a explodir mãos. E nos olhos as setas em busca dos proibidos. No meio das pernas a centelha que pode disparar o canhão e aproximá-la mais uma vez daquela revolução que só ela ainda acredita. Não é auto-engano; é dever e lucidez.</p>
<p>Reclama do mundo e se mistura aos suores de seus algozes. Ri com os homens e debocha deles. Se diz vitima, mas esquece que mata mais do que morre. Está embriagada com o próprio destino, com a própria beleza. Queria tocar, ler e ir pra longe. Queria que os verbos não fossem só palavras, mas martelos e facões com que abrirá seu caminho e poderá encontrar consigo mesma e com sua liberdade sempre adiada.</p>
<p>Da última gota, ela quer o frasco, a prova de seu hálito, de que ainda está ali. Pra ela, não bastam as fronteiras. E o limite da morte é apenas algo que a faz gozar com mais força. Os cílios em riste; a alma despenteada. O coração bombeando os delírios que os pés tropeçam em seguida. Menina interrompida, que tateia nos pensamentos uma saída possível, mas que nunca chega. Na roupa não traz botões; não traz fantasmas. Pena que sua nudez esconde tudo, mais do que mostra. O que lhe resta então é só a leve fragrância daquilo que já não é mais. Não tem nem 20 ainda, mas já tem saudade de si.</p>
<p><strong>Renato Cabral</strong></p>
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		<title>Pensamentos são buracos no cérebro e reticências no muro.</title>
		<link>http://www.oruminante.com.br/2012/04/03/pensamentos-sao-buracos-no-cerebro-e-tijolos-no-muro/</link>
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		<pubDate>Tue, 03 Apr 2012 03:20:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oruminante</dc:creator>
				<category><![CDATA[LADO B // Pra que eu não morra invisível]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>

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Minha melhor companhia é aquela que preciso fazer força pra esquecer&#8230; É um ruído de dente, que amolece a gengiva e faz os cachorros latirem&#8230; É esse rasgo na cabeça feito lata de sardinha, por onde sai o grito e &#8230; <a href="http://www.oruminante.com.br/2012/04/03/pensamentos-sao-buracos-no-cerebro-e-tijolos-no-muro/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
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<iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http://www.oruminante.com.br/2012/04/03/pensamentos-sao-buracos-no-cerebro-e-tijolos-no-muro/&amp;layout=standard&amp;show_faces=true&amp;width=450&amp;action=like&amp;colorscheme=light" scrolling="no" frameborder="0" allowTransparency="true" style="border:none; overflow:hidden; width:450px; height:60px"></iframe> 

<p><span style="color: #000000;"><strong><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/04/thewall2.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-418" title="thewall2" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/04/thewall2.jpg" alt="" width="640" height="462" /></a></strong></span></p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/ARXKvVeVtXg" frameborder="0" width="640" height="35"></iframe></p>
<p>Minha melhor companhia é aquela que preciso fazer força pra esquecer&#8230; É um ruído de dente, que amolece a gengiva e faz os cachorros latirem&#8230; É esse rasgo na cabeça feito lata de sardinha, por onde sai o grito e toda mentira&#8230; Um diamante como tampa de um bueiro&#8230; Um sorriso como uma armadilha prum abismo&#8230; Pela fenda, o mau cheiro da vidinha; mas a covardia é um purificador de ambientes; flores do campo para nosso medo&#8230; O sofá é o útero dos nascidos; e a TV, o berço dos mortos-vivos&#8230; Na virilha, o molho dos miolos, que escorrem grudados ao gozo de anteontem, que já não traz nada; queda de cabelo; de cabelo pintado&#8230; Cabeça é prateleira de desinteresses&#8230; Boca é gaveta de revólver. Só abra se for meter uma bala no meio dos olhos; que seja no dos outros&#8230; Língua é atestado do gosto azedo desta doença, lenta e desagradável feito carrapato nas pregas&#8230; E esse breve momento de calma entre a autocomiseração e o autoengano, que poderia ser algo, já partiu com a última bexiga do aniversário e meu fôlego&#8230; E agora a raiva&#8230; E o desespero&#8230; que me faz tão íntimo e distante de mim&#8230; Resíduo de amor em frasco de cinismo. Todas as letras das cartas na sopa do velho que me torno. Tomo tudo para embaralhar meu mal-estar e minhas promessas&#8230; O hálito pendurado com cebolas&#8230; E o gosto de menta dos sussurros tentando abafar a hipocrisia&#8230; Nas pupilas o “eu acredito”, na calma o “eu confio”, e no frio da barriga o “vai dar certo”. E o varal de “perdas de tempo” já se sujando no chão de tanto peso&#8230; A tentativa de lucidez como a pior forma de inconstância&#8230; A solidão é uma onda que nunca quebra, nem o pescoço nem a praia nem o barco; nem soterra nossa falta de vergonha na cara&#8230; E a liberdade é uma corrente e um tambor. Por isso os loucos estão presos ou tocam em bandas&#8230; E toda lata virada nos becos não é para matar a fome, mas para chamar a atenção e pedir aplausos. Mais. Mais. Mais&#8230; Mas a lata vazia, o beco vazio, as palmas vazias e as salas tão cheias de TVs cada vez maiores, que chamam mais atenção e ganham mais aplausos&#8230;</p>
<p><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/04/thewall.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-420" title="thewall" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/04/thewall.jpg" alt="" width="640" height="414" /></a></p>
<p>Quem vai me cobrir à noite quando eu ficar nu para me procurar no escuro? Quem vai me assoprar as feridas quando a música dos meus cortes virar uma casca e prender tudo num casulo de borboleta?&#8230; Quem vai se lembrar de mim quando eu já tiver me esquecido?&#8230; Os delírios e promessas de gozo dessas calçadas cheias de perfumes e bundas são como o zíper a prender a pele do prepúcio ereto; talo de galho a fecundar meu falo e minha insônia&#8230; Minha agonia acumulada a cobrir meu telhado e minhas vistas com o sexo de gatos e o funk de chevetes&#8230;  Não vou dar mais comida ao cachorro. Pra saber qual o gosto daqueles que sentem fome; e dos que são maus&#8230; Martelar meus pregos nos sorrisos fáceis dos que vão se distrair nos circos. Para saber qual o cheiro daqueles que não podem mais se enganar&#8230; No bolso ainda esse porta-retrato “daquele eu lá de trás”, que já virou estrume na lembrança e onde nenhum jardim consegue crescer&#8230; E no crachá deste “de agora” um que não consegue nunca relaxar&#8230; Embrutecer como emburrecer&#8230; Em todo lugar um boleto e um sim, um pare e um ditado, um por favor e um peso a mais a curvar as costas, até que os olhos só beijem os próprios pés e estejam sempre a olhar pra trás&#8230; E tudo isso só como mais um botão em nossa roupa de palhaço; um código de barras em nossa testa; marketing de cadáveres&#8230; E nós nunca alados, nunca pelados, nunca desterrados, sem pai nem pátria, sem mãe nem nada&#8230;  Nós apenas como massa de tijolos que não deram certo&#8230; Não vai passar, nem quando a morte chegar&#8230; E ao redor de tudo, ainda esse muro&#8230; Porque cada pensamento é um buraco de minhoca na cabeça a nos deixar cheios de vazios&#8230; Cada ideia é uma reticência e um furo na cuca. E mais um tijolo no labirinto sem fim&#8230; É preciso raiva e também cortar a cabeça fora. Raiva e não mais amor. Raiva para ranger os dentes até estalarem e fazer os cachorros latirem. Raiva para esquecer e voltar a ser boa companhia; para ser vontade e potência&#8230; Raiva para quem sabe um dia parar de fingir que esse muro é apenas uma cortina que pode ser aberta a qualquer hora&#8230;</p>
<p><strong>Renato Cabral</strong></p>
]]></content:encoded>
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		<title>A última gota para a flor de um jardim morto</title>
		<link>http://www.oruminante.com.br/2012/03/23/a-ultima-gota-para-a-flor-de-um-jardim-morto/</link>
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		<pubDate>Fri, 23 Mar 2012 23:45:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oruminante</dc:creator>
				<category><![CDATA[LADO B // Pra que eu não morra invisível]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>

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		<description><![CDATA[	

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* Só um texto antigo&#8230; palavras já há tanto perdidas no tempo&#8230; ponho as aqui para que não sejam desperdiçadas;  para que continuem perdidas entre outras&#8230; porque é melhor ser só acompanhado do que sozinho&#8230; O que resta quando alguém &#8230; <a href="http://www.oruminante.com.br/2012/03/23/a-ultima-gota-para-a-flor-de-um-jardim-morto/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	

<iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http://www.oruminante.com.br/2012/03/23/a-ultima-gota-para-a-flor-de-um-jardim-morto/&amp;layout=standard&amp;show_faces=true&amp;width=450&amp;action=like&amp;colorscheme=light" scrolling="no" frameborder="0" allowTransparency="true" style="border:none; overflow:hidden; width:450px; height:60px"></iframe> 

