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	<description>Da palavrinha ao palavrão</description>
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		<title>Entre nossas mentiras e nossas verdades, nosso fim.</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Feb 2012 22:08:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oruminante</dc:creator>
				<category><![CDATA[LADO A // Mexidão com Chantili]]></category>
		<category><![CDATA[LADO B // Pra que eu não morra invisível]]></category>

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&#8220;Você queria suas cinzas aí. Pois saiba que as minhas já ficaram pelo caminho&#8230;&#8221; 20 de fevereiro de 2012. Segunda de Carnaval. Ironicamente, a data talvez justifique a situação. A verdade é que nem de consolo serve. Hoje quando você &#8230; <a href="http://www.oruminante.com.br/2012/02/20/entre-nossas-mentiras-e-nossas-verdades-nosso-fim/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
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<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/02/q0.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-401 alignright" title="q0" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/02/q0.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a></strong></span><strong><span style="text-align: right;"><small>&#8220;Você queria suas cinzas aí. Pois saiba que as minhas já ficaram pelo caminho&#8230;&#8221;</small></span></strong></p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/FaIx2kBC8_A" frameborder="0" width="640" height="35"></iframe></p>
<p>20 de fevereiro de 2012. Segunda de Carnaval. Ironicamente, a data talvez justifique a situação. A verdade é que nem de consolo serve. Hoje quando você acordou eu sabia que o dia tinha chegado. Estava nos seus olhos quando eu abri os meus. Eu surpreendido em meu sono, por ficar tão à vontade ao seu lado. Outra ironia. Nossa ligação é tão forte que demorou duas, três piscadas para que eu soubesse de tudo. Para saber que você já sabia de tudo.</p>
<p><span id="more-400"></span>Não sei se você se sentia suja, contaminada, pelo que leu ou pelo que não conseguiu contar. Mas foi se banhar. E enquanto você se banhava eu fiz o mesmo que você havia feito pela manhã. Também escondido. Li. E também fiquei em silêncio. E nos tornamos iguais de novo. Cúmplices uma vez mais.</p>
<p>Arrumei uma desculpa qualquer e fui pagar uma conta. Você se livrou das desculpas e foi tomar um chope. Nos encontramos no meio da tarde, já como estranhos. E, entre nós, pela primeira vez, um misto de raiva e desconhecimento. Nos olhávamos como completos familiares que ganharam de uma só vez o maior dos ressentimentos.</p>
<p>O parque de diversões de outros tempos, enfim, virara sucata. A ferrugem que todos torciam para que chegasse e que nós nunca achávamos possível acontecer já corroía tudo o que um dia tentamos dar um nome e que “amor” nunca foi o suficiente. E nenhuma fala ou discurso valia mais ou dava conta da simplicidade óbvia que ocorria.</p>
<p>Nós juntos pregados à verdade que fomos e às mesmas mentiras que construímos e não conseguimos evitar. Nós lutando para sermos diferentes deles e acabamos do mesmo jeito. E é assim que termina, não é? Igual todo mundo termina. Mas pela primeira vez não há dor, nem culpa, nem remorso. Não há nada. Porque antes houve tudo. Porque pela primeira vez não me guardei, nem me dei tão pouco; não me poupei do abismo nem do céu. E sei que fui bom.</p>
<p>Aqui ainda este pedacinho de chocolate nos dentes; esse cabelo mexido de carinho, o cuidado de procurar sua mão antes da travessia de uma rua; a atenção com seu sono enquanto você dormia na melhor parte do filme e o abraço dos pés ao acordarmos. Ainda o eco de quando falávamos baixo na nuca um do outro, pedindo para que o despertador tivesse piedade, já que Deus nunca teve.</p>
<p>Vai ficar por muito tempo essa borra de você em mim. Vai ficar até o dia em que nem eu mais estiver ou se lembrar de quem fui. Porque de tudo, sempre resta tanto. Sobra essas coisas pequenas, mas muito maiores que nossos dias por aqui: esta mancha, metade minha fortuna, metade minha sorte; metade o que consegui; metade o que destruí. Sobra meu despertar ao seu lado. E isso não sobra, transborda. E também a consciência de minhas últimas imperfeições e faltas; das minhas últimas covardias travestidas de mentiras.</p>
<p>Faço questão de levar comigo este saco de recados e lembranças, de promessas e surpresas, de presentes ainda cobertos de fitas. Porque as coisas que também nunca foram feitas ou entregues também somos nós. E o que fomos juntos sempre me interessou mais do que tudo. Só assim fui feliz. E mais do que isso: tive paz.</p>
<p>Você vai fazer falta. Estou menos eu agora. Rir como chorar; um vem e o outro começa. Lembra? Era verdade? A mentira destruiu até isso? Ah, esta mancha, como pinta que cresce a cada soluço, como um pedaço de mim que vira câncer a cada gole.</p>
<p>E você, como tudo o que perdi, está aí, nesta mancha que é meu sumo, meu rastro, única coisa que conta de mim, que me abre para a vida, mas me fecha a porta para você. Pupila arrebentada feito lata de extrato. Meu sangue que derrama, um visgo que servirá o tempo para o jantar. É minha cicatriz por dentro, que só eu vejo e não dá para costurar.</p>
<p>Sei que ainda posso te fazer fechar os olhos e ir longe, sonhar. Mas não posso fazer você abri-los e voltar a andar. Porque para toda travessia é preciso ter esperanças. E perdemos as nossas. Acho que o mundo venceu mais uma vez.</p>
<p>A paixão, tão rápida e em excesso, corroeu nossa ingenuidade. Terá que ir sozinha agora; de novo. Não tenho nada para dizer. Porque tenho a certeza mais calma do mundo que fiz mais do que falei. Que amei e cumpri mais do que menti. Isso é meu consolo para os dias tristes que virão.</p>
<p>Não posso mais pedir para você vir e atravessar a rua, religar as luzes do parque de diversão. Porque fazer você vir é ver você morrer no meio da rua. E tentar te salvar é matar nós dois. Fique do seu lado. Se pelo menos fosse possível dar a volta no quarteirão para me despedir. Mas não posso. Como se despedir daquilo que me fechará os olhos na morte? Sua presença fica. Porque a memória de você agora já sou eu também.</p>
<p>Você sabe. Porque minha vida é esta miséria eu a quero demais. Tome conta dos seus sorrisos porque são únicos; eu ainda guardo todos os que ganhei como meu melhor combustível; meu maior motivo. E desta vez, não mais para partir ou fugir. Mas para ficar e lutar.</p>
<p>O que deve desaparecer em você vai ficar em mim. Por isso partir só é triste para aqueles que nunca estiveram de verdade. De vez em quando, então, se permita esse pôr-do-sol e esse cálice de vinho. Que nunca foram meus, mas que aprendi a olhar e a saborear ao seu lado. Como é possível passar por tudo isso num só peito de homem sem que ele estale e se abra? Foi assim que começou, não foi? Com um estalo. Eu estive com você. Pela primeira vez numa vida toda, estive com alguém de verdade. Com tudo que sou. Até com a pior parte de mim. Inteiro. E agora não estarei mais. Por isso já é hora de aprender a estar comigo. É assim que termina também, não é? Como uma carta que volta ao remetente. Acho que você já não está mais aí. Mudou de endereço. Hora de rodar, então. Mas antes&#8230;</p>
<p>Dizem que só há duas perguntas que valem a pena ser feitas neste mundo. A primeira é se você alcançou alegria na sua vida. A segunda é se levou alegria para a vida de outra pessoa. Ao seu lado, encontrei um jeito de sorrir que sempre suspeitei ser uma miragem. Espero que o jeito com que você me olhava seja a resposta pra segunda.</p>
<p><strong>Renato Cabral</strong></p>
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		<title>Self Destruction &#8211; um filme feito pelo celular</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Feb 2012 06:48:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oruminante</dc:creator>
				<category><![CDATA[LADO A // Mexidão com Chantili]]></category>

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Música: DJ Raone Franco (Sugarhill). Direção e imagens: Renato Cabral. oruminante.com.br Edição e arte: Luis Felipe Pimenta. Shot by: Nokia 5230. Durante algum tempo, as idas e vindas ao trabalho eram acompanhadas de um celular, muitas ligações desnecessárias e do resto: &#8230; <a href="http://www.oruminante.com.br/2012/02/10/self-destruction-a-movie-registrated-by-celphone/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
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<p><iframe src="http://player.vimeo.com/video/36528408" frameborder="0" width="500" height="281"></iframe><br />
Música: DJ Raone Franco (Sugarhill).<br />
Direção e imagens: Renato Cabral. <a href="http://www.oruminante.com.br/" rel="nofollow" target="_blank">oruminante.com.br</a><br />
Edição e arte: Luis Felipe Pimenta.<br />
Shot by: Nokia 5230.</p>
<p>Durante algum tempo, as idas e vindas ao trabalho eram acompanhadas de um celular, muitas ligações desnecessárias e do resto: o mundo. E porque minhas órbitas oculares parecem estar sempre ofuscadas, talvez pela falta dos óculos, elas enxergam só o mundo que saltava aos olhos: o volume de uma bunda, um acidente de trânsito, um cachorro morrendo, o lixo na rua atrapalhando os ratos, os cadeirantes que tomam sol na porta da suas casas, os mendigos preparando o almoço com nossos restos. Era só isso, passava, via, registrava. Daí veio meu amigo DJ Raone Franco (Sugarhill) com uma música genial e um tema. Por coincidência, todas as imagens já estavam na câmera. Era editar e tentar um filme, um videoclipe, um documentário, foda-se o gênero, as imagens se importam menos ainda pra isso tudo. Foi feito. Um filme que é um registro de fragmentos isolados, sem nenhuma pretensão ou preocupação de sentido com o todo. Até porque cada pedacinho de imagem traz sozinho sua história e seus desdobramentos dentro do que são e do que foram. Hemingway nos alertava para não confundirmos movimento com ação. Então, que a falta de ação e o excesso de movimento não sejam uma desculpa para pouca arte.</p>
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		<title>Quando o amor acaba. Quando a volta começa.</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Jan 2012 04:29:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oruminante</dc:creator>
				<category><![CDATA[LADO B // Pra que eu não morra invisível]]></category>