<p><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/03/flor1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-416" title="flor" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/03/flor1.jpg" alt="" width="640" height="744" /></a></p>
<p style="text-align: right;"><em><small>* Só um texto antigo&#8230; palavras já há tanto perdidas no tempo&#8230;<br />
ponho as aqui para que não sejam desperdiçadas;  para que continuem perdidas entre outras&#8230; porque é melhor ser só acompanhado do que sozinho&#8230;</small></em></p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/8waADvXscSE" frameborder="0" width="640" height="35"></iframe></p>
<p>O que resta quando alguém vai embora e toda presença se resume àquele pó intocado sobre peças familiares, coisas que a gente mantém com o ruído da lembrança?&#8230;</p>
<p><span id="more-413"></span>Ouça. Você partiu e desde então tem sido assim por aqui: esse rastejar de cabeça baixa. Não é só tristeza, é que devagar é mais fácil recolher essas cascas que caíram, esse pedaço de foto, esse recorte de pano com seu perfume, meu vaso sempre a sua espera (comigo na cama te olhando de pernas abertas); meu travesseiro entre o ventre tomando o lugar da sua coxa. E meu cabelo arrumado como nunca pela falta do sopro dos seus dedos. A casa num silêncio querendo assuntar, quebrar o gelo pra poder, quem sabe, nesses golpes de intimidade, me perguntar sobre você. Saber por onde anda&#8230; Mas como responder se a resposta também me falta?</p>
<p>Quando você partiu com sua pele branca e aquela burca que seus cabelos pretos faziam só pra deixar maior seus olhos de esmeraldas, eu prometi ser feliz, achando que a felicidade fosse alguma coisa como um crachá. Fiz um pra mim. Ele abria as portas da outra dimensão, onde ninguém mais chora, mas lá dentro ainda faltava algo. Faltava eu. Porque quando você foi embora, levou aquele pedaço de mim que sabia ler a língua com que a felicidade gosta de cantar. E fiquei surdo desde então pra isso que é sorrir. Um analfabeto de alegria. Um aleijado de amor. Por isso tateio suas coisas no quarto à procura de pistas, de um abraço. Você sabe, o pior tipo de tristeza é a felicidade que ficou pra trás. E lembrar dessa felicidade é a maldição do presente.</p>
<p>Naquele dia em que você, antes de partir, me bateu e gritou comigo, eu já sabia que o que restaria não seriam os berros, os roxos, as unhas cravadas na alma; nem minha vergonha por ter te feito chorar. Porque quando a nossa música soprasse os ouvidos, o mais besta dos momentos, aquele sorvete tomado no colo do outro, aquele azeite sobre nosso macarrão, aquele cheiro de bochecha, tudo isso iria quebrar essa mentira que a gente inventa pra se proteger; que se chama dor.</p>
<p>E você foi embora. Escreveu sua carta de despedida e nunca me enviou. Fiquei sozinho duas vezes por isso. E quando ela chegou, a casa já estava se enchendo de novo, com um novo sorriso. Abro agora um envelope que me faz chorar. Eu achando que o jardim já tinha secado. Por que voltou com tão poucas linhas e essas correntes no meu pescoço? Cadê sua carne aqui pra eu poder chorar em cima e riscá-la de raiva? E agora cada lágrima gruda suas letras em mim como uma praga que nunca nos fez estar longe de fato.</p>
<p>Quem dera houvesse um atalho pra voltar pelo mesmo caminho que eu já sei andar, o que leva até suas flores; mas não consigo mais ir por aí. Sei percorrê-lo, mas desaprendi o jeito de como eu desviava dos espinhos. Porque eu entendi o que é estar sem você, mas ainda não aprendi a ser sem você.</p>
<p>Sua força ao ir e não me deixar voltar é uma prova ainda maior do que é o amor, que é libertar e nunca prender. Perder pra ter, pra poder se encontrar. Mas nem sempre só o amor basta. Você foi única na sua beleza, na sua loucura, no jeito que me teve e que me fez te querer tanto. Não deixe essa flor secar nunca. Nos vemos por aí, pelas calhas, pelos tetos, pelas quinas e navalhas; na lama e talvez no céu, que já foi nosso berço e nosso leito, mas com um outro olhar agora, e sempre com o mesmo carinho. Um último beijo. Que ele fique grudado na alma e em tudo que for você. Fico aqui, te admirando como a flor mais rara, que aprecio sem poder mais tocar. Sempre te amei. Mas sempre te amar é um tormento que não posso mais levar.</p>
<p>Por<strong> Renato Cabral<br />
</strong>@CabralDiz<br />
oruminante@gmail.com<strong></strong></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Enquanto você espera amar, o amor.</title>
		<link>http://www.oruminante.com.br/2012/02/28/enquanto-voce-espera-amar-o-amor/</link>
		<comments>http://www.oruminante.com.br/2012/02/28/enquanto-voce-espera-amar-o-amor/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 29 Feb 2012 01:00:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oruminante</dc:creator>
				<category><![CDATA[LADO B // Pra que eu não morra invisível]]></category>

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		<description><![CDATA[	

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Ao autor desta foto, minha desculpa por não saber quem é você.  Mas enquanto sua foto agora é minha&#8230; uma música que não é minha agora é sua. Nunca te disseram que o amor é só uma espera? Que o &#8230; <a href="http://www.oruminante.com.br/2012/02/28/enquanto-voce-espera-amar-o-amor/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	

<iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http://www.oruminante.com.br/2012/02/28/enquanto-voce-espera-amar-o-amor/&amp;layout=standard&amp;show_faces=true&amp;width=450&amp;action=like&amp;colorscheme=light" scrolling="no" frameborder="0" allowTransparency="true" style="border:none; overflow:hidden; width:450px; height:60px"></iframe> 

<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/02/a1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-404" title="a1" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/02/a1.jpg" alt="" width="640" height="954" /></a></strong></span><strong style="text-align: right;"><small>Ao autor desta foto, minha desculpa por não saber quem é você.<br />
</small></strong><strong style="text-align: right;"><small> Mas enquanto sua foto agora é minha&#8230; uma música que não é minha agora é sua.</small></strong></p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/OpYKtirbA7E" frameborder="0" width="640" height="35"></iframe></p>
<p>Nunca te disseram que o amor é só uma espera?<br />
Que o amor é um banco esquecido numa praça de outubro, cheia de pombos e velhos?<br />
Um bagaço abandonado à espera dos cães e dos lixeiros?<br />
Que somos todos nós.</p>
<p><span id="more-403"></span> Um barco cujo cais fica em todo lugar e onde nunca é fácil de achar?<br />
Porque o amor já está.<br />
É esta paciência. Esse esperar.<br />
Nós é que nunca estamos.<br />
Nunca te disseram que há mais amor numa gota de desespero que nos dentes dos sorridentes?<br />
Porque o amor não é uma ponte, nem uma travessia.<br />
Mas uma âncora e um buraco.<br />
É uma curva que leva sempre à mesma curva.<br />
Que demora feito noite de desacordado.<br />
Feito frio de abandonado.<br />
É esta febre que não frita nem fere.<br />
E que não passa.<br />
O amor é uma fila.<br />
E nós a senha que não chega.<br />
Nunca a nossa hora.<br />
Porque há mais gente para ser atendida do que gente para ser deixada.<br />
Porque há mais chão para correr do que passeios para sentar.<br />
E queremos ir, quando temos que ficar.<br />
Assim nasce o amor.<br />
Nasce dessa porta sem chave.<br />
Dessa pressa sem rumo, cheia de muro.<br />
Por isso ficamos na janela vigiando o dia e os outros.<br />
Esperando o convite para a nossa festa.<br />
Que nunca organizamos.<br />
Por nos enganarmos que o amor é esta aflita esperança de alegria,<br />
Achamos que haverá um tempo para que o amor seja, enfim, a gente.<br />
Mas o amor é apenas um jeito de não lembrar,<br />
E ao mesmo tempo de nunca nos esquecermos.<br />
O amor é essa tristeza.<br />
Porque é uma mentira.<br />
Que a gente conta a si mesmo para não se machucar.<br />
Ou para tampar com esparadrapo esse buraco no olho e no joelho.<br />
Porque o amor é um pedaço de pano e uma venda.<br />
Ora a nos enforcar. Ora a nos cegar.<br />
Mercúrio de ferida.<br />
É a paciência da mãe e a pressa do que vai nascer;<br />
O medo do que vai lutar e a esperança do que vai morrer.<br />
É tudo aquilo que nunca foi nem será.<br />
Um ponto de ônibus da rua sem saída.<br />
É o motor que faz as coisas irem e irem e irem e irem&#8230;<br />
&#8230; nosso breve jeito de resistir.<br />
&#8230; nosso boia para não nos abandonar.<br />
O amor é a coisa mais feia que há.<br />
Mais que a doença ou que a traição.<br />
E porque somos crentes e tolos, acreditamos no amor.<br />
Porque para os velhos há as muletas.<br />
E para os pombos as migalhas.<br />
Por querer demais o amor, esquecemos que quando somos atendidos, ele é adiado.<br />
Quando a fila anda, e as coisas chegam, o amor, enfim, vai embora.<br />
Por isso não se pode amar.<br />
Porque quando o amor já é,<br />
Nós ainda não.<br />
E apenas somos quando ele nos falta.<br />
E quando ele já não nos falta estamos mortos.<br />
Igual a essa gente feliz que não pensa em nada.<br />
Porque não lhes falta nada.<br />
A felicidade é exatamente estar livre para não precisar amar.<br />
E o amor é exatamente a plenitude de não ser livre.<br />
Não temos o amor.<br />
Porque só ele nos tem.<br />
Mas o amor não é a falta.<br />
É o que nos faz aguentá-la.<br />
O amor é, enfim, esta saudade de um nós que nunca conheceremos.<br />
E se com amor a vida é este eterno e amargo aguardar.<br />
Sem ele, a vida seria como este nós que tanto sonhamos.<br />
Impossível.</p>
<p><strong>Renato Cabral </strong><br />
oruminante@gmail.com</p>
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		</item>
		<item>
		<title>O dia em que quase morremos na praia. O relato de sobrevivência de quatro amigos</title>
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		<pubDate>Sun, 26 Feb 2012 19:44:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oruminante</dc:creator>
				<category><![CDATA[LADO B // Pra que eu não morra invisível]]></category>