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Em noites assim, quando fico sozinho a olhar pra este céu também tão sozinho, sem a presença de homens ou gatos, é que me ocorrem essas ideias de criança. Quando as estrelas parecem próximas na sua peregrinação tão distante, tão &#8230; <a href="http://www.oruminante.com.br/2012/01/31/quando-o-amor-acaba-quando-a-volta-comeca/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
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<p><span style="color: #000000;"><strong><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/01/h2.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-394" title="h2" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/01/h2.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a></strong></span></p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/xuUE_BWwxjA" frameborder="0" width="640" height="35"></iframe></p>
<p>Em noites assim, quando fico sozinho a olhar pra este céu também tão sozinho, sem a presença de homens ou gatos, é que me ocorrem essas ideias de criança. Quando as estrelas parecem próximas na sua peregrinação tão distante, tão imóvel, é que chego a acreditar que eu poderia voltar pra começar tudo de novo.</p>
<p><span id="more-393"></span></p>
<p>Você acreditaria se eu começasse tudo de novo? Você sorriria daquele jeito se eu, como um super-homem caipira, girasse ao redor da Terra para fazer o tempo voltar? Tudo para poder entrar naquela fila e te conhecer de novo, te salvar daquele acidente, e te levar para o alto de uma montanha sagrada para te dar um anel que não promete nada para o futuro, mas conta tudo o que fomos juntos no passado.</p>
<p>E se um dia você descobrisse que te levei até o aeroporto em outro estado, de carro, na chuva, só pelo prazer de um beijo e de um obrigado, você ainda viajaria comigo por aí? Se você soubesse que aguentei os outros homens com que você se deitava só para que eu pudesse acreditar que o último gozo seria meu, você dormiria comigo mais uma noite? E acordaria sem saber se ainda sonha, ou se ainda voa?</p>
<p>Se numa tarde dessas, eu entrasse de novo no seu trabalho sem você saber, fingindo ser entregador de flores, só para ficar por perto, você me mostraria a bagunça da sua mesa, receberia meus cactos, que são sempre mais feios que os lírios, mas duram muito mais?</p>
<p>Se eu passasse a ser mais otimista só para que a nossa fé valesse por duas, você ainda me daria sua mão para atravessar a rua? Se eu te mandasse os beijos pelos pombos seu dia seria melhor? Se te convidasse para sair de novo, você me buscaria em casa como aquele dia? E ao pegar na sua cintura, você já teria a resposta pra nossa primeira vez? Almoçaríamos uma vez mais só para nos comermos com os olhos?</p>
<p>Você me deixaria parar seu carro no meio da rua para sentir o cheiro daquele pedaço de corpo que mora entre a fronte e a orelha? Se eu te convidasse de novo para ir até a pia, me daria sua nuca para uma mordida? Contaria seus segredos para mim no sofá?</p>
<p>Você teria coragem de bater seu carro de novo só pra que eu pudesse te salvar? Ficaria feliz de saber que lá no hospital segurando sua mão era o lugar mais agradável do mundo pra se estar porque você ainda sorria entre uma dor e outra? Se eu pudesse voltar o tempo, você faria da nossa vida de novo aquele parque de diversão que um dia ela foi, quando íamos nos encontrar um com o outro?</p>
<p>Você teria força para acreditar em mim de novo? Em nós? Teria coragem de me mostrar sua filha como se fosse minha? Se fosse possível, você faria de novo aquele jantar? Me serviria aquele vinho e sentaria no meu colo para eu chorar e rir ao mesmo tempo no seu peito?</p>
<p>Será que você aceitaria namorar de novo alguém como eu, uma bomba relógio, sempre com o medo de que nunca daria certo? Teria coragem de me levar ao cinema mesmo assim? Teria ainda a vontade de me fazer gozar de novo como todos os dias, sabendo do perigo de uma companhia como essa? Consegue ver? Consegue estar lá comigo? Consegue&#8230;</p>
<p>Não chore e não sofra, minha amiga, porque os motivos só acabam quando as promessas se cumprem ou se partem. E ainda falta algo, falta tanto. Porque só a morte encerra essa promessa que cada um é ao existir. Mas se tivermos que sofrer, é sempre bom saber que sofrer e chorar, ser triste e pingar são também um jeito bonito de estar por aqui. Era isso que faltava para que eu entendesse que ao seu lado vivi tudo, até a tristeza mais difícil de todas, aquela que vê o amor acabar e que não permite fazer o tempo voltar.</p>
<p>Mas eu te pergunto. Você acreditaria se eu disser que é possível voltar no tempo para te conhecer de novo? Porque amor acaba mesmo. Mas todo recomeço não tem fim. Você se surpreenderia se eu disser que é possível, mesmo que nossa esperança esteja rala e nosso frio na barriga tão grande. Toda noite, desde agora, isso é a única coisa que peço. Deve existir algo no universo que conceda desejos, como aqueles pedidos quando eu descobria um cílio caído do seu olho. Todas as vezes eu pedi pra que a gente desse certo. E, que bom, fui atendido em tudo. De qualquer forma, se eu morrer velhinho, já sem você há muito tempo, e o dia de recomeçar nunca chegar, saiba que valeram todas as lembranças, que não houve nada mais forte do que a paz e o encontro que tive ao seu lado, e que não houve liberdade maior do que dizer eu te amo. Eu ainda te amo, menina. E ainda é noite&#8230; hora de rezar.</p>
<p><strong>Renato Cabral</strong><br />
oruminante@gmail.com<br />
@CabralDiz</p>
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		<title>JAZZ by GIZ.</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Jan 2012 15:51:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oruminante</dc:creator>
				<category><![CDATA[LADO A // Mexidão com Chantili]]></category>

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A história desta vez é a seguinte. De um lado estava o Alonso Zagaia, tatuador reverenciado dessas bandas, e toda sua nova arte: a de transpor para o papel, usando giz, tudo aquilo que os olhos dele escutam de jazz &#8230; <a href="http://www.oruminante.com.br/2012/01/18/jazz-by-giz/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
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<p><iframe src="http://player.vimeo.com/video/35254318?title=0&amp;byline=0&amp;portrait=0&amp;color=969696" frameborder="0" width="580" height="326"></iframe></p>
<p>A história desta vez é a seguinte. De um lado estava o Alonso Zagaia, tatuador reverenciado dessas bandas, e toda sua nova arte: a de transpor para o papel, usando giz, tudo aquilo que os olhos dele escutam de jazz por aí. Do outro lado eu, com minha recém-chegada GoPro HD Hero2, meu tempo livre, e uma vontade de filmar. Nada melhor que um personagem e uma boa história. Fiz tudo com a câmera, o que deu uma linguagem única ao vídeo. Eu dei o filme. E ele vai me pagar com uma tatuagem de caveira na virilha. Um filme que é um exercício e uma brincadeira despretensiosa e muito aquém da arte que o cara passa pro papel. Uma espécie de making off/clip/documental do processo de elaboração de um quadro até a mostra que ele apresenta a partir de hoje, 20h, na Casa da Cultura de Uberlândia. Agora é com vocês.</p>
<p><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/01/jazz.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-392" title="jazz" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2012/01/jazz.jpg" alt="" width="640" height="390" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Minha mãe, eu e o fim do mundo.</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Dec 2011 04:26:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oruminante</dc:creator>
				<category><![CDATA[LADO B // Pra que eu não morra invisível]]></category>

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Eu no colo de minha mãe, mesmo que ela esteja no meu. Aproveito que é o fim do mundo, mãe, e te escrevo. Ao meu lado, um cigarro, uma lata de cerveja, que já é a quinta, e o desconcerto &#8230; <a href="http://www.oruminante.com.br/2011/12/28/minha-mae-eu-e-o-fim-do-mundo/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
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<p style="text-align: right;"><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/12/mae.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-384 alignright" title="mae" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/12/mae.jpg" alt="" width="640" height="828" /></a><strong><small>Eu no colo de minha mãe, mesmo que ela esteja no meu.</small></strong></p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/8zgAWHRJC1Y" frameborder="0" width="640" height="35"></iframe></p>
<p>Aproveito que é o fim do mundo, mãe, e te escrevo. Ao meu lado, um cigarro, uma lata de cerveja, que já é a quinta, e o desconcerto de não saber começar. Fumo por imitação. Bebo por declaração. E me envergonho porque mostrar o boletim para você sempre foi meu maior orgulho. E mais do que tudo porque adoro as desculpas, você sabe melhor que eu.</p>
<p><span id="more-383"></span>E já no segundo parágrafo choro. Porque foram precisos 32 anos para que este texto pudesse sair, impreciso e inconstante como eu. Um parto só acontece realmente quando o cordão umbilical se parte. E ainda estou preso a você. Deve ser por isso que até hoje seu choro é o meu; e meu sorriso, o seu. Por isso falo engasgado, enforcado de uma gratidão que ao invés de me fazer sorrir me soa como falta.</p>
<p>Poderia te contar como cheguei até aqui. Mas a verdade é que só você pode me contar como chegamos. Porque desta viagem não sou piloto. Desta nave espacial descontrolada, que viaja por acasos e lances de sorte, somos apenas testemunhas. Para não nos perdermos no espaço entre o nada que a vida insiste em dar, nos demos as mãos. Deve ser por isso que “mãe” se parece com “mão”.  Porque estar de mãos dadas é como estar no colo de uma mãe.</p>
<p>Ao final deste texto, estarei partido e você ainda não terá partido. Mas estaremos grudados por uma película tão fina, que nela não caberá a palavra amor nem saudade. Apenas aquele olhar simples que nos depositamos quando um acorda primeiro que o outro, e olha atento a cama alheia em busca de uma companhia adormecida, de um cuidado inédito. E esse olhar é sempre seu, mãe. Porque os anjos da guarda sempre amanhecem antes.</p>
<p>Então, só nos resta começar lá daquele momento em que não participei, mas que já fazia parte. Eu nasci num dia 27 de agosto. No meio de todas as desgraças que o ano trazem. Seu primeiro presente pra mim veio do meu pai. Quando você não tinha o dinheiro para o parto, o colar de ouro que ele te deu de casamento serviu muito bem. Eu era só uma multiplicação descontrolada de células, mas ainda posso sentir você passando a mão na barriga e me dizendo que iríamos conseguir. E, que sorte, mãe. Nós conseguimos.</p>
<p>A primeira prova de que não vou morrer invisível é que nasci. Poderia não ter nascido. Porque sou o filho do meio e antes de mim morreram quatro de abortos espontâneos. Que sorte, de novo. Pode não ser um sinal. Pode não ser nada. Mas dessa sorte se fez esse elo que moldou nossa sensibilidade. E por sermos sensíveis demais, somos também fracos demais. Porque as dores do mundo se acumulam duas vezes em cada um. E estar no mundo e de olhos abertos dói muito.</p>
<p>Você, como poucos, sabe o valor que as letras têm para mim. Elas foram o único remédio para minha vida; foram meu jeito de exorcizar os demônios que me acompanham e de alguma forma me dão as muletas. Pode parecer pouco. E é. Mas que bom fazer muito dessa miséria. E é tudo que tenho para te dar. Só este texto, um embaralhado de sensações. Mas o que seria da vida sem essa possibilidade de sorriso quando conseguimos sair do labirinto e deciframos os enigmas?</p>
<p>Tem me faltado o abraço, a oportunidade e o jeito para uma conversa; a chance de um beijo mais demorado; aquele tempo na cozinha para ouvir suas dores e a sua solidão. Mas saiba, você não está sozinha. Eu te vejo, mãe, mesmo que não te alcance. Já não dá mais para ter culpa dos caminhos que minha vida tomou, nem das curvas que a minha cabeça tem, tudo isso que as vezes me deixa bobo, doente, mais infantil e pequeno que a idade permite ou que minha vontade dá conta. Mas estou com você.</p>
<p>Há muito tempo deixei de rezar. O mundo que está além deste agora, perverso e definitivo, se existir, não me interessa. Sempre amei meu pai, mas ele está morto. Resta os vivos. Resta nós. Não rezo para os que se foram, mas não há um momento que não deixo de pedir para continuar mais um pouco essa caminhada com os que ficam.</p>
<p>É uma pena que o mundo vai acabar e que você não vai ficar a velhinha delicada que sempre desconfiei. Seria tão bom poder ir te visitar e ter a saudade do abraço que te nego todos os dias, mesmo morrendo de vontade. Porque você sabe, a saudade não está na ausência. Saudade é quando a gente sente a presença do outro com tanta força que não quer que isso acabe.</p>
<p>Nunca acreditei em Deus, mãe. Porque sempre tive para mim que só há um deus para o qual se deva rezar: a Sorte. E hoje eu sei o nome dessa sorte. Ela se chama Ana Maria. Eu, ateu; você, crente por dois, tampando os buracos da minha descrença com um sorriso pro céu. Porque se você não sabe, mãe, para toda sorte há também uma ironia. E esta é a minha.</p>
<p>Que bom é poder te escrever nas vésperas do fim do mundo. Porque para toda vida há mesmo um fim. Mas para toda a sorte, só um milagre. E que milagre mais lindo nós aqui, juntos, a nos olhar no meio deste mistério, que é estar num planetinha, rodeando uma estrelinha, numa galáxia que é uma entre bilhões, de apenas um universo que pode ser um entre tantos… Isso é a sorte das sortes, mãe. Isso é o amor que um filho às vezes consegue retribuir a sua mãe.</p>
<p>E se dermos a sorte do mundo não acabar, minha velha, minha amiga, que você saiba, o amor já nos salvou muito antes da notícia de que isto tudo iria voltar a ser pó. Isso não muda nada, claro. Mas dá sentido a tudo. Assim, juntos, até o fim…</p>
<p><strong>Renato Cabral<br />
</strong><strong><a href="mailto:oruminante@gmail.com">oruminante@gmail.com<br />
</a></strong><strong>@CabralDiz</strong></p>
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		<title>O gosto pela solidão voluntária</title>
		<link>http://www.oruminante.com.br/2011/12/27/o-gosto-pela-solidao-voluntaria/</link>
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		<pubDate>Tue, 27 Dec 2011 17:25:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oruminante</dc:creator>
				<category><![CDATA[LADO B // Pra que eu não morra invisível]]></category>