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Por Fernando Nazário. Colaboração e texto final: Renato Cabral O mar É com dificuldades de digitar e pouca sensibilidade nos dedos que começo esta carta. O que de alguma forma já é um motivo para sorrir. Porque se estou aqui, &#8230; <a href="http://www.oruminante.com.br/2012/02/26/o-dia-em-que-quase-morremos-na-praia/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
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<p align="right"><strong><em><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/03/gO4.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-407" title="gO4" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/03/gO4.jpg" alt="" width="640" height="428" /></a></em></strong></p>
<p align="right"><strong><em>Por Fernando Nazário.<br />
</em></strong><strong><em>Colaboração e texto final: Renato Cabral</em></strong></p>
<p style="text-align: left;" align="center"><strong>O mar</strong></p>
<p>É com dificuldades de digitar e pouca sensibilidade nos dedos que começo esta carta. O que de alguma forma já é um motivo para sorrir. Porque se estou aqui, é porque me salvei. Esta é a história da luta de três homens e uma mulher para sobreviver à Patagônia chilena, durante a travessia de canoagem pelo estreito de Magalhães. Meu nome é Fernando Nazário, capitão da equipe de corrida de aventura Go! Crazy.</p>
<p><span id="more-406"></span></p>
<p><img src="http://s.glbimg.com/es/ge/f/620x390/2012/03/05/carlagoulart_arq-2.jpg" alt="Carla Goulart Patagônia Expedition Race (Foto: Arquivo Pessoal)" /></p>
<p>Sou católico, creio em Deus, mesmo que não tenho ido muito à missa. Antes da prova, talvez por hábito, me pegava pedindo proteção para que pudéssemos completar a jornada sem nos machucarmos. E enquanto procurava uma foto para colocar no Facebook e dizer para os amigos que estávamos partindo para a Patagônia Expedition Race (uma das 10 provas mais difíceis do mundo, com percurso de 565 km), me deparei com uma passagem no site: <em>“&#8230; </em><em>Seja forte e corajoso! Não se apavore, nem desanime, pois o senhor estará com você por onde andar”.</em>  Aquilo chamou minha atenção na hora, mas ficou por aí. Partimos&#8230;</p>
<p>Jé em Punta Arenas, os dias foram corridos e durante a checagem do equipamento, mais uma vez algo chamou minha atenção: o kit de primeiros socorros exigia coisas demais. Aquilo me deu um calafrio. E aquela sensação, de algum modo, me dizia que o que a gente iria enfrentar ia ser mais difícil que toda a dureza da prova.</p>
<p>Durante a revisão do equipamento de canoagem, notamos que faltavam as saias do caiaque, que impedem que a água entre no barco; e também uma bomba de sucção, que retira a água.  Uma das pessoas responsáveis pela canoagem nos garantiu que as saias de neoprene estariam em nossas bolsas na etapa de canoagem. Nos restava confiar.</p>
<p><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/03/GO2.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-408" title="GO2" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/03/GO2.jpg" alt="" width="640" height="426" /></a></p>
<p>Fomos para a largada. Logo de início, 70 km de moutain bike pontualmente as 2:30 da manhã. A temperatura de 6°C, somada aos ventos, só era quebrada pela adrenalina. E já ali, o primeiro problema, que se agravaria mais tarde: a falta de botas de neoprene para os pés durante a etapa de moutain bike.</p>
<p>Começamos. Mas nossos pés estavam congelando com o vento que entrava pela sapatilha. E já não tínhamos um boa sensibilidade. Mesmo assim, pedalamos bem e chegamos à transição do moutain bike para a canoagem.</p>
<p>E, então, um segundo susto, que nos marcou em silêncio, como num pressentimento. Nossas saias de neoprene, as luvas de proteção das mãos e a bomba de sucção não estavam lá. O responsável pela canoagem nos entregara uma caixa com saias de nylon e apenas uma bomba para uma embarcação.</p>
<p>Em um ato irresponsável, o representante da prova ainda olhou para o mar e disse: “está calmo, vocês não vão precisar de saias de neoprene”. Mas o tempo na Patagônia muda a cada hora, e aquilo poderia ser um desastre. Só que no calor do momento e vendo outras equipes partindo, resolvemos ir, com a impressão de que estávamos cometendo um grande erro.</p>
<p>Remamos. As primeiras duas horas foram tranquilas. <strong>Mas aí, tudo mudou. As ondas e os ventos aumentaram muito, e eu comecei a vomitar. A fraqueza me veio de imediato. E neste momento, meu companheiro de caiaque, Leo Guerra, começou a fazer muita força e a remar por dois,</strong> enquanto eu tentava de todas as formas me recuperar.</p>
<p>Durante esse tempo, algumas ondas atingiram muito forte o barco, o que fez com que as saias de nylon, únicas que conseguimos, saíssem. Começou a entrar água demais e a tensão aumentava igualmente. As coisas só pioravam.</p>
<p>Além disso, os fortes ventos e as ondas sopravam para o lado contrário que tínhamos que ir. “Não podemos mais remar”, dizíamos um para o outro. <strong>E o barco começou a afundar</strong> porque já não tinha estabilidade. Nessa hora, Felipe e Carla se aproximaram e numa tentativa desesperada tentamos recolocar as saias no caiaque. Em vão. Para piorar, o barco de Felipe e Carla também estava ficando submerso. A única saída era unir as embarcações, gerando uma estabilização momentânea. Era o tempo que tínhamos para respirar e pensar.</p>
<p>Mas na verdade aquilo era só o começo das 5 horas mais terríveis de nossas vidas. A temperatura da água estava em 4 graus. Decidimos reposicionar os barcos na direção dos ventos e das ondas; dividimos as pás dos remos e o Leo começou a remar; Carla e Felipe segurando os  barcos um no outro, enquanto eu fazendo o leme.</p>
<p>A todo momento íamos trocando os integrantes que remavam para que pudéssemos nos aquecer. <strong>Mesmo assim, o inevitável começou. Estávamos entrando no primeiro estágio da hipotermia:</strong> tremores incontroláveis, nossa voz não saia direito, gritávamos: “força, força, está perto, rema, rema, Carla, não durma, fale alguma coisa”, e ela apenas respondia: “estou tranquila, estou rezando”.</p>
<p>E após uma hora embaixo d’água não tínhamos outra opção a não ser buscar o rádio satélite para nos comunicarmos com a organização. Leo tentou por três vezes comunicação. Quando alguém atendeu, logo a linha caiu. <strong>Numa nova tentativa, veio uma onda muito alta e atingiu o telefone satélite em cheio. Um descuido imperdoável.</strong> Sem o telefone agora, nos restava usar a bomba de fumaça que estava guardada em um compartimento do caiaque. Mas se abríssemos o compartimento, os barcos afundariam ainda mais, perdendo a estabilidade. <strong>Naquela temperatura, cair na água seria uma morte certa em dez minutos.</strong> E, então, ficou muito claro pra todos ali. Nossas vidas dependiam exclusivamente de nós mesmos.</p>
<p><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/03/GO3.jpg"><img title="GO3" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/03/GO3.jpg" alt="" width="640" height="426" /></a></p>
<p>Me lembro de falar com todos no barco: “vamos fazer força, é nossa vida que está em jogo, vamos fazer força”. Começamos novamente a remar e a revezar os remos para que todos pudessem se aquecer.</p>
<p>Uma de nossas esperanças era o Sol, que saía durante um período muito curto e quando tocava nos drysuits, a gente se aquecia por um breve momento. Mas logo o céu se fechava e o ânimo sumia também. Um zigue zague de emoções o tempo todo. E foi quando avistamos a praia da ilha Dowson. Talvez o vento poderia nos ajudar a chegar até lá. Era nossa chance. Era preciso remar forte agora.</p>
<p>Nessa hora, começamos a gritar com Carla e a perguntar como ela estava. Mas ela já estava no segundo estágio da hipotermia, quando os tremores param. Carla perguntava quanto tempo levaria ainda para chegar à costa, e Leo falava que ainda restava uma hora. Mas ainda restavam três.</p>
<p>O tempo correu lento. E quando restava apenas uma hora para chegarmos à costa, Felipe falou que deveríamos cantar para que soubéssemos a situação de cada um. Minha hipoglicemia piorava a cada minuto, pois tinha vomitado e estava por seis horas sem me hidratar e sem comer. Começamos a cantar. <strong>E foi quando uma baleia enorme surge a uns 50 metros do barco e solta um jato de água.</strong> Apesar do susto, imaginamos depois que aquela baleia nos havia sido enviada. Porque começamos a sacudir uns aos outros e novamente a nossa moral se renovou. E o que a gente acreditava se confirmaria. Algumas pessoas da terra do fogo relataram que as baleias são animais extremamente sensíveis e se uma delas passou na frente do barco foi pra nos ajudar. Eu só posso ter fé nisso. E ficar grato, claro.</p>
<p><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/03/go5.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-411" title="go5" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/03/go5.jpg" alt="" width="640" height="368" /></a></p>
<p>Estávamos agora a uns 100 metros da praia. Faltava tão pouco. E foi quando uma enorme planta marinha se enroscou no barco e começou a mudar a direção, nos jogando novamente para alto mar. Nessa hora, Felipe falou para que Leo remasse para trás, enquanto eu e Carla segurássemos o barco forte. Com muito esforço, que já não tínhamos, voltamos à direção certa. E após desviarmos de uma grande pedra, uma onda enorme nos jogou para a praia.</p>
<p><strong>A praia</strong></p>
<p>Uma onda de euforia veio para todos. Já podíamos sair do barco. Mas, aí, a surpresa: nossas pernas não funcionavam. Carla foi a primeira a tentar e caiu na água, quase se afogando. Mas Felipe a segurou pelas mãos antes do pior.</p>
<p>Na praia, Leo estava ajoelhado, seus braços não aguentavam mais segurar seu corpo. Ele caia com o rosto no chão, apoiava as mãos e engatinhava, completamente hipoglicêmico. Felipe rasgou com a faca a roupa de Carla e tentou em vão ligar nosso fogareiro, tremendo convulsivamente.</p>
<p>Eu pensava que o Leo estava bem, mas as horas em que ele remou por mim cobraram um preço muito alto. De repente, com uma voz estranha e gutural, ele grita meu nome. Aquilo me fez sentir medo. Eu precisava ajudá-lo como ele havia feito antes comigo. E a praia, que era para ser nossa salvação, se tornava mais um pesadelo.</p>
<p>Enquanto Felipe ir buscar abrigo,  arrastei o  Leo e o ajudei a passar por cima de troncos que impediam a entrada do bosque. Peguei a faca e como não conseguia tirar meu drysuit congelado, cortei para que pudesse me livrar da roupa. Peguei seu saco de dormir e o vesti. Mas aquilo não estava adiantando. Restava então me deitar com ele. E, chorando, gritava  abraçado a ele, tentando trocar calor: “você tem que ser forte, Leo, vamos sair dessa, seja forte”. Leo começou a tremer novamente e me lembro que quanto mais ele tremia mais eu o apertava. Um misto de alegria e desespero.</p>
<p>Nossa esperança de resgaste eram agora os caiaques amarelos na praia. Os mesmos que de alguma forma nos levaram àquilo tudo. Foi então que me veio o choque. Por dar atenção demais aos outros, esqueci que o frio também me consumia. <strong>E enquanto eles deitavam os três juntos, instintivamente urinei em meus pés como forma de aquecê-los. Já não pensava direito no que fazia.</strong></p>
<p>No horizonte, a possibilidade de chuva forte. Corri até o acampamento, montei a barraca e pedi para que entrassem. A visão dos três na barraca era uma espécie de alívio. Mas veio uma melhor ainda.</p>
<p>Pela fresta das árvores, avistei lá na frente um barco da armada do Chile. Corri para a praia e acenei com urgência, segurando os coletes coloridos. Mas o barco fez uma curva para a direção oposta. Uma onda de desespero e descrença me pegou. Eu gritava, gritava. E o barco indo embora. Mas eu estava felizmente enganado. O barco estava taxiando para lançar os botes n’água. Eles tinham me visto.</p>
<p>A alegria de ver meus companheiros salvos era como a de ver o barco salva-vidas atracar. Já no bote, enquanto narrávamos o que havíamos passado para a tripulação, o capitão nos olhava estupefato: “Uma pessoa sem roupa adequada pode resistir a aproximadamente 7 minutos nessas águas. Com drysuit, em torno de 15 minutos. Vocês ficaram por 5 horas”. E agora nós nos olhávamos num misto de orgulho e espanto. Porque só nesta hora, enfim, tomamos consciência realmente da dimensão do que havia ocorrido.</p>
<p>Temos consciência que o que nos salvou também foram as roupas que usávamos por baixo do drysuit, mas tenho mais certeza ainda que, o que realmente nos salvou, foi a vontade de permanecermos vivos e nunca, nunca mesmo, termos tido o pensamento de que poderíamos morrer ali.</p>
<p><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/03/GO1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-409" title="GO1" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/03/GO1.jpg" alt="" width="640" height="427" /></a></p>
<p>E agora de um jeito simples, mas muito intenso, me recordo do momento que precedeu nossa viagem: “&#8230; s<em>eja forte e corajoso! Não se apavore, nem desanime&#8230;”. </em>Poderia ser mais uma frase perdida entre tantas. Mas ela fora como uma boia para mim, em que me agarrei para sair dali vivo e junto com meus amigos. <em></em></p>
<p>Todos querem conquistar seus sonhos, mas toda conquista só ocorre quando você esta tornando isso em realidade. A conquista está no fazer e no lutar e não no alcançar e chegar. Nós havíamos conseguido. E que bom entender agora que já não importam mais os pódiums ou as medalhas. Quando se tem a oportunidade de ganhar de novo a própria vida e a de seus companheiros, essa conquista é o prêmio mais revelador e inacreditável que alguém pode receber. E caso um dia surja a pergunta se eu faria tudo de novo: a resposta só pode ser um sim. Não por coragem. Mas exatamento por medo e reverência. Por saber o quanto somos frágeis. Mas também o quanto somos fortes juntos. Porque só o medo e a possibilidade de vencê-lo dá à vida a dimensão e o respeito que ela merece. E nós também.</p>
<p><strong>Renato Cabral</strong><br />
oruminante@gmail.com</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Entre nossas mentiras e nossas verdades, nosso fim.</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Feb 2012 22:08:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oruminante</dc:creator>
				<category><![CDATA[LADO B // Pra que eu não morra invisível]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>