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Daí eu tava aqui pensando (fumacinha de queimado)&#8230; Interessante como um dos nossos maiores medos com relação à web, aquele de que a internet iria nos afastar das pessoas, se tornou realidade. Parece um paradoxo já que vivemos o oposto &#8230; <a href="http://www.oruminante.com.br/2011/12/27/o-gosto-pela-solidao-voluntaria/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
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<p><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/12/c.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-381" title="c" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/12/c.jpg" alt="" width="640" height="492" /></a></p>
<p>Daí eu tava aqui pensando (fumacinha de queimado)&#8230; Interessante como um dos nossos maiores medos com relação à web, aquele de que a internet iria nos afastar das pessoas, se tornou realidade. Parece um paradoxo já que vivemos o oposto (as tantas direct messages, os infinitos posts e compartilhamentos, o curtir gratuito), mas a ilusão é só uma ilusão. Explico, ou tento. O efeito das mídias sociais é exatamente esse: afastamento e repulsa no fundo, ou na brutal superficialidade na qual ela esbarra e não consegue quebrar.</p>
<p><span id="more-380"></span>De certa forma, nos tornamos íntimos das pessoas, próximos demais até. Agora conhecemos suas cores, suas preferências, suas dores, seus humores, suas férias, suas feridas, seus amores e até suas mentiras contadas nos álbuns de fotos. E é esse o problema. Acabado o mistério, vem a rotina, o mais do mesmo. Uma rotina recriada a todo instante pela velocidade com que as páginas se atualizam; daí a loucura de tudo e a nossa, principalmente.</p>
<p>Porque nem sempre o que gera comunhão e compaixão é ser do mesmo grupo, é fazer parte. Às vezes trancados entre as mesmas paredes, nos resta ver os outros como o inferno. Estamos todos num relacionamento matrimonial de massa. Não suportamos mais a mesma cama. Fingimos o sorriso quando na mesma mesa. Que curioso. E que terrível, porque qualquer tentativa de uma amante é só arrumar uma nova esposa. Não há escapatória. Passado o tempo da paixão, inevitavelmente vem o tédio e a falta. E, claro, a culpa. A culpa no outro pelo que eu não sou. Nem nossa inveja é forte e autêntica o bastante. Ela dura só o tempo de um F5 na página.</p>
<p>Por isso toda segunda-feira é a mesma ladainha dos reclamões e pseudo-desperdiçados gritando porque acham que merecem algo do mundo. É por isso que anda tão difícil olhar para os outros na página ao lado&#8230; pras suas fotos, pras suas fofocas, pras coisinhas que dizem&#8230; E aí o desprezo, o desgosto&#8230; igual àquilo que com o tempo nasce entre um casal e faz dos dois familiares desconhecidos.</p>
<p>Só que a coisa é ainda pior. Porque com os outros você pode se desligar, dar tchau, fugir, deletar. Mas com a gente mesmo não é possível. Que grande terapeuta, que grande espelho se tornou o Facebook, o Twiiter. Agora nos vemos todos os dias e quando olhamos pro nosso histórico vemos quão rasteiro é o rastro que deixamos. E se há um erro é insistir para ir fundo nesse meio, esquecendo que por definição ele é só um infinito que não cobre nossa canela.</p>
<p>Nossa presença virtual virou preguiça vital. Está próxima de doentia. Dá a impressão de ser tanto, mas é realmente nada ou muito pouco. Fala mais do nosso desespero, da nossa inconstância, carência e vaidade do que de qualquer plano de salvação ou fuga. Pra cada momento de mobilização e ajuda comunitária, um milhão de fotos sobre o nosso vazio será postada. E ficaremos soterrados como sempre de nada, sobre um nada. E aí sozinhos entre essas paredes, o inferno passa a ser nós mesmos.</p>
<p>Mas isso não é uma tese, por favor&#8230; é só um desocupado, desempregado, ruminando antes do fim do mundo, numa terça à tarde, pensando alto na imensidão da rede. E mesmo que isso tenha um eco, não importa. Não faz a menor diferença. É por isso também que às vezes é tão interessante sair à rua e vê-la vazia. Tomara que retomemos o gosto pela solidão autêntica e voluntária.</p>
<p><strong>Renato Cabral</strong><br />
oruminante@gmail.com<br />
@CabralDiz</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Feliz Natal, meu amor. Feliz Ano Novo.</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Dec 2011 00:31:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oruminante</dc:creator>
				<category><![CDATA[LADO A // Mexidão com Chantili]]></category>

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É mais interessante ler ouvindo isso. É quase noite, minha querida. Mas você já sabe, eu vou desfazer nosso trato. Não conte comigo para a ceia. Não me peça pra buscar as bebidas. Hoje não haverá conta a ser paga, &#8230; <a href="http://www.oruminante.com.br/2011/12/25/feliz-natal-meu-amor-feliz-ano-novo/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
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<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/12/natal.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-378" title="natal" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/12/natal.jpg" alt="" width="640" height="745" /></a><br />
</strong></span><br />
<small> É mais interessante ler ouvindo isso. </small><br />
<iframe src="http://www.youtube.com/embed/HfSIQAOtc-4" frameborder="0" width="640" height="35"></iframe></p>
<p>É quase noite, minha querida. Mas você já sabe, eu vou desfazer nosso trato. Não conte comigo para a ceia. Não me peça pra buscar as bebidas. Hoje não haverá conta a ser paga, nem prece a ser feita. A noite será como esta farofa. E brindaremos com sangue.</p>
<p><span id="more-377"></span>Você ainda quer seu presente? Esqueça. Irei sozinho quando o ano novo chegar. O sol não te faria bem. E você não ficaria à vontade em dormir nas zonas da beira da estrada. As mulheres por lá não se depilam e eu beberei até tarde. Mas lhe trago a poeira das vielas, a gordura das vitelas e os lodos e lobos dos sorrisos para sua garrafa mágica.</p>
<p>Você me detesta, eu sei. É assim com todas. Não me olhe desse jeito. Não era mal-estar. Era preguiça de conversar com você. Na verdade, com todo mundo. Preguiça dos abraços, dos certificados de convivência deste mundo falso, dos fogos de artifícios anunciando o show das nossas misérias e a desgraça da nossa esperança no ar, prestes a se precipitar como uma bigorna sobre nossas cabeças. Lembre-se, após todo feriado vem a segunda-feira.</p>
<p>Mas é noite de Natal, querida. Sorria! Sinta o cheiro de bicho morto. Vamos chafurdar os pratos em busca de sossego pra esta fome. Não se sinta sozinha. Olhe pra trás. Veja como fica bonita a parede segurando este morto na cruz. Um morto de 2 mil anos que nunca apodrece. Ore por seus pecados e a barriga cheia de coisas a agradecer, enquanto eu olho as pernas da sua sobrinha recém-chegada à puberdade. O cheiro de virgindade enquanto recitamos a Ave Maria. E o pau nosso preso na calça enquanto o Pai Nosso se desentala da sua goela cheia de lentilha e romã, da sua superstição de gente a ser salva. É que as pessoas me dão sono, mais do que nojo.</p>
<p>Engraçado como alguns gostam de uva no prato. Eu gosto da cor do vinho e do jeito que ele anuncia a morte, enquanto escorre da boca dos glutões. Vinho que sempre foi sangue. Sangue que vai jorrar em nome da nossa falta. Sangue que vai nos matar por ter ficado retido tempo demais nas veias, que se coagulou pela falta de circulação da bunda pregada entre o sofá e o canal 9, entre o trabalho e a praia lotada mais próxima. Não há saída, não há como jogar o controle remoto ou a chave do carro fora, neném.</p>
<p>A chuva passou. Então, deixe a Lua trazer seu medo. Posso colocar o saco do Papai Noel na sua cabeça? Você vai ver como é perder o fôlego de verdade, gracinha. É o único jeito, porque eu não tenho mais fôlego pra te foder.  E quando você for comprar seu perfume, escove os dentes. Quando vier me xingar, não me beije depois. Não há paz nem conciliação possíveis neste mundo, você já deveria saber. E lembre-se, quando for pôr os cupons na urna, não se esqueça de que a Sorte é o único deus a quem se deve rezar.</p>
<p>Você já caiu com a cara no chão? Você já socou alguém com tanta força que seu pulso fez um barulho assim? Experimente um pouco de maldade. Experimente cuspir no outro quando você não tem mais coragem de se olhar no espelho. É a mesma coisa. Não ligo para você ser tão burra e gorda. Ligo porque tenho que ouvir sua respiração suína. Não chore. Não chore. Porque você fica ainda mais estranha quando soluça. E é melhor você se esconder rápido porque quando a noite chegar eu vou fazer coisas ruins com você. Quando a noite chegar, o forno será pequeno para uma porca do seu tamanho. Por isso terei que te partir em duas, querida. Feliz Natal, meu amor.</p>
<p><strong>Renato Cabral</strong><br />
oruminante@gmail.com<br />
@CabralDiz</p>
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		<title>Antiácido</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Dec 2011 02:40:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oruminante</dc:creator>
				<category><![CDATA[LADO B // Pra que eu não morra invisível]]></category>

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Mestre Bukowski. Peça bença.  Faço o tipo hipocondríaco. Mas não flerto com doenças. Meu interesse é pelas bulas, mais que pelas pílulas. É que a gramática sempre me trouxe mais resultado que as alopatias. Ao invés de aspirina, um parágrafo &#8230; <a href="http://www.oruminante.com.br/2011/12/13/374/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
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<p style="text-align: right;"><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/12/bukoviski.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-375" title="bukoviski" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/12/bukoviski.jpg" alt="" width="640" height="869" /></a><em style="text-align: right;"><small>Mestre Bukowski. Peça bença.</small> </em></p>
<p>Faço o tipo hipocondríaco. Mas não flerto com doenças. Meu interesse é pelas bulas, mais que pelas pílulas. É que a gramática sempre me trouxe mais resultado que as alopatias. Ao invés de aspirina, um parágrafo de livro.</p>
<p><span id="more-374"></span>É mais ou menos assim: acordo, amarelo e descrente, elefantes sobre as pálpebras, e vou tropeçando até os armários, onde as palavras estão por toda parte, como rebites a segurar a casca do mundo no lugar. Daí abro qualquer coisa antes que a zonzeira me derrube e eu volte para a companhia das minhocas. Pode ser uma frase pinçada, uma passagem, uma orelha que seja; quantas vezes um bom título já me devolveu o tônus às pernas. Pronto. Já tenho meu barbitúrico anticonvulsivo. Assim me aprumo, pego o resto de mim e jogo nas costas pra ir pro dia. E começa a peleja.</p>
<p>Sigo cada prescrição como um fanático. Mas meu fanatismo só dura até a próxima frase, que me dá outro rumo, inicia nova procissão. Cada adversativa de um “mas” me salva de pôr a bomba no corpo ou ir para as praças pregar. Infiel a qualquer tema e a qualquer um, meu pecado é mesmo só essa promiscuidade com os autores. Carrego doenças venéreas dos clássicos. Sou um contaminado com pedigree. Vou pelejando como dá.</p>
<p>Debruço meu destino sobre essas linhas achadas por acaso. Foi assim, aliás, que encontrei minha vida e hei de esbarrar com a morte a qualquer hora. Mas que isso fique pra outro dia. Hoje tenho tosse. Talvez um Sponville me caia bem. Quem sabe um Schopenhauer mais no fim da tarde se a coisa piorar. Rousseau serviria, mas não para um dia tão claro assim.</p>
<p>Como uma pipa, ou um macaco, vou de acordo com a ventania ou a resistência dos galhos. Se não há vento, vasculho o chão: Bukowski, Sade, Sartre, Camus, Dostoiévski, Kafka. Às vezes, feito coelho, vou abaixo: Dante, Lewis Carroll. Mas se venta muito, dou corda ao balão: Borges, Hemingway, Rubem Alves, Will Durant, Machado. Teve até um dia que os espirros estavam tantos que cheguei a vagar pelo cosmos: Einstein, Osho, Nietzsche, Sagan. Ainda espero o dia de ficar muito doente para começar Proust ou poder reler todo Fernando Pessoa.</p>
<p>Mas quando tudo é só essa brisa raquítica e sem graça, e a maior parte do tempo é assim, leio Veríssimo ou Marcelo Mirisola, pela sensação de que devemos resistir à mornidão com um sorriso, que seja de ironia. Assim, percebi que nunca penso por mim. Minha vida é um caderninho de citações. Minhas frases e todo o meu discurso, a herança do repertório alheio. Minhas melhores tiradas devo ao espírito virtuoso de gente melhor que eu. Meu refluxo é uma indigestão de outros ruminantes. Enfim, eu que sempre falei demais, nunca falei por mim. E vou pelejando nessa espécie de transe lúcido, nesse meu jeito de médium de olhos abertos, ouvindo as vozes dos mestres que parecem mais vivos que eu.</p>
<p>E agora preciso mais do que nunca ouvir dessas bocas (senão para sair do labirinto, pelo menos para não bater com o Minotauro) a minha salvação. Porque fiquei velho e duro. E, sem elas, me esvazio e seco. Fico oco; coco de praia. Só existo pelo valor que o náufrago me dá. E os náufragos são cada uma dessas letras perdidas no mundo. Eu sou a ilha em que elas vêm se deitar a espera de um barco no horizonte. Delas sou mãe adotiva, já que não pude ser parteira, infelizmente.</p>
<p>Desse jeito, fazemo-nos um favor duplo. Enquanto elas me dão a chance de memória e identidade, eu lhes dou uma oportunidade de existência despregada de seu tempo, essa continuidade que seus genitores talvez não previssem. A verdade é que, apesar das compensações existências mútuas, não posso ficar mais sem esses emplastos, porque desaprendi como enxergar sem o calço das sílabas alheias. Por isso vou pelejando no corrimão semântico desta vida. Porque pelejar é a arte de tornar possível. E tenho dito, ou repetido.</p>
<p><strong>Renato Cabral</strong><br />
oruminante@gmail.com<br />
@CabralDiz</p>
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		<title>Preciso comer Fernanda Young</title>
		<link>http://www.oruminante.com.br/2011/12/12/preciso-comer-fernanda-young/</link>
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		<pubDate>Tue, 13 Dec 2011 00:39:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oruminante</dc:creator>
				<category><![CDATA[LADO A // Mexidão com Chantili]]></category>