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<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/02/q0.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-401 alignright" title="q0" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/02/q0.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a></strong></span><strong><span style="text-align: right;"><small>&#8220;Você queria suas cinzas aí. Pois saiba que as minhas já ficaram pelo caminho&#8230;&#8221;</small></span></strong></p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/FaIx2kBC8_A" frameborder="0" width="640" height="35"></iframe></p>
<p>20 de fevereiro de 2012. Segunda de Carnaval. Ironicamente, a data talvez justifique a situação. A verdade é que nem de consolo serve. Hoje quando você acordou eu sabia que o dia tinha chegado. Estava nos seus olhos quando eu abri os meus. Eu surpreendido em meu sono, por ficar tão à vontade ao seu lado. Outra ironia. Nossa ligação é tão forte que demorou duas, três piscadas para que eu soubesse de tudo. Para saber que você já sabia de tudo.</p>
<p><span id="more-400"></span>Não sei se você se sentia suja, contaminada, pelo que leu ou pelo que não conseguiu contar. Mas foi se banhar. E enquanto você se banhava eu fiz o mesmo que você havia feito pela manhã. Também escondido. Li. E também fiquei em silêncio. E nos tornamos iguais de novo. Cúmplices uma vez mais.</p>
<p>Arrumei uma desculpa qualquer e fui pagar uma conta. Você se livrou das desculpas e foi tomar um chope. Nos encontramos no meio da tarde, já como estranhos. E, entre nós, pela primeira vez, um misto de raiva e desconhecimento. Nos olhávamos como completos familiares que ganharam de uma só vez o maior dos ressentimentos.</p>
<p>O parque de diversões de outros tempos, enfim, virara sucata. A ferrugem que todos torciam para que chegasse e que nós nunca achávamos possível acontecer já corroía tudo o que um dia tentamos dar um nome e que “amor” nunca foi o suficiente. E nenhuma fala ou discurso valia mais ou dava conta da simplicidade óbvia que ocorria.</p>
<p>Nós juntos pregados à verdade que fomos e às mesmas mentiras que construímos e não conseguimos evitar. Nós lutando para sermos diferentes deles e acabamos do mesmo jeito. E é assim que termina, não é? Igual todo mundo termina. Mas pela primeira vez não há dor, nem culpa, nem remorso. Não há nada. Porque antes houve tudo. Porque pela primeira vez não me guardei, nem me dei tão pouco; não me poupei do abismo nem do céu. E sei que fui bom.</p>
<p>Aqui ainda este pedacinho de chocolate nos dentes; esse cabelo mexido de carinho, o cuidado de procurar sua mão antes da travessia de uma rua; a atenção com seu sono enquanto você dormia na melhor parte do filme e o abraço dos pés ao acordarmos. Ainda o eco de quando falávamos baixo na nuca um do outro, pedindo para que o despertador tivesse piedade, já que Deus nunca teve.</p>
<p>Vai ficar por muito tempo essa borra de você em mim. Vai ficar até o dia em que nem eu mais estiver ou se lembrar de quem fui. Porque de tudo, sempre resta tanto. Sobra essas coisas pequenas, mas muito maiores que nossos dias por aqui: esta mancha, metade minha fortuna, metade minha sorte; metade o que consegui; metade o que destruí. Sobra meu despertar ao seu lado. E isso não sobra, transborda. E também a consciência de minhas últimas imperfeições e faltas; das minhas últimas covardias travestidas de mentiras.</p>
<p>Faço questão de levar comigo este saco de recados e lembranças, de promessas e surpresas, de presentes ainda cobertos de fitas. Porque as coisas que também nunca foram feitas ou entregues também somos nós. E o que fomos juntos sempre me interessou mais do que tudo. Só assim fui feliz. E mais do que isso: tive paz.</p>
<p>Você vai fazer falta. Estou menos eu agora. Rir como chorar; um vem e o outro começa. Lembra? Era verdade? A mentira destruiu até isso? Ah, esta mancha, como pinta que cresce a cada soluço, como um pedaço de mim que vira câncer a cada gole.</p>
<p>E você, como tudo o que perdi, está aí, nesta mancha que é meu sumo, meu rastro, única coisa que conta de mim, que me abre para a vida, mas me fecha a porta para você. Pupila arrebentada feito lata de extrato. Meu sangue que derrama, um visgo que servirá o tempo para o jantar. É minha cicatriz por dentro, que só eu vejo e não dá para costurar.</p>
<p>Sei que ainda posso te fazer fechar os olhos e ir longe, sonhar. Mas não posso fazer você abri-los e voltar a andar. Porque para toda travessia é preciso ter esperanças. E perdemos as nossas. Acho que o mundo venceu mais uma vez.</p>
<p>A paixão, tão rápida e em excesso, corroeu nossa ingenuidade. Terá que ir sozinha agora; de novo. Não tenho nada para dizer. Porque tenho a certeza mais calma do mundo que fiz mais do que falei. Que amei e cumpri mais do que menti. Isso é meu consolo para os dias tristes que virão.</p>
<p>Não posso mais pedir para você vir e atravessar a rua, religar as luzes do parque de diversão. Porque fazer você vir é ver você morrer no meio da rua. E tentar te salvar é matar nós dois. Fique do seu lado. Se pelo menos fosse possível dar a volta no quarteirão para me despedir. Mas não posso. Como se despedir daquilo que me fechará os olhos na morte? Sua presença fica. Porque a memória de você agora já sou eu também.</p>
<p>Você sabe. Porque minha vida é esta miséria eu a quero demais. Tome conta dos seus sorrisos porque são únicos; eu ainda guardo todos os que ganhei como meu melhor combustível; meu maior motivo. E desta vez, não mais para partir ou fugir. Mas para ficar e lutar.</p>
<p>O que deve desaparecer em você vai ficar em mim. Por isso partir só é triste para aqueles que nunca estiveram de verdade. De vez em quando, então, se permita esse pôr-do-sol e esse cálice de vinho. Que nunca foram meus, mas que aprendi a olhar e a saborear ao seu lado. Como é possível passar por tudo isso num só peito de homem sem que ele estale e se abra? Foi assim que começou, não foi? Com um estalo. Eu estive com você. Pela primeira vez numa vida toda, estive com alguém de verdade. Com tudo que sou. Até com a pior parte de mim. Inteiro. E agora não estarei mais. Por isso já é hora de aprender a estar comigo. É assim que termina também, não é? Como uma carta que volta ao remetente. Acho que você já não está mais aí. Mudou de endereço. Hora de rodar, então. Mas antes&#8230;</p>
<p>Dizem que só há duas perguntas que valem a pena ser feitas neste mundo. A primeira é se você alcançou alegria na sua vida. A segunda é se levou alegria para a vida de outra pessoa. Ao seu lado, encontrei um jeito de sorrir que sempre suspeitei ser uma miragem. Espero que o jeito com que você me olhava seja a resposta pra segunda.</p>
<p><strong>Renato Cabral</strong></p>
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		<title>Self Destruction &#8211; um filme feito pelo celular</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Feb 2012 06:48:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oruminante</dc:creator>
				<category><![CDATA[LADO A // Mexidão com Chantili]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>