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		<description><![CDATA[	

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*Só um texto antigo&#8230; mas quem disse que punheta envelhece? Aperte a minha mão e nada de lágrimas, querida. Essa água é pra você. Sem sal. Sem doce. Vai descer amarga com o que vou te dizer. Não vou mais &#8230; <a href="http://www.oruminante.com.br/2011/12/12/preciso-comer-fernanda-young/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
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<p style="text-align: right;"><strong><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/12/fyoung.jpg"><img title="fyoung" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/12/fyoung.jpg" alt="" width="640" height="871" /></a></strong><em><small>*Só um texto antigo&#8230; mas quem disse que punheta envelhece?</small></em></p>
<p>Aperte a minha mão e nada de lágrimas, querida. Essa água é pra você. Sem sal. Sem doce. Vai descer amarga com o que vou te dizer. Não vou mais me casar com você.</p>
<p><span id="more-371"></span><img title="Mais..." src="http://www.oruminante.com.br/wp-includes/js/tinymce/plugins/wordpress/img/trans.gif" alt="" />Entenda. Quartas são dias de mudanças, de chuvas e apagões, dia da Grande Família na Globo. Dias em que o destino passa na nossa frente e nos fecha sem seta nem bracinho pra fora. Batida de cruzamento. Passei na banca e estava lá pendurado o meu sinal, era um pare pra mim. Se fosse cristão diria que foi anúncio do céu. Como não sou, paguei onze reais pela minha entrada no paraíso.</p>
<p>E aí, já em casa, lá no banheiro, calça arreada igual aos 13, eu ia pulando as propagandas de perfumes e carros até achar o começo da perdição. Quem disse que é fácil se perder pra poder se encontrar? Diante de tanta internet, de tantas BBBs, do pânico de bundas perfeitas, a gente se acostuma a gostar de mentiras e de Photoshop. Nem o título da entrevista franca da vez eu li.</p>
<p>Com ele nas mãos e ela na cabeça, tive o orgasmo que você nunca me deu. Fernanda Young e eu num só palco, num só amaço barato, dentro de um roteiro dela, dentro do meu banheiro, que você sabe que fede porque me nego a mijar sentado. Porque para todo romance, o que importa mesmo é a parte em que os personagens se comem. E eu a fodia com tanto gosto que não posso dar a revista aos meus sobrinhos. Ela já não serve pra nada, cuspida de mim. Deixei você lá também, escorrendo com seu choro que sempre me incomodou.</p>
<p><strong><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/12/fa.jpg"><img title="fa" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/12/fa.jpg" alt="" width="640" height="799" /></a></strong></p>
<p>Não quero ser seu amigo, mas quero um favor. Preciso encontrar Fernanda Young. Me ajude. Preciso que ela saiba que tivemos uma ligação orgasmico-mental-trans-pós. Não era isso que ela queria? Salvar a bronha da vergonha, salvar a nudez da breguice? Ela não queria a punheta arte de volta? Apenas os folhetos de roupas íntimas da Marisa já me causaram algo parecido. Mas nada perto das axilas dela.  Preciso encontrar Fernanda Young, cheirar aquela vulva negra e peluda.</p>
<p>A agora sei a causa do meu desconforto ao te ver pelada. É que você é brega. Sua depilação é certinha demais, mulher. Seu peito é certinho demais com esse silicone. O dela tem alfinetes nos bicos, são singelos e sinceros, caídos, são peitos que contam histórias e jogam na nossa cara a vergonha que aprendemos a aceitar pra aprender a viver. Ela tem tatuagem e já escreveu livros. Você só copia receitas dos potes pra fazer bolo de cenoura. E seu brigadeiro é péssimo. Vocês duas são brancas, sim, mas gosto de mulher com bunda de mulher, nem lá nem cá, uma bunda que já sentou pra escrever e ler, uma bunda que não sabe a idade que tem, mas sabe onde foi chutada.</p>
<p>Vamos fazer um trato. Me ajude a encontrar Fernanda Young e eu me caso com você. Mas prometa que se casa de preto e cinta liga. E em nossa lua de mel me deixe comer seu rabo pelo amor de Deus, porque tenho certeza que a Fernanda Young adora dar o dela.</p>
<p><strong>Renato Cabral</strong><br />
www.oruminante.com.br<br />
oruminante@gmail.com<br />
@CabralDiz</p>
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		<title>Canela na quina</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Dec 2011 01:23:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oruminante</dc:creator>
				<category><![CDATA[LADO B // Pra que eu não morra invisível]]></category>

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Daí vinha o almoço, o crachá e a fome, que já tinha seu horário e seu jeito de avisar. Eu descia a rua distraído pra tudo, menos praquela esquina. Lá embaixo, na porta de uma fábrica qualquer, à esquerda, aquele qualquer sentado: &#8230; <a href="http://www.oruminante.com.br/2011/12/08/canela-na-quina/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
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<p><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/12/1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-366" title="1" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/12/1.jpg" alt="" width="640" height="723" /></a></p>
<p>Daí vinha o almoço, o crachá e a fome, que já tinha seu horário e seu jeito de avisar. Eu descia a rua distraído pra tudo, menos praquela esquina. Lá embaixo, na porta de uma fábrica qualquer, à esquerda, aquele qualquer sentado: marmita no colo, depois no passeio; uma perna perto do peito e a outra reta no chão. Ele com o olhar pesado de sono, mas sem perder o passar dos carros. Passava o meu.</p>
<p><span id="more-365"></span>Todos os dias a mesma coisa. Durava quatro segundos. Talvez sete, se eu ainda o buscasse pelo retrovisor. Um dia, nesses súbitos, que é quando as coisas nos aparecem como fantasmas, passei e pela primeira vez ele olhou pra mim de verdade. Sorriu. Os dentes podres. A cara rabiscada de trincas e lavada de sol. Mas já não tinha o ar da apatia nem da resignação. Só pude pensar nessas coisas que alguém que está num carro pensa de quem está jogado no passeio: como ele aguenta ficar por ali, à deriva, todos os dias, fazendo a mesma coisa, ou melhor, não fazendo nada? O que ele espera? Aliás, tem esperanças um homem assim?</p>
<p>E foi quando entendi seu sorriso. Ele não sorria pra mim. Ria de mim. Porque, como se pudesse antecipar o que eu ia pensar, suas gengivas escuras me diziam: “pobre homem, somos dois ferrados a fazer a mesma coisa todos os dias. Dois Prometeus a rolar a pedra sem descanso até o alto da montanha pra depois ir buscá-la de novo no chão. E você só sabe que estou aqui e assim porque precisa também passar aqui todos os dias pra cumprir sua procissão do desespero e enganar sua fome com mais vontade de comer. Por isso, esse encontro na quina do quarteirão e esse riso amarelo e torto que é meu, mas é seu também. Passar bem&#8230; se for possível”.</p>
<p>A partir dali, toda esquina era a peste da condição humana. Cruzamentos que trazem trombadas e encontros possíveis, às vezes esclarecedores, a maioria do tempo perturbadores pra quem ainda não ficou cego de vez. Sempre que me acho mais interessante do que qualquer um, me lembro daquele sorriso interessado de um qualquer que me trouxe pra isso que a gente chama de luz, mas que na verdade é escuro e fede como ferida aberta; que é febre e é mais doído que alucinação de gente doida: a possibilidade pra uma nova verdade. E você sabe, tanto quanto eu, que ninguém quer saber da verdade. Por isso, mudei de caminho e nunca mais passei naquela esquina. As vezes o melhor remédio contra a desgraça é simplesmente fazer força pra não acreditar nela. Mas você tem que saber mentir.</p>
<p><strong>Renato Cabral</strong><br />
www.oruminante.com.br<br />
oruminante@gmail.com<br />
@CabralDiz</p>
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		<title>Para depois que eu já não estiver</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Dec 2011 13:24:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oruminante</dc:creator>
				<category><![CDATA[LADO B // Pra que eu não morra invisível]]></category>

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Eu, onde o céu termina e toda saudade começa. Seja forte quando eu partir. Quando eu morrer, não diga nada a eles. Não insista com o tempo para que algo de mim resista. Que esqueçam logo meu nome e que &#8230; <a href="http://www.oruminante.com.br/2011/12/05/para-depois-que-eu-ja-nao-estiver-2/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
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<p><strong><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/06/tim.jpg"><img title="tim" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/06/tim.jpg" alt="" width="640" height="482" /></a></strong><strong><small>Eu, onde o céu termina e toda saudade começa.</small></strong></p>
<p>Seja forte quando eu partir. Quando eu morrer, não diga nada a eles. Não insista com o tempo para que algo de mim resista. Que esqueçam logo meu nome e que a brisa mais boba tampe qualquer rastro de meus passos, de meu hálito. Quando eu me for, não tente me seguir. Às vezes comprar cigarros não tem mesmo volta. Tantas vezes ir não é uma escolha.</p>
<p><span id="more-363"></span></p>
<p><img title="Mais..." src="http://www.oruminante.com.br/wp-includes/js/tinymce/plugins/wordpress/img/trans.gif" alt="" />Quando você se sentir sozinha, não vá às cartas, não procure nas fotos a minha lembrança. Já não estou nessas pistas, nesse resíduo de história. E até nos cheiros que te deixei já faltarei. Nem busque na memória ou na batida tropeçada do coração que se arrasta isso que aprendemos a chamar de saudade. Essa saudade não sou eu, mesmo que ela seja a companhia que resta e que fica.</p>
<p>Guarde sua fé para coisas mais importantes do que achar que estou bem em outro lugar. Nosso time preferido, que ainda joga e sempre perde, precisa da sua torcida mais que eu. Não sinta falta do aperto na cintura, do mergulho na represa, do meu olhar que te procura na multidão nem daquele ingresso entregue na fila e que fez tudo isso começar. Não sinta pena de nada.</p>
<p>Não faça da culpa uma companhia quando eu faltar para o café. E quando andar pelos muitos sóis que se porão, não busque minha mão no vão da caminhada. Vá sozinha. Ande longe. E não pense que no horizonte você verá meu vulto.</p>
<p>Quando eu partir, não tenha vergonha de despejar seu olhar em outros homens, em outros corpos. Ele nunca foi meu. Mas como era bom ser o alvo da sua direção. Como eram boas as miudezas de tudo ao seu lado.</p>
<p>Quando todos aqueles risos que criamos juntos como plateia e palco forem apenas um ruído de incômodo – ou até seu melhor jeito de se sentar para ver a novela e sentir o tempo costurar seus sentidos – eu já terei desaparecido na esquina.</p>
<p>Não busque informações com o barqueiro das almas. Não jogue sua moeda na fonte para que meu espírito tenha um lugar no barco. Pegue-a e compre uma nova maçã do amor. E não chore por eu não poder beijar o caldo doce que escorre por sua boca até o queixo.</p>
<p>Quando você passar perto dos terrenos baldios onde moram os parques de diversão que vêm no verão, não amaldiçoe a alegria dos outros com sua tristeza. Ela vai passar, assim como os parques irão embora um dia.</p>
<p>Quando eu me for, que seu luto seja como tentar encontrar as chaves do carro pela casa, para que você possa dar uma volta na cidade e ver a continuidade de tudo, a efêmera transitoriedade das coisas que ainda sim permanecem.</p>
<p>Não será preciso gritar ao mundo que eu vali a pena ou que fui o grande desperdiçado. Qualquer testemunho não fará mais sentido quando você já não tiver um colo para sentar ou dedos carinhosos para luxar seu sono.</p>
<p>Quando meu corpo for apenas aquela borra na mistura da terra, aí, talvez, quando você não puder mais me ver em nada, você poderá me reconhecer em tudo, até nas pequenas coisas que ninguém mais olha.</p>
<p>Porque quando eu partir, saiba que eu já terei a resposta à sua pergunta: “você conseguiu a vida que quis ter? Conseguiu viver como se fosse viver para sempre?”. Quando eu fechar os olhos pela última vez, será a última vez que pensarei em nós. E é isso a eternidade para mim: o máximo de tudo, no mínimo de um quase nada. Como um beijo nosso. E mesmo que haja dor, agonia e desespero, eu estarei sorrindo, estarei sorrindo, ainda estarei sorrindo com você, como na primeira vez&#8230; sempre para você.</p>
<p><strong>Renato Cabral</strong><br />
www.oruminante.com.br<br />
oruminante@gmail.com<br />
@CabralDiz</p>
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		<title>Cadela espacial. Auuuuuuuuuuuuuu!</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Nov 2011 02:29:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oruminante</dc:creator>
				<category><![CDATA[LADO B // Pra que eu não morra invisível]]></category>

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Na veia, essa vergonha que não é minha. É a praga da nossa decadência, encarregada de me ensinar esse engasgo quando quero berrar; a me delatar como um ordinário quando só o que quero é dançar pelado pelo quarto e &#8230; <a href="http://www.oruminante.com.br/2011/11/21/cadela-espacial-auuuuuuuuuuuuuu/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
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<p><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/11/laika.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-334" title="laika" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/11/laika.jpg" alt="" width="640" height="459" /></a></p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/EjB2hbMYIXo" frameborder="0" width="640" height="35"></iframe></p>
<p>Na veia, essa vergonha que não é minha. É a praga da nossa decadência, encarregada de me ensinar esse engasgo quando quero berrar; a me delatar como um ordinário quando só o que quero é dançar pelado pelo quarto e uivar meus pequenos prazeres. Falo dessa vergonha porque ela já não me é estranha. Já é minha entranha que digere toda tentativa de fuga e arroubo. Nem quando vomito me assusto, me assumo. Estou nela como numa sala cheia de portas que levam sempre ao mesmo lugar: ao lado de dentro; ao lado onde ela me espera com seu meio sorriso. E eu a dar bom dia também com metade da boca.</p>
<p><span id="more-331"></span></p>
<p>O calvário pregado às unhas; você corta e joga fora. E cresce de novo. A culpa de ter pecado de menos; você paga o que deve. E cresce de novo. Ao invés da perna quebrada, da parada brusca, esse flutuar entre bordas, esse perambular ausente de margem, sem saber se salta ou se cai, como um equilibrista sem corda e sem queda. Como uma Laika, a cadela astronauta, solitária na companhia do universo, no meio de tudo e sem nada, latindo desolada para o infinito sideral em sua cápsula espacial.</p>
<p>E como os mortos não se exprimem e nunca voltam para nos contar algo que preste, me adianto aqui para não ser mal compreendido. Para me livrar do céu sobre os ombros, aprendi a ser louco. Na marra. Mas não louco de pedras ou de babas, de vozes ou de dormir debaixo das camas, daqueles que cortam orelhas, as próprias. Sou o louco do meio dia, almoçado e limpo. O máximo da minha desordem é um AUUUUUUUU!!! quando chega as dezoito horas de sexta. Mas que mia quando vem a segunda. O louco que aprendeu a transitar entre a fantasia e a realidade e só atravessa ruas com sinaleiros fechados. O louco que paga o preço de não ser de verdade. O louco idiota e consciente, que sabe que está condenado a saber disso. O louco que nunca terá a sorte de trocar as pernas e os papeis para gritar com a Lua, como a cadela astronauta.</p>
<p>Então, da minha cadeira de piloto desgovernada, dos meus latidos sem som e sem cio, sem cópula, raso, abano meu rabo e crio estas linhas rasteiras e tardias. Faço frases não mais para me ter, mas exatamente para me ver longe de mim e daqui, como uma Voyager sem destino, para além de Saturno, como uma Laika perdida nos confins da Via Láctea. Esta é minha forma de pôr a cabeça dentro do saco e ver o ar escapar, de estar literalmente no espaço. É meu jeito de me ausentar, enfim. Hoje escrevo para não lembrar o que sou nem pra onde estou indo. “Se todos fossem como eu, não precisaria detestar os outros”. Mas sou como qualquer um, e por isso odeio todos vocês.</p>
<p><strong>Renato Cabral </strong>- roteirista e redator; ruminante e criador.<br />
Sujeito a pisar a linha do palavrão, mas sem ir além. Palavrinhas aqui não, caralho!<br />
oruminante@gmail.com<br />
@CabralDiz</p>
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		<title>“At Last”. E o meu jeito de dizer que te amo</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Nov 2011 11:21:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oruminante</dc:creator>
				<category><![CDATA[LADO B // Pra que eu não morra invisível]]></category>

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Leia ouvindo isso. Aperte o play e vá até o fim.  São quase 11 da noite, minha querida. O dia já vai acabar. Ao acaso, ponho Etta James. Não por acaso, escolho “At Last”. Fecho os olhos e largo os &#8230; <a href="http://www.oruminante.com.br/2011/11/07/%e2%80%9cat-last%e2%80%9d-e-o-meu-jeito-de-dizer-que-te-amo/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
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<p style="text-align: right;"><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/11/ar.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-328" title="ar" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/11/ar.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a><iframe src="http://www.youtube.com/embed/_1uunRdQ61M" frameborder="0" width="640" height="30"></iframe><strong><small>Leia ouvindo isso. Aperte o play e vá até o fim. </small></strong></p>
<p>São quase 11 da noite, minha querida. O dia já vai acabar. Ao acaso, ponho Etta James. Não por acaso, escolho “At Last”. Fecho os olhos e largo os dedos no ar, como notas, como vaga-lumes a pontilhar minha imaginação no escuro. Só ouço. Só toco. E te ouço. E te toco, como a música a mim&#8230;</p>
<p><span id="more-298"></span>Agora são 11e15. O tempo das linhas não é o tempo da vida. Escrevo devagar, mas corro apressado os olhos sobre o pano destas memórias. Não quero perder nada. Mas só é possível lembrar puxando o primeiro fio do novelo. E para voltar ao começo de tudo, desfio esse tecido que fiamos juntos até aqui. “At Last” continua em looping a me guiar. E parto. Enquanto o ponteiro do relógio avança, retrocedo para te buscar. Faço nossa costura da frente para trás, toco o disco ao avesso, para que eu possa chegar até aquele momento. Ao dia em que você me olhou pela primeira vez, sem saber o que era aquele olhar, nem para onde ele iria nos levar. E assim desafio as linhas de nossos destinos e as linhas da minha mão são também as suas, quando elas bailam juntas uma na outra, como um nó.</p>
<p>Já são 11e23. “Meu coração está coberto de tranquilidade da noite em que olhei pra você”. E agora meu riso traz junto um choro tão alegre, como no dia daquele jantar. Choro por todas as coisas que foram ditas e foram feitas. E sorrio porque todas se tornaram nossa história e não nossa mentira. A música começa de novo. E sinto como se a primeira frase de Etta James fora feita para que tivéssemos forças para esperar até a noite de hoje. Porque “até que enfim meu amor chegou”.</p>
<p>São 11e37. “Eu encontrei um sonho que posso conversar. Um sonho que posso chamar de meu”. Como na trilha, a fantasia se tornou nosso jeito de existir e já não sabemos quem sonha. Nem todos têm a chance, a sorte ou a coragem de ser o que são, minha amiga. Nem todos vão criar a narrativa de sua própria presença. Muito menos juntos. Que bom que contamos, que nos encontramos.</p>
<p>São 11e44. Dois pares de um número só, um de frente para o outro, perto de um espelho, como se fosse a gente a se preparar para a valsa. Mais uma vez penso naquele “para sempre” dito no alto da montanha e me vejo com você em nosso leito de morte. Você canta para mim. E ao te sentir, seu canto é também minha voz. Porque nada vencerá nossa música. Mas nada também pode vencer a morte. O que me faz pensar que nosso fim é como esta canção que vem dos nossos olhos dançando juntos. Como seria bom morrer desse jeito. Eu a pegar sua mão uma última vez para que você saiba que assim como atravessamos a vida juntos, atravessaríamos também a morte. Que a eternidade seja o consolo daqueles que não encontraram sua mão.</p>
<p>Já são 11e58. E esse prenúncio do fim me lembra do que a vida pode se tornar se não tomamos o cuidado de nos proteger com amor: nesse passeio de indigentes, num calabouço de esquecidos; num armário de amarguras e desperdícios. Porque se a vida pode ser essa parede a se fechar e sufocar, o amor é nossa resistência, é a música com que esperamos o tempo passar nesta prisão. É preciso cantar, minha querida, cantar esse amor todos os dias por entre as brechas e as correntes, por entre os dedos e os dentes, por entre as feridas e o desespero. Cantar para que a gente ganhe da vida, e morra como o fim das canções que nos arrebatam: com um sorriso de vitória. “Meus dias solitários acabaram. E a vida é como uma canção”.</p>
<p>É meia noite. Já não há mais plural para as horas. O dia novo tem início. E com ele uma nova translação ao redor desse marco, desse dia que chamamos de nosso, daquele dia na fila que te conheci, que nunca será esquecido. Porque lembrar dele é ter a chance de te entregar mais uma vez o convite para ser minha, de novo e de novo. Enfim, já é nosso aniversário juntos, um ano desde o primeiro sorriso. Nós conseguimos. “At Last” acaba esta noite pela última vez. E, não por acaso, o fim da letra é exatamente como o nosso começo: “Oh, sim, sim&#8230; Você sorriu, você sorriu. E assim o encanto foi lançado. E aqui estamos no céu.  Porque você é minha, enfim”. <em>And here we are in heaven. For you are mine at last. </em>Obrigado por me fazer cantar.</p>
<p><strong>Renato Cabral<br />
</strong>www.oruminante.com.br<br />
@CabralDiz<br />
<a href="mailto:oruminante@gmail.com">oruminante@gmail.com</a></p>
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		<title>A Xuxa, o churrasco e a odisséia humana.  Do mito da criação à asinha de frango.</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Oct 2011 10:52:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oruminante</dc:creator>
				<category><![CDATA[LADO A // Mexidão com Chantili]]></category>