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Música: DJ Raone Franco (Sugarhill). Direção e imagens: Renato Cabral. oruminante.com.br Edição e arte: Luis Felipe Pimenta. Shot by: Nokia 5230. Durante algum tempo, as idas e vindas ao trabalho eram acompanhadas de um celular, muitas ligações desnecessárias e do resto: &#8230; <a href="http://www.oruminante.com.br/2012/02/10/self-destruction-a-movie-registrated-by-celphone/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
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<p><iframe src="http://player.vimeo.com/video/36528408" frameborder="0" width="500" height="281"></iframe><br />
Música: DJ Raone Franco (Sugarhill).<br />
Direção e imagens: Renato Cabral. <a href="http://www.oruminante.com.br/" rel="nofollow" target="_blank">oruminante.com.br</a><br />
Edição e arte: Luis Felipe Pimenta.<br />
Shot by: Nokia 5230.</p>
<p>Durante algum tempo, as idas e vindas ao trabalho eram acompanhadas de um celular, muitas ligações desnecessárias e do resto: o mundo. E porque minhas órbitas oculares parecem estar sempre ofuscadas, talvez pela falta dos óculos, elas enxergam só o mundo que saltava aos olhos: o volume de uma bunda, um acidente de trânsito, um cachorro morrendo, o lixo na rua atrapalhando os ratos, os cadeirantes que tomam sol na porta da suas casas, os mendigos preparando o almoço com nossos restos. Era só isso, passava, via, registrava. Daí veio meu amigo DJ Raone Franco (Sugarhill) com uma música genial e um tema. Por coincidência, todas as imagens já estavam na câmera. Era editar e tentar um filme, um videoclipe, um documentário, foda-se o gênero, as imagens se importam menos ainda pra isso tudo. Foi feito. Um filme que é um registro de fragmentos isolados, sem nenhuma pretensão ou preocupação de sentido com o todo. Até porque cada pedacinho de imagem traz sozinho sua história e seus desdobramentos dentro do que são e do que foram. Hemingway nos alertava para não confundirmos movimento com ação. Então, que a falta de ação e o excesso de movimento não sejam uma desculpa para pouca arte.</p>
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		<title>Quando o amor acaba. Quando a volta começa.</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Jan 2012 04:29:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oruminante</dc:creator>
				<category><![CDATA[LADO B // Pra que eu não morra invisível]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>

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Em noites assim, quando fico sozinho a olhar pra este céu também tão sozinho, sem a presença de homens ou gatos, é que me ocorrem essas ideias de criança. Quando as estrelas parecem próximas na sua peregrinação tão distante, tão &#8230; <a href="http://www.oruminante.com.br/2012/01/31/quando-o-amor-acaba-quando-a-volta-comeca/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
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<p><span style="color: #000000;"><strong><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/01/h2.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-394" title="h2" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/01/h2.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a></strong></span></p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/xuUE_BWwxjA" frameborder="0" width="640" height="35"></iframe></p>
<p>Em noites assim, quando fico sozinho a olhar pra este céu também tão sozinho, sem a presença de homens ou gatos, é que me ocorrem essas ideias de criança. Quando as estrelas parecem próximas na sua peregrinação tão distante, tão imóvel, é que chego a acreditar que eu poderia voltar pra começar tudo de novo.</p>
<p><span id="more-393"></span></p>
<p>Você acreditaria se eu começasse tudo de novo? Você sorriria daquele jeito se eu, como um super-homem caipira, girasse ao redor da Terra para fazer o tempo voltar? Tudo para poder entrar naquela fila e te conhecer de novo, te salvar daquele acidente, e te levar para o alto de uma montanha sagrada para te dar um anel que não promete nada para o futuro, mas conta tudo o que fomos juntos no passado.</p>
<p>E se um dia você descobrisse que te levei até o aeroporto em outro estado, de carro, na chuva, só pelo prazer de um beijo e de um obrigado, você ainda viajaria comigo por aí? Se você soubesse que aguentei os outros homens com que você se deitava só para que eu pudesse acreditar que o último gozo seria meu, você dormiria comigo mais uma noite? E acordaria sem saber se ainda sonha, ou se ainda voa?</p>
<p>Se numa tarde dessas, eu entrasse de novo no seu trabalho sem você saber, fingindo ser entregador de flores, só para ficar por perto, você me mostraria a bagunça da sua mesa, receberia meus cactos, que são sempre mais feios que os lírios, mas duram muito mais?</p>
<p>Se eu passasse a ser mais otimista só para que a nossa fé valesse por duas, você ainda me daria sua mão para atravessar a rua? Se eu te mandasse os beijos pelos pombos seu dia seria melhor? Se te convidasse para sair de novo, você me buscaria em casa como aquele dia? E ao pegar na sua cintura, você já teria a resposta pra nossa primeira vez? Almoçaríamos uma vez mais só para nos comermos com os olhos?</p>
<p>Você me deixaria parar seu carro no meio da rua para sentir o cheiro daquele pedaço de corpo que mora entre a fronte e a orelha? Se eu te convidasse de novo para ir até a pia, me daria sua nuca para uma mordida? Contaria seus segredos para mim no sofá?</p>
<p>Você teria coragem de bater seu carro de novo só pra que eu pudesse te salvar? Ficaria feliz de saber que lá no hospital segurando sua mão era o lugar mais agradável do mundo pra se estar porque você ainda sorria entre uma dor e outra? Se eu pudesse voltar o tempo, você faria da nossa vida de novo aquele parque de diversão que um dia ela foi, quando íamos nos encontrar um com o outro?</p>
<p>Você teria força para acreditar em mim de novo? Em nós? Teria coragem de me mostrar sua filha como se fosse minha? Se fosse possível, você faria de novo aquele jantar? Me serviria aquele vinho e sentaria no meu colo para eu chorar e rir ao mesmo tempo no seu peito?</p>
<p>Será que você aceitaria namorar de novo alguém como eu, uma bomba relógio, sempre com o medo de que nunca daria certo? Teria coragem de me levar ao cinema mesmo assim? Teria ainda a vontade de me fazer gozar de novo como todos os dias, sabendo do perigo de uma companhia como essa? Consegue ver? Consegue estar lá comigo? Consegue&#8230;</p>
<p>Não chore e não sofra, minha amiga, porque os motivos só acabam quando as promessas se cumprem ou se partem. E ainda falta algo, falta tanto. Porque só a morte encerra essa promessa que cada um é ao existir. Mas se tivermos que sofrer, é sempre bom saber que sofrer e chorar, ser triste e pingar são também um jeito bonito de estar por aqui. Era isso que faltava para que eu entendesse que ao seu lado vivi tudo, até a tristeza mais difícil de todas, aquela que vê o amor acabar e que não permite fazer o tempo voltar.</p>
<p>Mas eu te pergunto. Você acreditaria se eu disser que é possível voltar no tempo para te conhecer de novo? Porque amor acaba mesmo. Mas todo recomeço não tem fim. Você se surpreenderia se eu disser que é possível, mesmo que nossa esperança esteja rala e nosso frio na barriga tão grande. Toda noite, desde agora, isso é a única coisa que peço. Deve existir algo no universo que conceda desejos, como aqueles pedidos quando eu descobria um cílio caído do seu olho. Todas as vezes eu pedi pra que a gente desse certo. E, que bom, fui atendido em tudo. De qualquer forma, se eu morrer velhinho, já sem você há muito tempo, e o dia de recomeçar nunca chegar, saiba que valeram todas as lembranças, que não houve nada mais forte do que a paz e o encontro que tive ao seu lado, e que não houve liberdade maior do que dizer eu te amo. Eu ainda te amo, menina. E ainda é noite&#8230; hora de rezar.</p>
<p><strong>Renato Cabral</strong><br />
oruminante@gmail.com<br />
@CabralDiz</p>
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		<title>JAZZ by GIZ.</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Jan 2012 15:51:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oruminante</dc:creator>
				<category><![CDATA[LADO A // Mexidão com Chantili]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>

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A história desta vez é a seguinte. De um lado estava o Alonso Zagaia, tatuador reverenciado dessas bandas, e toda sua nova arte: a de transpor para o papel, usando giz, tudo aquilo que os olhos dele escutam de jazz &#8230; <a href="http://www.oruminante.com.br/2012/01/18/jazz-by-giz/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
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<p><iframe src="http://player.vimeo.com/video/35254318?title=0&amp;byline=0&amp;portrait=0&amp;color=969696" frameborder="0" width="580" height="326"></iframe></p>
<p>A história desta vez é a seguinte. De um lado estava o Alonso Zagaia, tatuador reverenciado dessas bandas, e toda sua nova arte: a de transpor para o papel, usando giz, tudo aquilo que os olhos dele escutam de jazz por aí. Do outro lado eu, com minha recém-chegada GoPro HD Hero2, meu tempo livre, e uma vontade de filmar. Nada melhor que um personagem e uma boa história. Fiz tudo com a câmera, o que deu uma linguagem única ao vídeo. Eu dei o filme. E ele vai me pagar com uma tatuagem de caveira na virilha. Um filme que é um exercício e uma brincadeira despretensiosa e muito aquém da arte que o cara passa pro papel. Uma espécie de making off/clip/documental do processo de elaboração de um quadro até a mostra que ele apresenta a partir de hoje, 20h, na Casa da Cultura de Uberlândia. Agora é com vocês.</p>
<p><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/01/jazz.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-392" title="jazz" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/01/jazz.jpg" alt="" width="640" height="390" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Minha mãe, eu e o fim do mundo.</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Dec 2011 04:26:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oruminante</dc:creator>
				<category><![CDATA[LADO B // Pra que eu não morra invisível]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>