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Há fenômenos no universo com os quais não deveríamos brincar, sob a pena de destruirmos o delicado equilíbrio entre o mistério do mundo e a ignorância humana. Falo, claro, do churrasco e dos programas infantis. Entender as forças que regem &#8230; <a href="http://www.oruminante.com.br/2011/10/19/a-xuxa-o-churrasco-e-a-odisseia-humana-do-mito-da-criacao-a-asinha-de-frango/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
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<p><strong><em><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/10/xuxa9.jpg"><img title="xuxa9" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/10/xuxa9.jpg" alt="" width="640" height="870" /></a><br />
</em></strong></p>
<p>Há fenômenos no universo com os quais não deveríamos brincar, sob a pena de destruirmos o delicado equilíbrio entre o mistério do mundo e a ignorância humana. Falo, claro, do churrasco e dos programas infantis. Entender as forças que regem esses eventos é conhecer a origem do milagre humano e de sua queda frente aos prazeres do estômago ou de uma gincana.</p>
<p><span id="more-295"></span>Porque o churrasco e a Xuxa falam menos sobre a fome e os cordeirinhos, e mais sobre a nossa irresistível mania para que tudo vire palco e musiquinha de auditório. O churrasco e a Xuxa, enfim, são a vitória da poesia e do tempero sobre a salsinha e o absurdo que a vida poderia ser. O churrasco é pop, é o Xou da Xuxa dos grandinhos.</p>
<p><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/10/xuxa8.jpg"><img title="xuxa8" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/10/xuxa8.jpg" alt="" width="640" height="845" /></a></p>
<p><strong>Playboy X LP</strong></p>
<p>Mas o que é o churrasco? É antes de tudo um ritual de passagem, que nos conta sobre como o homem nasce e a criança morre. É a perda da inocência, da mamadeira que dá lugar à caipirinha. É a nossa primeira Playboy, com a Xuxa na capa.</p>
<p>É o momento em que descobrimos, cheios de curiosidade e temor, que a loira (aquela que descia como uma santa do disco voador cor de rosa) tem também uma chuleta que nos faz salivar. E a gente ainda sem saber o que fazer com a linguiça na mão; quente, apimentada. E daí a crise, que é sempre o marco de qualquer passagem.</p>
<p><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/10/xuxa6.jpg"><img title="xuxa6" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/10/xuxa6.jpg" alt="" width="640" height="721" /></a></p>
<p><span class="Apple-style-span" style="color: #000000; font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif; font-size: 12px; line-height: 18px;"><img title="xuxa4" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/10/xuxa4.jpg" alt="" width="640" height="629" /><br />
</span><strong>Deus x Diabo</strong></p>
<p>O que é o homem? É essa ponte, atada entre dois extremos, esse dividir-se entre as capas dos LPs da Xuxa e as capas de suas revistas. É esse misto de se emocionar e melar as páginas uma nas outras. Porque a Xuxa é a nossa promessa de salvação e perdição. Não é à toa que o segundo LP mais vendido da história do Brasil seja o Xuxa 3, que só perde pro disco do Padre Marcelo. Bastante simbólico. Atrás de Deus, sempre o Diabo.</p>
<p>E  o que é a civilização? É a repressão e a catarse homeopática das três forças mais primitivas que nos governam: o sexo, a fome e os gases. Para os gases, inventamos o Luftal e a culpa nos outros; para a fome, o churrasco e a pipoca de micro-ondas; e para a repressão do sexo, os programas infantis e o movimento pop.</p>
<p><img title="xuxa3" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/10/xuxa3.jpg" alt="" width="640" height="383" /></p>
<p>Enfim, quem é o churrasqueiro?<strong> </strong>O churrasqueiro é o herói escolhido, aquele que fará sua jornada para restabelecer o equilíbrio entre o bem e o mal. Geralmente ele é uma pessoa obesa. Durante o evento, ele estará descalço, sem camisa, com um pano de prato sujo em cima do ombro esquerdo e com uma bermuda branca imunda de carvão. É possível ver o suor escorrendo pelas dobras de sua barriga.</p>
<p>Mas sua característica principal é a mão virada para trás, apoiada perto da bunda, porque elas estão engorduradas e ele está com medo de sujar a bermuda. E é por isso que de quando em vez ele precisa, com os dedos em pinça, sungar a calça para não deixar o rego à mostra. E é dele o poder absoluto de dizer como a carne será servida, independentemente do gosto da maioria. Se o mundo anda numa modinha vegetariana, isso é problema do mundo. As regras são claras quando o assunto é a picanha.</p>
<p><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/10/xuxa2.jpg"><img title="xuxa2" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/10/xuxa2.jpg" alt="" width="640" height="816" /></a></p>
<p><strong>Hebe x Belladona x Lady Gaga x Justin Bieber</strong></p>
<p>O churrasco é a tentativa de dar um mínimo de organização ao instinto e ao que poderia fazer de uma simples refeição uma orgia canibal, (mas também sem complicar demais nem deixar as coisas chatas como um coquetel de formatura). Por isso o churrasco é pop. Porque é esse meio do caminho entre a fome do animal e nossa ânsia pelo espetáculo circense.</p>
<p>Um pouco mais de sal grosso, e a coisa descamba pra putaria, vira aquela aberração ao estilo Lady Gaga, e seu topete da destruição. Um pouco menos de calor na brasa, e o churrasco se torna uma espécie de Justin Bieber, a asinha de frango, a franjinha do amor, em que a salada, o vinagrete e a mandioca passam a ser mais relevantes que a carne.</p>
<p>E assim como o churrasco representa a harmonia de nosso apetite, a Xuxa representa o momento da descoberta de nossa sexualidade. Um pouco menos e nosso primeiro contato com o sexo seria assistir aos especiais da Hebe; um pouco mais e estaríamos vendo uma cena da Belladona com Rocco aos 7 anos, tomando Toddynho.</p>
<p><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/10/xuxa71.jpg"><img title="xuxa7" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/10/xuxa71.jpg" alt="" width="631" height="357" /></a></p>
<p><strong>Adão x Eva. Pelé x Ayrton Sena.</strong></p>
<p>E é por isso que não acredito na Bíblia. Não é por um motivo de fé, mas pela falta de coerência da escritura. No mito da criação, tudo bem que Eva fosse uma espécie de Xuxa, mas resumir nosso pecado a uma maçã suculenta já é demais. Deus não seria tão ignorante assim. Deus não desconheceria o apelo que a picanha tem sobre a pupila e as papilas gustativas.</p>
<p>O churrasco, como a Xuxa, é a exteriorização de nossas pulsões de vida e morte. De vida quando as Paquitas entravam no palco; de morte quando a gente precisava ouvir Ilariê. O churrasco e a Xuxa são os que melhor falam da alquimia da vida, onde o malpassado dá lugar ao êxtase; onde um Pelé dá lugar a um Ayrton Sena; e onde a princesa dos adultos, se torna a rainha dos baixinhos. Assim como ir a um churrasco é um ritual de passagem pra vida adulta, ouvir um LP da Xuxa também. E se for tocado de trás pra frente, melhor, porque você ainda tem acesso ao inferno dizem os crentes. Xuxa e churrasco, o Yin e o Yang da existência.</p>
<p><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/10/xuxa5.jpg"><img title="xuxa5" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/10/xuxa5.jpg" alt="" width="640" height="534" /></a></p>
<p><strong>Cláudia x Marlene Mattos x Sasha.</strong></p>
<p>Mas tudo conspira para que o churrasco não dê certo. E tudo sempre começa quando a festança chega a seu auge e a cerveja acaba. No desespero e na iminência do possível desastre que a ausência de álcool causaria, nasce o caos. Pessoas gritando atrás de dinheiro para a “vaquinha”. O pânico se instala. E, então, o apocalipse. O instante limite em que um dos participantes se levanta de sua cadeira em que passou o tempo todo soluçando de tão bêbado e grita: &#8220;TRUCO!&#8221;. Gritos histéricos são ouvidos por toda parte. Algumas mulheres (geralmente recém-casadas) ainda fazem como a Xuxa tentando manter o controle da situação:</p>
<p>_ Senta lá, Cláudia!</p>
<p>Mas sem sucesso; o baralho já está sobre a mesa. O truco é a Marlene Mattos de qualquer churrasco. E se ainda assim você quer saber o que seria a Sasha nesta história toda, só posso lhe dizer o seguinte: como nem tudo é perfeito, mesmo para o melhor dos churrascos há sempre a pior das azias, meu amigo.</p>
<p>Por <strong>Renato Cabral</strong>, sujeito a pisar a linha do palavrão. Mas sem ir além. Palavrinhas aqui não, caralho!</p>
<p>www.oruminante.com.br<br />
@CabralDiz<br />
<a href="mailto:oruminante@gmail.com">oruminante@gmail.com</a></p>
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		<title>O redator que virou puta &#8211; parte 1</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Oct 2011 16:10:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oruminante</dc:creator>
				<category><![CDATA[LADO A // Mexidão com Chantili]]></category>

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Aderbal Flores, em seu 2º emprego. Ser redator sempre exigiu complemento de renda.  Olá, meu nome é Aderbal Flores (o nome é fictício porque trabalho numa grande empresa da grande Uberlândia). Deixo hoje meu emprego de redator para começar uma &#8230; <a href="http://www.oruminante.com.br/2011/10/18/o-redator-que-virou-puta-parte-1/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
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<p><strong><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/10/cabral_redator.jpg"><img title="cabral_redator" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/10/cabral_redator.jpg" alt="" width="640" height="493" /></a></strong><em><strong><small>Aderbal Flores, em seu 2º emprego. Ser redator sempre exigiu complemento de renda. </small></strong></em></p>
<p>Olá, meu nome é Aderbal Flores (o nome é fictício porque trabalho numa grande empresa da grande Uberlândia). Deixo hoje meu emprego de redator para começar uma nova carreira como puta. Após 2 anos, 3 meses, 17 dias e mais de 247 roteiros reprovados eu desisti. A gota d&#8217;água foram os últimos conceitos criados para um Prêmio de Publicidade. Após 5 tentativas frustradas, resolvi aceitar que não levo jeito pra coisa e que o cliente tem mesmo sempre razão. A maior humilhação para um redator não é ver seu material reprovado, mas ver seu material reprovado sem nem antes o cliente pedir as “alteraçõezinhas”, ou quando ele mesmo não altera com seus comuns erros de português, falta de estilo e compreensão sobre o assunto. Isso é o pior. Estou doando minhas ideias gratuitamente para qualquer agência que um dia precise fazer um roteiro de um Prêmio de Publicidade. Não precisa pagar. Se quiser é só pegar. Eis o primeiro roteiro:<strong> </strong></p>
<p><img title="Mais..." src="http://www.oruminante.com.br/wp-includes/js/tinymce/plugins/wordpress/img/trans.gif" alt="" /><span id="more-305"></span></p>
<p><strong>Título &#8211; Uma hora as ideias te acham.</strong></p>
<p>Campanhia toca. Homem com estereótipo de publicitário (óculos, all star, cara de imbecil) abre a porta. Do outro lado, um homem de terno e gravata está na porta com uma maleta, chapéu, óculos e um papel. Seu semblante é sério. Ele fala:</p>
<p>_ Seu Carlos?<br />
_ Pois não?<br />
_ Ah, sim, que bom&#8230; Bem, eu sou aquela sua ideia, aquele roteiro, lembra? Em que um cobrador vingativo volta pra acertar as contas com o cara que havia lhe traído. O senhor não lembra?</p>
<p>_ Eu, eu&#8230; (Carlos sem entender nada enquanto segura em uma das mãos um copo com suco de groselha).<br />
_ É, aquela ótima ideia que o senhor não quis desenvolver em 98 por preguiça, desleixo ou porque tinha medo de que não fosse aprovada. Porque achava que o cliente ia fazer muita mudança. Porque achava que não ia ter verba. Porque achava que o Marketing, aquela corja de (ele cospe), só aprovava coisas com atores da Globo e musiquinha. Finalmente encontrei o senhor&#8230; É&#8230; Não foi fácil, seu Carlos.</p>
<p>_ Mas, eu&#8230;</p>
<p>Carlos ainda olha pelos ombros do cobrador e vê uma série de pessoas numa fila na porta da sua casa. Há até um anão com barba e um machado. Há até um aparelho pra pegar senha. O dia está bonito lá fora e pássaros cantam. Nisso, o homem abre sua maleta e tira um revólver lá de dentro.</p>
<p>_ É, o senhor tem muita coisa pra resolver, seu Carlos. Ainda bem que eu cheguei cedo.</p>
<p>O publicitário com cara de assustado, enquanto o personagem aponta a arma para ele. E atira a queima roupa&#8230; o copo de groselha vai caindo no chão (em slow motion, clima dramático, trilha incidental valoriza o momento), metáfora do sangue de uma vida que se perde&#8230; Só que ele erra o tiro, e a bala acerta num jarro lá dentro. Carlos sai correndo da casa de pijama, óculos e All Star, no meio da rua, gritando. O cobrador ainda olha pra ele e para seu revólver e diz:</p>
<p>_ Bem que ele tinha escrito no roteiro que eu não sabia atirar.</p>
<p>Corta para assinatura:<strong></strong></p>
<p><strong>Assina: </strong><br />
<strong>Prêmio XXX  de Publicidade.</strong><br />
<strong><em>As boas ideias nunca morrem. Ponha a suas pra fora.</em></strong><br />
<em></em></p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<p>Não que seja um grande roteiro, mas pelo menos é honesto e limpinho. Enfim, a vida como redator só me trouxe arrependimento, desgraça e carnês atrasados na Ricardo Eletro. Escolher ser redator foi o maior erro da minha vida. Me deixou mais pobre, mais amargo e fez do meu estômago um playground de úlceras. E é por isso que resolvi virar puta. Convidei minha namorada que também não aguentava mais a vida como advogada do serviço público e resolvemos começar. Já temos até um anúncio.<em> </em></p>
<p><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/10/redator.jpg"><img title="redator" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/10/redator.jpg" alt="" width="640" height="490" /></a></p>
<p><em> “Olá, meninos, meninas, casais, vegetais, animais, minerais e seres gosmentos de outros planetas. Aqui quem fala é Aderbal Flores e Alice, minha namorada, que está ao meu lado segurando minha mão para me dar forças pra que eu escreva isso. O negócio é que a coisa tá preta e ainda tem um buraco no meio. Viver de amor é bom, mas não paga as contas. Somos dois bonitos, mas fudidos. E como já estamos fudidos, resolvemos ganhar dinheiro com isso; nos fudendo e fudendo também. Gostamos de sexo e estamos oferecendo nosso corpo para rituais de sacrifício, sadomasoquismo, papai e mamãe e qualquer coisa que sua imaginação e seu dinheiro possam pensar. Só atendemos juntos. Mesmo que só um seja convidado para fazer o serviço, o outro pode ser essencial para o serviço de quarto, fotos ou lavar a louça enquanto a turma se diverte. Também instalamos TV a Cabo com sinal pirata e podemos ficar de babá aos sábados a noite. A vida como ex-redator me ensinou a tomar muito na bunda. Então, se você procura o serviço pra fazer aquele anal moleque e gostosinho, se a Alice fizer cu doce, deixa que eu dou.  Entre em contato. 34 99076432. Preço a combinar. Trocamos  por iPhone 3G ou jogos de PS3 original. Grande abraço. Ah, nos damos o direito de não atender ninguém que trabalha com marketing porque aí já é muita sacanagem. E também não ajudamos a escrever textinhos para bilhetes de Natal, casamento nem aniversário de familiares”.</em></p>
<p>Por <strong>Aderbal Flores</strong>, sujeito a pisar a linha do palavrão. Mas sem ir além. Palavrinhas aqui não, caralho!<br />
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@CabralDiz<br />
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		</item>
		<item>
		<title>Stephen Hawking, a virilha da Gisele Bundchen e os buracos negros. Porque a gente quer é gozar.</title>
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		<comments>http://www.oruminante.com.br/2011/10/11/stephen-hawking-a-virilha-da-gisele-bundchen-e-os-buracos-negros-porque-a-gente-quer-e-gozar/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 11 Oct 2011 17:09:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oruminante</dc:creator>
				<category><![CDATA[LADO A // Mexidão com Chantili]]></category>