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Eu no colo de minha mãe, mesmo que ela esteja no meu. Aproveito que é o fim do mundo, mãe, e te escrevo. Ao meu lado, um cigarro, uma lata de cerveja, que já é a quinta, e o desconcerto &#8230; <a href="http://www.oruminante.com.br/2011/12/28/minha-mae-eu-e-o-fim-do-mundo/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
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<p style="text-align: right;"><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/12/mae.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-384 alignright" title="mae" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/12/mae.jpg" alt="" width="640" height="828" /></a><strong><small>Eu no colo de minha mãe, mesmo que ela esteja no meu.</small></strong></p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/8zgAWHRJC1Y" frameborder="0" width="640" height="35"></iframe></p>
<p>Aproveito que é o fim do mundo, mãe, e te escrevo. Ao meu lado, um cigarro, uma lata de cerveja, que já é a quinta, e o desconcerto de não saber começar. Fumo por imitação. Bebo por declaração. E me envergonho porque mostrar o boletim para você sempre foi meu maior orgulho. E mais do que tudo porque adoro as desculpas, você sabe melhor que eu.</p>
<p><span id="more-383"></span>E já no segundo parágrafo choro. Porque foram precisos 32 anos para que este texto pudesse sair, impreciso e inconstante como eu. Um parto só acontece realmente quando o cordão umbilical se parte. E ainda estou preso a você. Deve ser por isso que até hoje seu choro é o meu; e meu sorriso, o seu. Por isso falo engasgado, enforcado de uma gratidão que ao invés de me fazer sorrir me soa como falta.</p>
<p>Poderia te contar como cheguei até aqui. Mas a verdade é que só você pode me contar como chegamos. Porque desta viagem não sou piloto. Desta nave espacial descontrolada, que viaja por acasos e lances de sorte, somos apenas testemunhas. Para não nos perdermos no espaço entre o nada que a vida insiste em dar, nos demos as mãos. Deve ser por isso que “mãe” se parece com “mão”.  Porque estar de mãos dadas é como estar no colo de uma mãe.</p>
<p>Ao final deste texto, estarei partido e você ainda não terá partido. Mas estaremos grudados por uma película tão fina, que nela não caberá a palavra amor nem saudade. Apenas aquele olhar simples que nos depositamos quando um acorda primeiro que o outro, e olha atento a cama alheia em busca de uma companhia adormecida, de um cuidado inédito. E esse olhar é sempre seu, mãe. Porque os anjos da guarda sempre amanhecem antes.</p>
<p>Então, só nos resta começar lá daquele momento em que não participei, mas que já fazia parte. Eu nasci num dia 27 de agosto. No meio de todas as desgraças que o ano traz. Seu primeiro presente pra mim veio do meu pai. Quando você não tinha o dinheiro para o parto, o colar de ouro que ele te deu de casamento serviu muito bem. Eu era só uma multiplicação descontrolada de células, mas ainda posso sentir você passando a mão na barriga e me dizendo que iríamos conseguir. E, que sorte, mãe. Nós conseguimos.</p>
<p>A primeira prova de que não vou morrer invisível é que nasci. Poderia não ter nascido. Porque sou o filho do meio e antes de mim morreram quatro de abortos espontâneos. Que sorte, de novo. Pode não ser um sinal. Pode não ser nada. Mas dessa sorte se fez esse elo que moldou nossa sensibilidade. E por sermos sensíveis demais, somos também fracos demais. Porque as dores do mundo se acumulam duas vezes em cada um. E estar no mundo e de olhos abertos dói muito.</p>
<p>Você, como poucos, sabe o valor que as letras têm para mim. Elas foram o único remédio para minha vida; foram meu jeito de exorcizar os demônios que me acompanham e de alguma forma me dão as muletas. Pode parecer pouco. E é. Mas que bom fazer muito dessa miséria. E é tudo que tenho para te dar. Só este texto, um embaralhado de sensações. Mas o que seria da vida sem essa possibilidade de sorriso quando conseguimos sair do labirinto e deciframos os enigmas?</p>
<p>Tem me faltado o abraço, a oportunidade e o jeito para uma conversa; a chance de um beijo mais demorado; aquele tempo na cozinha para ouvir suas dores e a sua solidão. Mas saiba, você não está sozinha. Eu te vejo, mãe, mesmo que não te alcance. Já não dá mais para ter culpa dos caminhos que minha vida tomou, nem das curvas que a minha cabeça tem, tudo isso que as vezes me deixa bobo, doente, mais infantil e pequeno que a idade permite ou que minha vontade dá conta. Mas estou com você.</p>
<p>Há muito tempo deixei de rezar. O mundo que está além deste agora, perverso e definitivo, se existir, não me interessa. Sempre amei meu pai, mas ele está morto. Resta os vivos. Resta nós. Não rezo para os que se foram, mas não há um momento que não deixo de pedir para continuar mais um pouco essa caminhada com os que ficam.</p>
<p>É uma pena que o mundo vai acabar e que você não vai ficar a velhinha delicada que sempre desconfiei. Seria tão bom poder ir te visitar e ter a saudade do abraço que te nego todos os dias, mesmo morrendo de vontade. Porque você sabe, a saudade não está na ausência. Saudade é quando a gente sente a presença do outro com tanta força que não quer que isso acabe.</p>
<p>Nunca acreditei em Deus, mãe. Porque sempre tive para mim que só há um deus para o qual se deva rezar: a Sorte. E hoje eu sei o nome dessa sorte. Ela se chama Ana Maria. Eu, ateu; você, crente por dois, tampando os buracos da minha descrença com um sorriso pro céu. Porque se você não sabe, mãe, para toda sorte há também uma ironia. E esta é a minha.</p>
<p>Que bom é poder te escrever nas vésperas do fim do mundo. Porque para toda vida há mesmo um fim. Mas para toda a sorte, só um milagre. E que milagre mais lindo nós aqui, juntos, a nos olhar no meio deste mistério, que é estar num planetinha, rodeando uma estrelinha, numa galáxia que é uma entre bilhões, de apenas um universo que pode ser um entre tantos… Isso é a sorte das sortes, mãe. Isso é o amor que um filho às vezes consegue retribuir a sua mãe.</p>
<p>E se dermos a sorte do mundo não acabar, minha velha, minha amiga, que você saiba, o amor já nos salvou muito antes da notícia de que isto tudo iria voltar a ser pó. Isso não muda nada, claro. Mas dá sentido a tudo. Assim, juntos, até o fim…</p>
<p><strong>Renato Cabral<br />
</strong><strong><a href="mailto:oruminante@gmail.com">oruminante@gmail.com<br />
</a></strong><strong>@CabralDiz</strong></p>
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		<title>O gosto pela solidão voluntária</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Dec 2011 17:25:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oruminante</dc:creator>
				<category><![CDATA[LADO B // Pra que eu não morra invisível]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>

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Daí eu tava aqui pensando (fumacinha de queimado)&#8230; Interessante como um dos nossos maiores medos com relação à web, aquele de que a internet iria nos afastar das pessoas, se tornou realidade. Parece um paradoxo já que vivemos o oposto &#8230; <a href="http://www.oruminante.com.br/2011/12/27/o-gosto-pela-solidao-voluntaria/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
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<p><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/12/c.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-381" title="c" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/12/c.jpg" alt="" width="640" height="492" /></a></p>
<p>Daí eu tava aqui pensando (fumacinha de queimado)&#8230; Interessante como um dos nossos maiores medos com relação à web, aquele de que a internet iria nos afastar das pessoas, se tornou realidade. Parece um paradoxo já que vivemos o oposto (as tantas direct messages, os infinitos posts e compartilhamentos, o curtir gratuito), mas a ilusão é só uma ilusão. Explico, ou tento. O efeito das mídias sociais é exatamente esse: afastamento e repulsa no fundo, ou na brutal superficialidade na qual ela esbarra e não consegue quebrar.</p>
<p><span id="more-380"></span>De certa forma, nos tornamos íntimos das pessoas, próximos demais até. Agora conhecemos suas cores, suas preferências, suas dores, seus humores, suas férias, suas feridas, seus amores e até suas mentiras contadas nos álbuns de fotos. E é esse o problema. Acabado o mistério, vem a rotina, o mais do mesmo. Uma rotina recriada a todo instante pela velocidade com que as páginas se atualizam; daí a loucura de tudo e a nossa, principalmente.</p>
<p>Porque nem sempre o que gera comunhão e compaixão é ser do mesmo grupo, é fazer parte. Às vezes trancados entre as mesmas paredes, nos resta ver os outros como o inferno. Estamos todos num relacionamento matrimonial de massa. Não suportamos mais a mesma cama. Fingimos o sorriso quando na mesma mesa. Que curioso. E que terrível, porque qualquer tentativa de uma amante é só arrumar uma nova esposa. Não há escapatória. Passado o tempo da paixão, inevitavelmente vem o tédio e a falta. E, claro, a culpa. A culpa no outro pelo que eu não sou. Nem nossa inveja é forte e autêntica o bastante. Ela dura só o tempo de um F5 na página.</p>
<p>Por isso toda segunda-feira é a mesma ladainha dos reclamões e pseudo-desperdiçados gritando porque acham que merecem algo do mundo. É por isso que anda tão difícil olhar para os outros na página ao lado&#8230; pras suas fotos, pras suas fofocas, pras coisinhas que dizem&#8230; E aí o desprezo, o desgosto&#8230; igual àquilo que com o tempo nasce entre um casal e faz dos dois familiares desconhecidos.</p>
<p>Só que a coisa é ainda pior. Porque com os outros você pode se desligar, dar tchau, fugir, deletar. Mas com a gente mesmo não é possível. Que grande terapeuta, que grande espelho se tornou o Facebook, o Twiiter. Agora nos vemos todos os dias e quando olhamos pro nosso histórico vemos quão rasteiro é o rastro que deixamos. E se há um erro é insistir para ir fundo nesse meio, esquecendo que por definição ele é só um infinito que não cobre nossa canela.</p>
<p>Nossa presença virtual virou preguiça vital. Está próxima de doentia. Dá a impressão de ser tanto, mas é realmente nada ou muito pouco. Fala mais do nosso desespero, da nossa inconstância, carência e vaidade do que de qualquer plano de salvação ou fuga. Pra cada momento de mobilização e ajuda comunitária, um milhão de fotos sobre o nosso vazio será postada. E ficaremos soterrados como sempre de nada, sobre um nada. E aí sozinhos entre essas paredes, o inferno passa a ser nós mesmos.</p>
<p>Mas isso não é uma tese, por favor&#8230; é só um desocupado, desempregado, ruminando antes do fim do mundo, numa terça à tarde, pensando alto na imensidão da rede. E mesmo que isso tenha um eco, não importa. Não faz a menor diferença. É por isso também que às vezes é tão interessante sair à rua e vê-la vazia. Tomara que retomemos o gosto pela solidão autêntica e voluntária.</p>
<p><strong>Renato Cabral</strong><br />
oruminante@gmail.com<br />
@CabralDiz</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Feliz Natal, meu amor. Feliz Ano Novo.</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Dec 2011 00:31:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oruminante</dc:creator>
				<category><![CDATA[LADO A // Mexidão com Chantili]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>