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Algo como uma introdução No fundo, toda verdade é só uma opinião. E você sabe, a verdade está em todo lugar, dos ônibus espaciais da Nasa aos pontos de ônibus de Coromandel. Vem daí a sensação de que não a &#8230; <a href="http://www.oruminante.com.br/2011/10/11/stephen-hawking-a-virilha-da-gisele-bundchen-e-os-buracos-negros-porque-a-gente-quer-e-gozar/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
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<p><strong><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/10/g.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-277" title="g" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/10/g.jpg" alt="" width="640" height="865" /></a></strong></p>
<p><strong>Algo como uma introdução</strong></p>
<p>No fundo, toda verdade é só uma opinião. E você sabe, a verdade está em todo lugar, dos ônibus espaciais da Nasa aos pontos de ônibus de Coromandel. Vem daí a sensação de que não a encontramos em lugar nenhum. Por isso é preciso estabelecer um critério para qualquer opinião. Não para acharmos a verdade, mas para nos afastarmos da canastrice, das ideologias furadas e das utopias fáceis. Ou seja, trabalhar com o mundo tal como é, ou está. Mas, Gisele de novo? Se da propaganda ao PT, se das passarelas ao Twitter ela é tema e tese, é porque Gisele funciona. A gente quer Gisele.</p>
<p><strong><span id="more-276"></span>Mc Donalds</strong></p>
<p><span class="Apple-style-span" style="color: #000000; font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif; font-size: 12px; line-height: 18px;"><img class="alignnone size-full wp-image-278" title="g4" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/10/g4.jpg" alt="" width="640" height="786" /></span></p>
<p>Você pode não acreditar na verdade, mas não duvide do que nos ensinou o tempo. O que sabemos sobre nossa civilização, das tribos aos impérios, é a narrativa dos vencedores. Porque a história que permanece e se reproduz é a do verbo que venceu.</p>
<p>Guardadas as proporções de forma e conteúdo, Gisele e Dilma são a mesma coisa: discursos vencedores. Porque Gisele é também a maioria (aqui nenhuma referência à democracia, faz favor), mesmo que ela faça parte da mínima parte de uma minoria, que não é a minoria que pinta a cara quando vai à rua. Gisele é uma vencedora porque é porta-voz do nosso desejo de vencer também. Porque seu sucesso é a materialização de um imperativo moderno e de uma ilusão compartilhada: a de que nós também podemos. We can.</p>
<p>Gisele foi descoberta enquanto comia um Big Mac com uma amiga. O que amplia ainda mais nosso misto de admiração e raiva. Não basta ser a modelo mais poderosa do mundo, ela ainda quer comer do nosso lixo. Goza-se também pelo desprezo e inveja que temos do outro.</p>
<p><strong>Hope</strong></p>
<p><strong></strong><span class="Apple-style-span" style="color: #000000; font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif; font-size: 12px; line-height: 18px;"><img class="alignnone size-full wp-image-279" title="g3" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/10/g3.jpg" alt="" width="640" height="852" /></span></p>
<p>Uma propaganda é antes de tudo um discurso de poder invertido usado para seduzir. Você precisa acreditar que escolhe. Um VT é um ato sexual com preliminar, penetração e orgasmo. Mesmo que muitos tenham ejaculação precoce e outros nos façam broxar.  Para te vender a propaganda precisa te comprar.  Igual a Gisele que tira a roupa e mendiga nossa desculpa pedindo pra gente não se zangar. Que inversão perversa. O símbolo máximo de independência, sucesso e beleza te pedindo desculpas com um beicinho. Eu como, eu compro!</p>
<p>O importante no comercial da Hope não é o machismo escancarado, ou a denúncia/combate a ele como se fosse a fonte do mal. A lógica da vitória desse discurso é que ele afirma, não o charme da mulher como quer o slogan, mas nossa incapacidade de nos defendermos (meninos e meninas) diante da possibilidade de gozo. O prazer sempre será a melhor forma para dominar os distraídos. O comercial da Hope é a punheta do sistema na nossa cara, na nossa casa. E quem é gozado no fim somos nós, pobres bobalhões de pupilas arreganhadas, molhadinhas. Se a educação do povo brasileiro não é garantida para que o povo brasileiro se defenda dos preconceitos ou perversidades que um comercial traz, o problema não é da publicidade.</p>
<p>Porque a publicidade não é causa, mas consequência. É o alto-falante usado para reproduzir e amplificar o verbo vencedor. E engana-se quem pensa que esse verbo se conjuga só no tempo capitalista. Todo esquema precisa se promover, dos nazistas aos comunistas, dos santos aos anarquistas.  A Hope e a Gisele venceram. Mesmo o comercial saindo do ar, a quantidade de mídia espontânea gerada foi ótimo negócio. É que a publicidade pode ser boba, mas não é burra. Ao contrário do jornalismo, que na maioria das vezes é as duas coisas.</p>
<p><strong>Stephen Hawking</strong></p>
<p><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/10/g5.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-280" title="g5" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/10/g5.jpg" alt="" width="640" height="715" /></a></p>
<p>E agora olhe para esse deficiente físico, o eficiente físico.  De um lado Stephen Hawking, o gênio cuja mente está acorrentada no corpo de um monstro. Do outro lado, a virilha milionária, a bela acorrentada ao esquema que a devora e paga muito bem por isso, que só tem seu corpo para oferecer como sacrifício. Quem vence, a mente ou o corpo?</p>
<p>No fim, todo mundo sabe a resposta. Um decote sempre baterá um raciocínio. No fim, como todos nós, Stephen Hawking também fica de pau duro quando vê Gisele de sutiã na TV, e deixa seus estudos sobre os buracos negros de lado para pensar em outros buracos. Seja lá onde esteja o pau duro dele. Alias, Stephen Hawking não acredita em Deus. Mas como explicar as curvas da Gisele Bundchen sem um Criador?</p>
<p>Por <strong>Renato Cabral</strong>, sujeito a pisar a linha do palavrão. Mas sem ir além. Palavrinhas aqui não, caralho!<br />
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</a>@CabralDiz<br />
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		<title>Entre os dedos e a caligrafia de Steve Jobs.</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Oct 2011 15:49:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oruminante</dc:creator>
				<category><![CDATA[LADO A // Mexidão com Chantili]]></category>

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Nasci no interior do Brasil. Uma terra em que o máximo que conquistamos em termos tecnológicos foram as rotatórias e o semáforo, que ninguém respeita. Não pela pressa, mas pela falta de educação. Minha terra se gaba de ser a &#8230; <a href="http://www.oruminante.com.br/2011/10/06/entre-dos-dedos-e-a-caligrafia-de-steve-jobs/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
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<p><span style="color: #000000;"><strong><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/10/jobs1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-273" title="jobs1" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/10/jobs1.jpg" alt="" width="640" height="428" /></a><br />
</strong></span></p>
<p>Nasci no interior do Brasil. Uma terra em que o máximo que conquistamos em termos tecnológicos foram as rotatórias e o semáforo, que ninguém respeita. Não pela pressa, mas pela falta de educação. Minha terra se gaba de ser a capital da logística. É porque temos ainda o histórico de burros de carga.</p>
<p><span id="more-272"></span>Tenho pouco a falar do gênio que morreu. Comumente me lembro deste tipo gente e das suas piruetas malucas quando vou à feira. Vivo no país dos laranjas, mas gosto muito quando encontro uma banca de maçãs.</p>
<p>O que sei de Steve Jobs é que ele é da dinastia da maçã, talvez seu último filho. Falo daquele movimento que se iniciou ali com Adão e Eva, criando o mundo, os castigos e o sexo (Deus salve os atrevidos e os curiosos), alcançou sua idade da razão com as novas leis da física, descobertas por Sr. Isac Newton e chegou ao seu ápice com a contribuição de um homem que gostava de ligar os pontos de seu destino, que incrivelmente construiu o futuro, mas gostava de lembrar do passado. Talvez por isso, tenha conseguido o feito de ligar a estética ao que a modernidade mais adora: a utilidade.</p>
<p>E dessa união sutil, pudemos nos orgulhar de dizer que somos o tal do macaco com o telencéfalo altamente desenvolvido e o polegar opositor. Enfim, o bom e o belo andavam juntos.</p>
<p>Mais do que o movimento de pinça, Steve Jobs nos ensinou a usar o indicador e a tocar o mundo com a ponta dos dedos. E assim mostrou que toda dominação da natureza pode se resumir à delicadeza de nossas impressões digitais. Dedos que viam, sentiam, ouviam música. Sem dúvida um pequeno encostão para o homem, mas um solavanco na humanidade.</p>
<p>Porque ele era mesmo um homem de apontar o dedo para tudo, como a criança curiosa que, sem saber que o mundo é ainda um absurdo, mira seu dedo para as coisas e demonstra seu encantamento pela existência. Ele fazia das unhas algo tão importante quanto os olhos.</p>
<p>Era um homem que punha o dedo na cara de seus subordinados para humilhá-los, mostrando que ser medíocre não é a melhor forma de viver e vencer. E direcionava o dedo para as nossas também, mostrando que não precisávamos ter o médio se podíamos ter o melhor. Nem todos terão o melhor, basta olhar para o mundo em que vivemos. Mas o problema é que nem todos serão os melhores ou apenas melhores.</p>
<p><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/10/jobs2.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-274" title="jobs2" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/10/jobs2.jpg" alt="" width="640" height="883" /></a></p>
<p>Um homem duro, mas que criou um estúdio para fazer desenhos animados. E assim fez até os mais duros de nós chorar. Foi assim com Toy Story, Procurando Nemo, Wall-E e Monstros SA. Quem sabe hoje suas criaturas não estão a chorar por seu criador.</p>
<p>Tinha paixão pelas letras, pela tipografia. Talvez isso explique o prazer que é ver as formas de sua caligrafia e como ele escreveu o próprio destino com uma fonte tão bem escolhida. E por esse gosto extremo, por essa habilidade apaixonada, acabou que escreveu o nosso também.</p>
<p>É que Steve Jobs não era um homem do Vale do Silício, o cara da tecnologia. Era um contador de histórias. Como só os grandes homens podem ser. E, você sabe, a história que fica é a história dos que vencem. Steve Jobs venceu, não por ter sido um vencedor o tempo todo, mas por não ter desistido quando perdeu. Porque apostou alto em ir aonde os outros não iam. Mais do que pensar diferente, ele mostrou que é possível fazer as coisas de outro jeito. E foi lá e fez.</p>
<p>Ele não tinha sequer o ensino superior. Melhor pra ele. Assim não precisou ficar preso aos dogmas e aos paradigmas que apenas nos atrasam e fazem nossas bundas doer na escola. Foi demitido do emprego. Melhor pra ele. Assim pôde começar de novo com o ar dos iniciantes que não têm nada a perder.</p>
<p>No dia anterior a sua morte, a empresa que criou, enfim, mostrou ao mundo que a tecnologia tem mais valor que o petróleo. Quem sabe isso não mude definitivamente o mundo um dia. A Apple batia a Exxon Mobil e se tornava a empresa mais valiosa do planeta. Mas ele não queria o dinheiro, não queria ser o mais rico do cemitério. Ele queria era deixar uma marca no universo.</p>
<p>Pra quem começou como todas as pessoas interessantes, sem saber o que seria da vida, é engraçado como a vida tenha sido tão generosa com ele. Um homem com uma mente brilhante, que ainda assim gostava de seguir sua intuição. Um dos mais racionais e criativos, mas que adorava acreditar que no fim as coisas dariam certo. Era a sua fé, seu jeito de confiar em algo maior que sua razão, que sua vaidade. Mas não se engane. Só os que trabalham duro podem se dar o direito de ter fé.</p>
<p>Pode parecer uma vida mágica. Mas nem tudo é romântico. Morrer de câncer não é romântico. Mas morrer não é o que importa, quando se consegue dar à vida a importância que ela merece. Como dizem: viva os loucos. “Porque aqueles que são loucos o suficiente para pensar que podem mudar o mundo são os que, de fato, mudam”. Era um homem que acreditava que a morte é a maior invenção da vida. E a vida que teve provou que mais uma vez ele estava certo. E sua morte também. Seria bom se ele pudesse ver o que está se passando aqui no mundo agora. Adeus Steve.</p>
<p>Por <strong>Renato Cabral</strong>, sujeito a pisar a linha do palavrão. Mas sem ir além. Palavrinhas aqui não, caralho!<br />
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		<item>
		<title>Rafinha Bastos, Wanessa, o Bebê, Christiane Torloni, Washington Olivetto e o movimento antropofágico de 22 com Tarsila do Amaral.</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Oct 2011 18:06:38 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[LADO A // Mexidão com Chantili]]></category>