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É mais interessante ler ouvindo isso. É quase noite, minha querida. Mas você já sabe, eu vou desfazer nosso trato. Não conte comigo para a ceia. Não me peça pra buscar as bebidas. Hoje não haverá conta a ser paga, &#8230; <a href="http://www.oruminante.com.br/2011/12/25/feliz-natal-meu-amor-feliz-ano-novo/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
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<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/12/natal.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-378" title="natal" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/12/natal.jpg" alt="" width="640" height="745" /></a><br />
</strong></span><br />
<small> É mais interessante ler ouvindo isso. </small><br />
<iframe src="http://www.youtube.com/embed/HfSIQAOtc-4" frameborder="0" width="640" height="35"></iframe></p>
<p>É quase noite, minha querida. Mas você já sabe, eu vou desfazer nosso trato. Não conte comigo para a ceia. Não me peça pra buscar as bebidas. Hoje não haverá conta a ser paga, nem prece a ser feita. A noite será como esta farofa. E brindaremos com sangue.</p>
<p><span id="more-377"></span>Você ainda quer seu presente? Esqueça. Irei sozinho quando o ano novo chegar. O sol não te faria bem. E você não ficaria à vontade em dormir nas zonas da beira da estrada. As mulheres por lá não se depilam e eu beberei até tarde. Mas lhe trago a poeira das vielas, a gordura das vitelas e os lodos e lobos dos sorrisos para sua garrafa mágica.</p>
<p>Você me detesta, eu sei. É assim com todas. Não me olhe desse jeito. Não era mal-estar. Era preguiça de conversar com você. Na verdade, com todo mundo. Preguiça dos abraços, dos certificados de convivência deste mundo falso, dos fogos de artifícios anunciando o show das nossas misérias e a desgraça da nossa esperança no ar, prestes a se precipitar como uma bigorna sobre nossas cabeças. Lembre-se, após todo feriado vem a segunda-feira.</p>
<p>Mas é noite de Natal, querida. Sorria! Sinta o cheiro de bicho morto. Vamos chafurdar os pratos em busca de sossego pra esta fome. Não se sinta sozinha. Olhe pra trás. Veja como fica bonita a parede segurando este morto na cruz. Um morto de 2 mil anos que nunca apodrece. Ore por seus pecados e a barriga cheia de coisas a agradecer, enquanto eu olho as pernas da sua sobrinha recém-chegada à puberdade. O cheiro de virgindade enquanto recitamos a Ave Maria. E o pau nosso preso na calça enquanto o Pai Nosso se desentala da sua goela cheia de lentilha e romã, da sua superstição de gente a ser salva. É que as pessoas me dão sono, mais do que nojo.</p>
<p>Engraçado como alguns gostam de uva no prato. Eu gosto da cor do vinho e do jeito que ele anuncia a morte, enquanto escorre da boca dos glutões. Vinho que sempre foi sangue. Sangue que vai jorrar em nome da nossa falta. Sangue que vai nos matar por ter ficado retido tempo demais nas veias, que se coagulou pela falta de circulação da bunda pregada entre o sofá e o canal 9, entre o trabalho e a praia lotada mais próxima. Não há saída, não há como jogar o controle remoto ou a chave do carro fora, neném.</p>
<p>A chuva passou. Então, deixe a Lua trazer seu medo. Posso colocar o saco do Papai Noel na sua cabeça? Você vai ver como é perder o fôlego de verdade, gracinha. É o único jeito, porque eu não tenho mais fôlego pra te foder.  E quando você for comprar seu perfume, escove os dentes. Quando vier me xingar, não me beije depois. Não há paz nem conciliação possíveis neste mundo, você já deveria saber. E lembre-se, quando for pôr os cupons na urna, não se esqueça de que a Sorte é o único deus a quem se deve rezar.</p>
<p>Você já caiu com a cara no chão? Você já socou alguém com tanta força que seu pulso fez um barulho assim? Experimente um pouco de maldade. Experimente cuspir no outro quando você não tem mais coragem de se olhar no espelho. É a mesma coisa. Não ligo para você ser tão burra e gorda. Ligo porque tenho que ouvir sua respiração suína. Não chore. Não chore. Porque você fica ainda mais estranha quando soluça. E é melhor você se esconder rápido porque quando a noite chegar eu vou fazer coisas ruins com você. Quando a noite chegar, o forno será pequeno para uma porca do seu tamanho. Por isso terei que te partir em duas, querida. Feliz Natal, meu amor.</p>
<p><strong>Renato Cabral</strong><br />
oruminante@gmail.com<br />
@CabralDiz</p>
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		<title>Antiácido</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Dec 2011 02:40:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oruminante</dc:creator>
				<category><![CDATA[LADO B // Pra que eu não morra invisível]]></category>

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Mestre Bukowski. Peça bença.  Faço o tipo hipocondríaco. Mas não flerto com doenças. Meu interesse é pelas bulas, mais que pelas pílulas. É que a gramática sempre me trouxe mais resultado que as alopatias. Ao invés de aspirina, um parágrafo &#8230; <a href="http://www.oruminante.com.br/2011/12/13/374/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
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<p style="text-align: right;"><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/12/bukoviski.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-375" title="bukoviski" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/12/bukoviski.jpg" alt="" width="640" height="869" /></a><em style="text-align: right;"><small>Mestre Bukowski. Peça bença.</small> </em></p>
<p>Faço o tipo hipocondríaco. Mas não flerto com doenças. Meu interesse é pelas bulas, mais que pelas pílulas. É que a gramática sempre me trouxe mais resultado que as alopatias. Ao invés de aspirina, um parágrafo de livro.</p>
<p><span id="more-374"></span>É mais ou menos assim: acordo, amarelo e descrente, elefantes sobre as pálpebras, e vou tropeçando até os armários, onde as palavras estão por toda parte, como rebites a segurar a casca do mundo no lugar. Daí abro qualquer coisa antes que a zonzeira me derrube e eu volte para a companhia das minhocas. Pode ser uma frase pinçada, uma passagem, uma orelha que seja; quantas vezes um bom título já me devolveu o tônus às pernas. Pronto. Já tenho meu barbitúrico anticonvulsivo. Assim me aprumo, pego o resto de mim e jogo nas costas pra ir pro dia. E começa a peleja.</p>
<p>Sigo cada prescrição como um fanático. Mas meu fanatismo só dura até a próxima frase, que me dá outro rumo, inicia nova procissão. Cada adversativa de um “mas” me salva de pôr a bomba no corpo ou ir para as praças pregar. Infiel a qualquer tema e a qualquer um, meu pecado é mesmo só essa promiscuidade com os autores. Carrego doenças venéreas dos clássicos. Sou um contaminado com pedigree. Vou pelejando como dá.</p>
<p>Debruço meu destino sobre essas linhas achadas por acaso. Foi assim, aliás, que encontrei minha vida e hei de esbarrar com a morte a qualquer hora. Mas que isso fique pra outro dia. Hoje tenho tosse. Talvez um Sponville me caia bem. Quem sabe um Schopenhauer mais no fim da tarde se a coisa piorar. Rousseau serviria, mas não para um dia tão claro assim.</p>
<p>Como uma pipa, ou um macaco, vou de acordo com a ventania ou a resistência dos galhos. Se não há vento, vasculho o chão: Bukowski, Sade, Sartre, Camus, Dostoiévski, Kafka. Às vezes, feito coelho, vou abaixo: Dante, Lewis Carroll. Mas se venta muito, dou corda ao balão: Borges, Hemingway, Rubem Alves, Will Durant, Machado. Teve até um dia que os espirros estavam tantos que cheguei a vagar pelo cosmos: Einstein, Osho, Nietzsche, Sagan. Ainda espero o dia de ficar muito doente para começar Proust ou poder reler todo Fernando Pessoa.</p>
<p>Mas quando tudo é só essa brisa raquítica e sem graça, e a maior parte do tempo é assim, leio Veríssimo ou Marcelo Mirisola, pela sensação de que devemos resistir à mornidão com um sorriso, que seja de ironia. Assim, percebi que nunca penso por mim. Minha vida é um caderninho de citações. Minhas frases e todo o meu discurso, a herança do repertório alheio. Minhas melhores tiradas devo ao espírito virtuoso de gente melhor que eu. Meu refluxo é uma indigestão de outros ruminantes. Enfim, eu que sempre falei demais, nunca falei por mim. E vou pelejando nessa espécie de transe lúcido, nesse meu jeito de médium de olhos abertos, ouvindo as vozes dos mestres que parecem mais vivos que eu.</p>
<p>E agora preciso mais do que nunca ouvir dessas bocas (senão para sair do labirinto, pelo menos para não bater com o Minotauro) a minha salvação. Porque fiquei velho e duro. E, sem elas, me esvazio e seco. Fico oco; coco de praia. Só existo pelo valor que o náufrago me dá. E os náufragos são cada uma dessas letras perdidas no mundo. Eu sou a ilha em que elas vêm se deitar a espera de um barco no horizonte. Delas sou mãe adotiva, já que não pude ser parteira, infelizmente.</p>
<p>Desse jeito, fazemo-nos um favor duplo. Enquanto elas me dão a chance de memória e identidade, eu lhes dou uma oportunidade de existência despregada de seu tempo, essa continuidade que seus genitores talvez não previssem. A verdade é que, apesar das compensações existências mútuas, não posso ficar mais sem esses emplastos, porque desaprendi como enxergar sem o calço das sílabas alheias. Por isso vou pelejando no corrimão semântico desta vida. Porque pelejar é a arte de tornar possível. E tenho dito, ou repetido.</p>
<p><strong>Renato Cabral</strong><br />
oruminante@gmail.com<br />
@CabralDiz</p>
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		<title>Preciso comer Fernanda Young</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Dec 2011 00:39:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oruminante</dc:creator>
				<category><![CDATA[LADO A // Mexidão com Chantili]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>

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*Só um texto antigo&#8230; mas quem disse que punheta envelhece? Aperte a minha mão e nada de lágrimas, querida. Essa água é pra você. Sem sal. Sem doce. Vai descer amarga com o que vou te dizer. Não vou mais &#8230; <a href="http://www.oruminante.com.br/2011/12/12/preciso-comer-fernanda-young/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
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<p style="text-align: right;"><strong><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/12/fyoung.jpg"><img title="fyoung" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/12/fyoung.jpg" alt="" width="640" height="871" /></a></strong><em><small>*Só um texto antigo&#8230; mas quem disse que punheta envelhece?</small></em></p>
<p>Aperte a minha mão e nada de lágrimas, querida. Essa água é pra você. Sem sal. Sem doce. Vai descer amarga com o que vou te dizer. Não vou mais me casar com você.</p>
<p><span id="more-371"></span><img title="Mais..." src="http://www.oruminante.com.br/wp-includes/js/tinymce/plugins/wordpress/img/trans.gif" alt="" />Entenda. Quartas são dias de mudanças, de chuvas e apagões, dia da Grande Família na Globo. Dias em que o destino passa na nossa frente e nos fecha sem seta nem bracinho pra fora. Batida de cruzamento. Passei na banca e estava lá pendurado o meu sinal, era um pare pra mim. Se fosse cristão diria que foi anúncio do céu. Como não sou, paguei onze reais pela minha entrada no paraíso.</p>
<p>E aí, já em casa, lá no banheiro, calça arreada igual aos 13, eu ia pulando as propagandas de perfumes e carros até achar o começo da perdição. Quem disse que é fácil se perder pra poder se encontrar? Diante de tanta internet, de tantas BBBs, do pânico de bundas perfeitas, a gente se acostuma a gostar de mentiras e de Photoshop. Nem o título da entrevista franca da vez eu li.</p>
<p>Com ele nas mãos e ela na cabeça, tive o orgasmo que você nunca me deu. Fernanda Young e eu num só palco, num só amaço barato, dentro de um roteiro dela, dentro do meu banheiro, que você sabe que fede porque me nego a mijar sentado. Porque para todo romance, o que importa mesmo é a parte em que os personagens se comem. E eu a fodia com tanto gosto que não posso dar a revista aos meus sobrinhos. Ela já não serve pra nada, cuspida de mim. Deixei você lá também, escorrendo com seu choro que sempre me incomodou.</p>
<p><strong><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/12/fa.jpg"><img title="fa" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/12/fa.jpg" alt="" width="640" height="799" /></a></strong></p>
<p>Não quero ser seu amigo, mas quero um favor. Preciso encontrar Fernanda Young. Me ajude. Preciso que ela saiba que tivemos uma ligação orgasmico-mental-trans-pós. Não era isso que ela queria? Salvar a bronha da vergonha, salvar a nudez da breguice? Ela não queria a punheta arte de volta? Apenas os folhetos de roupas íntimas da Marisa já me causaram algo parecido. Mas nada perto das axilas dela.  Preciso encontrar Fernanda Young, cheirar aquela vulva negra e peluda.</p>
<p>A agora sei a causa do meu desconforto ao te ver pelada. É que você é brega. Sua depilação é certinha demais, mulher. Seu peito é certinho demais com esse silicone. O dela tem alfinetes nos bicos, são singelos e sinceros, caídos, são peitos que contam histórias e jogam na nossa cara a vergonha que aprendemos a aceitar pra aprender a viver. Ela tem tatuagem e já escreveu livros. Você só copia receitas dos potes pra fazer bolo de cenoura. E seu brigadeiro é péssimo. Vocês duas são brancas, sim, mas gosto de mulher com bunda de mulher, nem lá nem cá, uma bunda que já sentou pra escrever e ler, uma bunda que não sabe a idade que tem, mas sabe onde foi chutada.</p>
<p>Vamos fazer um trato. Me ajude a encontrar Fernanda Young e eu me caso com você. Mas prometa que se casa de preto e cinta liga. E em nossa lua de mel me deixe comer seu rabo pelo amor de Deus, porque tenho certeza que a Fernanda Young adora dar o dela.</p>
<p><strong>Renato Cabral</strong><br />
www.oruminante.com.br<br />
oruminante@gmail.com<br />
@CabralDiz</p>
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		<title>Canela na quina</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Dec 2011 01:23:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oruminante</dc:creator>
				<category><![CDATA[LADO B // Pra que eu não morra invisível]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>

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Daí vinha o almoço, o crachá e a fome, que já tinha seu horário e seu jeito de avisar. Eu descia a rua distraído pra tudo, menos praquela esquina. Lá embaixo, na porta de uma fábrica qualquer, à esquerda, aquele qualquer sentado: &#8230; <a href="http://www.oruminante.com.br/2011/12/08/canela-na-quina/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
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<p><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/12/1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-366" title="1" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/12/1.jpg" alt="" width="640" height="723" /></a></p>
<p>Daí vinha o almoço, o crachá e a fome, que já tinha seu horário e seu jeito de avisar. Eu descia a rua distraído pra tudo, menos praquela esquina. Lá embaixo, na porta de uma fábrica qualquer, à esquerda, aquele qualquer sentado: marmita no colo, depois no passeio; uma perna perto do peito e a outra reta no chão. Ele com o olhar pesado de sono, mas sem perder o passar dos carros. Passava o meu.</p>
<p><span id="more-365"></span>Todos os dias a mesma coisa. Durava quatro segundos. Talvez sete, se eu ainda o buscasse pelo retrovisor. Um dia, nesses súbitos, que é quando as coisas nos aparecem como fantasmas, passei e pela primeira vez ele olhou pra mim de verdade. Sorriu. Os dentes podres. A cara rabiscada de trincas e lavada de sol. Mas já não tinha o ar da apatia nem da resignação. Só pude pensar nessas coisas que alguém que está num carro pensa de quem está jogado no passeio: como ele aguenta ficar por ali, à deriva, todos os dias, fazendo a mesma coisa, ou melhor, não fazendo nada? O que ele espera? Aliás, tem esperanças um homem assim?</p>
<p>E foi quando entendi seu sorriso. Ele não sorria pra mim. Ria de mim. Porque, como se pudesse antecipar o que eu ia pensar, suas gengivas escuras me diziam: “pobre homem, somos dois ferrados a fazer a mesma coisa todos os dias. Dois Prometeus a rolar a pedra sem descanso até o alto da montanha pra depois ir buscá-la de novo no chão. E você só sabe que estou aqui e assim porque precisa também passar aqui todos os dias pra cumprir sua procissão do desespero e enganar sua fome com mais vontade de comer. Por isso, esse encontro na quina do quarteirão e esse riso amarelo e torto que é meu, mas é seu também. Passar bem&#8230; se for possível”.</p>
<p>A partir dali, toda esquina era a peste da condição humana. Cruzamentos que trazem trombadas e encontros possíveis, às vezes esclarecedores, a maioria do tempo perturbadores pra quem ainda não ficou cego de vez. Sempre que me acho mais interessante do que qualquer um, me lembro daquele sorriso interessado de um qualquer que me trouxe pra isso que a gente chama de luz, mas que na verdade é escuro e fede como ferida aberta; que é febre e é mais doído que alucinação de gente doida: a possibilidade pra uma nova verdade. E você sabe, tanto quanto eu, que ninguém quer saber da verdade. Por isso, mudei de caminho e nunca mais passei naquela esquina. As vezes o melhor remédio contra a desgraça é simplesmente fazer força pra não acreditar nela. Mas você tem que saber mentir.</p>
<p><strong>Renato Cabral</strong><br />
www.oruminante.com.br<br />
oruminante@gmail.com<br />
@CabralDiz</p>
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		<title>Para depois que eu já não estiver</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Dec 2011 13:24:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oruminante</dc:creator>
				<category><![CDATA[LADO B // Pra que eu não morra invisível]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>

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<p><strong><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/06/tim.jpg"><img title="tim" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/06/tim.jpg" alt="" width="640" height="482" /></a></strong><strong><small>Eu, onde o céu termina e toda saudade começa.</small></strong></p>
<p>Seja forte quando eu partir. Quando eu morrer, não diga nada a eles. Não insista com o tempo para que algo de mim resista. Que esqueçam logo meu nome e que a brisa mais boba tampe qualquer rastro de meus passos, de meu hálito. Quando eu me for, não tente me seguir. Às vezes comprar cigarros não tem mesmo volta. Tantas vezes ir não é uma escolha.</p>
<p><span id="more-363"></span></p>
<p><img title="Mais..." src="http://www.oruminante.com.br/wp-includes/js/tinymce/plugins/wordpress/img/trans.gif" alt="" />Quando você se sentir sozinha, não vá às cartas, não procure nas fotos a minha lembrança. Já não estou nessas pistas, nesse resíduo de história. E até nos cheiros que te deixei já faltarei. Nem busque na memória ou na batida tropeçada do coração que se arrasta isso que aprendemos a chamar de saudade. Essa saudade não sou eu, mesmo que ela seja a companhia que resta e que fica.</p>
<p>Guarde sua fé para coisas mais importantes do que achar que estou bem em outro lugar. Nosso time preferido, que ainda joga e sempre perde, precisa da sua torcida mais que eu. Não sinta falta do aperto na cintura, do mergulho na represa, do meu olhar que te procura na multidão nem daquele ingresso entregue na fila e que fez tudo isso começar. Não sinta pena de nada.</p>
<p>Não faça da culpa uma companhia quando eu faltar para o café. E quando andar pelos muitos sóis que se porão, não busque minha mão no vão da caminhada. Vá sozinha. Ande longe. E não pense que no horizonte você verá meu vulto.</p>
<p>Quando eu partir, não tenha vergonha de despejar seu olhar em outros homens, em outros corpos. Ele nunca foi meu. Mas como era bom ser o alvo da sua direção. Como eram boas as miudezas de tudo ao seu lado.</p>
<p>Quando todos aqueles risos que criamos juntos como plateia e palco forem apenas um ruído de incômodo – ou até seu melhor jeito de se sentar para ver a novela e sentir o tempo costurar seus sentidos – eu já terei desaparecido na esquina.</p>
<p>Não busque informações com o barqueiro das almas. Não jogue sua moeda na fonte para que meu espírito tenha um lugar no barco. Pegue-a e compre uma nova maçã do amor. E não chore por eu não poder beijar o caldo doce que escorre por sua boca até o queixo.</p>
<p>Quando você passar perto dos terrenos baldios onde moram os parques de diversão que vêm no verão, não amaldiçoe a alegria dos outros com sua tristeza. Ela vai passar, assim como os parques irão embora um dia.</p>
<p>Quando eu me for, que seu luto seja como tentar encontrar as chaves do carro pela casa, para que você possa dar uma volta na cidade e ver a continuidade de tudo, a efêmera transitoriedade das coisas que ainda sim permanecem.</p>
<p>Não será preciso gritar ao mundo que eu vali a pena ou que fui o grande desperdiçado. Qualquer testemunho não fará mais sentido quando você já não tiver um colo para sentar ou dedos carinhosos para luxar seu sono.</p>
<p>Quando meu corpo for apenas aquela borra na mistura da terra, aí, talvez, quando você não puder mais me ver em nada, você poderá me reconhecer em tudo, até nas pequenas coisas que ninguém mais olha.</p>
<p>Porque quando eu partir, saiba que eu já terei a resposta à sua pergunta: “você conseguiu a vida que quis ter? Conseguiu viver como se fosse viver para sempre?”. Quando eu fechar os olhos pela última vez, será a última vez que pensarei em nós. E é isso a eternidade para mim: o máximo de tudo, no mínimo de um quase nada. Como um beijo nosso. E mesmo que haja dor, agonia e desespero, eu estarei sorrindo, estarei sorrindo, ainda estarei sorrindo com você, como na primeira vez&#8230; sempre para você.</p>
<p><strong>Renato Cabral</strong><br />
www.oruminante.com.br<br />
oruminante@gmail.com<br />
@CabralDiz</p>
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