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Richard Dawkins Bem, muita gente hoje, você já notou. Permita-me incluir mais um na conversa. Em 1976, o zoólogo evolucionista Richard Dawkins assombrou o mundo com o seu livro: “O gene egoísta”. O motivo? Não somos especiais, mas tudo dito &#8230; <a href="http://www.oruminante.com.br/2011/10/03/rafinha-bastos-wanessa-o-bebe-christiane-torloni-washington-olivetto-e-o-movimento-antropofagico-de-22-com-tarsila-do-amaral/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
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<p><span class="Apple-style-span" style="color: #000000; font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif; font-size: 12px; line-height: 18px;"><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/10/fome.jpg"><strong><img title="rafinhabastos" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/10/rafinhabastos.jpg" alt="" width="640" height="699" /></strong></a></span></p>
<p><strong>Richard Dawkins</strong></p>
<p>Bem, muita gente hoje, você já notou. Permita-me incluir mais um na conversa. Em 1976, o zoólogo evolucionista Richard Dawkins assombrou o mundo com o seu livro: “O gene egoísta”. O motivo? Não somos especiais, mas tudo dito de um jeito bem especial e carinhoso por ele. Ou melhor, até somos, mas só para nossos genes; só como receptáculos de um motinho de informação genética que quer a todo custo se multiplicar. Somos só a parte carnuda, vistosa (alguns nem isso), dispensável e que irá apodrecer da fruta. Os genes foram tão fundo nisso que criaram um organismo tão complexo como, por exemplo, o do Rafinha Bastos. Mas não é isso que gostaria de lembrar do livro. E sim um capítulo sobre os “memes”.</p>
<p><span id="more-265"></span><strong>Darwin</strong></p>
<p><strong></strong>De um jeito grotesco, um gene é como um meme. Enquanto o primeiro é o veículo que importa para a manutenção da vida e da evolução, o meme é o responsável por ser a unidade básica de uma ideia, o tijolinho do imaginário coletivo e da evolução cultural. Um meme é aquilo que em nossa mente tem a capacidade de se auto reproduzir, como o DNA, ou no caso, como um vírus, se propagando de mente em mente e contaminando tudo: pode ser o refrão da Eguinha Pocotó, a vontade de se criar o estado palestino (ou destruí-lo), ou uma piada banal, fora de hora (mas, detalhe, no horário nobre) como: “Eu como ela e o bebê”.</p>
<p><strong>Christiane Torloni</strong></p>
<p>O que me lembra a Christiane Torloni, que só está neste texto pela cota de atores globais exigida para dar Ibope (um imperativo de nossa cultura). E também porque a cada ano ela está mais linda, um bebê, cuti cuti. Um bebê que foi devorado (incorporado) semana passada por todos, em todas as mídias sociais exatamente porque iniciou um novo bordão, ou novo meme: _ Hoje é dia de rock, bebê! Que nos desculpem a Claudinha Leite. Notaram? Uma bobagem como essa virou capa até no UOL. É que o humor é a via mais fácil para o tráfego dos memes.</p>
<p><strong>Tarsila do Amaral</strong></p>
<p>Tarsila do Amaral ficaria feliz de viver os tempos do Facebook, Twitter e Youtube. Seu movimento antropofágico nunca foi tão moderno. Mesmo que o pessoal o tem usado ao contrário. O que ela propunha era que a gente, como num ritual canibal em que você digere e absorve as qualidades supostas do outro, comesse as referências lá de fora para criarmos algo nosso, maior. Mas agora essa fome toda tem criado uma mentalidade média sem lugar nem tempo, em que tudo é possível de degustação (e crítica) e por isso mesmo capaz de nos dar vômito e diarreia. Comemos de tudo, só que mais que saúde, obtemos é gordura localizada. Principalmente na cabeça. E, claro, continuamos reclamando de barriga cheia.</p>
<p><strong><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/10/fome.jpg"><img title="fome" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/10/fome.jpg" alt="" width="640" height="640" /></a><br />
</strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong><strong><strong><em><small>ilustração: @fernandomosca</small></em></strong></strong></strong></p>
<p><strong><strong><strong><em><small></small></em></strong></strong>Rafinha Bastos, Ronaldo e Claudinha Leite (de novo?)</strong></p>
<p>Não é à toa que Rafinha Bastos, uma grande mente adaptada de nosso tempo, de tanta vontade de comer (ou só por força do hábito de falar merda; outro imperativo de nossa cultura) a Wanessa e o seu bebê, será comido pela influência do Ronaldinho na Band. Ou seja, Darwin de novo e a lei do mais forte, ou no caso, daquilo que nossa cultura aprendeu a reconhecer e a dar mais valor. Porque você sabe, o futebol está no topo da hierarquia. Acima do sertanejo ou do Axé da Claudinha Leite, acima até do stand up do brasileiro mais influente do Twitter. Ronaldo come Rafinha Bastos, que come Wanessa e o bebê, que já estava na boca da Crhistiane Torloni, que adora rock e que parece um desenho da Tarsila do Amaral de tão bem e doida que anda.</p>
<p>Enfim, é aquela coisa né, você pode falar o que quiser pra sua mãe, mas não reclame se ela te der um tapa na boca. É que liberdade de expressão é do universo do meme. Mas tomar porrada do mais forte é do universo do gene. Ou seja, é alguns milhares de anos contra 4 bilhões de anos.</p>
<p><strong>Washington Olivetto</strong></p>
<p>Bem, e o que tem a ver com isso o Washington Olivetto? Tenho uma teoria. Acho que tudo isso, toda essa confusão é memética demais para se crer nela. É abobrinha demais. Não que o humor, uma piada, seja um tema desimportante (a prova disso é a dimensão que o debate alcançou). Mas pra mim, tudo isso não passa de um instante na cabeça de Washington Olivetto. Um instante que será esquecido como tantos outros porque não vale o trabalho de uma reprodução, não vale a lida de se criar um vírus. Gosto de achar que tudo isso foi apenas um exercício de brainstorm do mestre, as primeiras ideias surgindo aleatoriamente para resolver a charada de um novo briefing para a Bombril. Se pelo menos o produto tivesse essa qualidade entre suas 1001, a de limpar lá no fundo nossa mente contaminada e nutrida por tantas ideias e assuntos que não nos levarão a lugar nenhum. Tudo isso enquanto a fruta apodrece.</p>
<p>Gosto de pensar que todo esse burburinho é apenas o rascunho que não deu certo, que não vingou para um slogan, e que é amassado com a folha em branco e jogado fora. Washington Olivetto se levanta, ainda olha para a lixeira e, como todo grande criador, fica feliz por não ter apego às primeiras ideias, porque ele sabe que elas são sempre um lixo.</p>
<p>Por <strong>Renato Cabral</strong>, sujeito a pisar a linha do palavrão. Mas sem ir além. Palavrinhas aqui não, caralho!<br />
<a href="http://www.oruminante.com.br/">www.oruminante.com.br<br />
</a>@CabralDiz<br />
<a href="mailto:oruminante@gmail.com">oruminante@gmail.com</a></p>
<p>Ilustração: <strong>Fernando Mosca.</strong></p>
<p>http://flavors.me/mosca#_</p>
<p>@fernandomosca<br />
mosca@oldblackgallery.com</p>
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		</item>
		<item>
		<title>O rock, a Cláudia Leitte e meu testículo esquerdo.</title>
		<link>http://www.oruminante.com.br/2011/09/28/o-rock-a-claudia-leite-e-meu-testiculo-esquerdo/</link>
		<comments>http://www.oruminante.com.br/2011/09/28/o-rock-a-claudia-leite-e-meu-testiculo-esquerdo/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 28 Sep 2011 20:14:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oruminante</dc:creator>
				<category><![CDATA[LADO A // Mexidão com Chantili]]></category>

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		<description><![CDATA[	

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ilustração: @fernandomosca Gosto da Claudinha Leitte. Estou do lado da Claudinha Leitte contra seus críticos. Sou Cláudia Leitte desde menininho contra e exército de camisetas pretas desbotadas, que levam a bandeira da atitude, mas ainda moram com a mãe. Bem, &#8230; <a href="http://www.oruminante.com.br/2011/09/28/o-rock-a-claudia-leite-e-meu-testiculo-esquerdo/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	

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<p><span style="color: #000000;"><strong><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/09/claudia.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-264" title="claudia" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/09/claudia.jpg" alt="" width="640" height="820" /></a><br />
</strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><em><small>ilustração: @fernandomosca</small></em></strong></p>
<p>Gosto da Claudinha Leitte. Estou do lado da Claudinha Leitte contra seus críticos. Sou Cláudia Leitte desde menininho contra e exército de camisetas pretas desbotadas, que levam a bandeira da atitude, mas ainda moram com a mãe. Bem, pelo menos uma parte de mim está do lado da Claudinha Leitte. Meu testículo esquerdo está.</p>
<p><span id="more-262"></span><strong><strong>Claudinha x Discovery Chanel.<strong></strong></strong></strong></p>
<p>Assim como o cérebro, que é dividido entre os hemisférios direito e esquerdo, o saco desse macaco chamado homem funciona do mesmo jeito. Você vai dizer que não acredita porque nunca leu nada na Bíblia, na Superinteressante, nem viu nenhum especial do Discovery a respeito. Mas acredite.</p>
<p>E assim como cada lado do cérebro enxerga o mundo de um jeito, o mesmo acontece com os testículos. Meu testículo esquerdo, por exemplo, vê o mundo como o lado direito do meu cérebro veria. Mais do que o conteúdo, a linguagem, e a atitude, meu testículo esquerdo leva em consideração a forma, a extensão, a expressão imediata, a duração. Meu testículo esquerdo se acha sempre no presente, no agora, se fundindo constantemente no fluxo das coisas do mundo, é quase um místico o pobre infeliz.</p>
<p><strong>Claudinha x Freud x <strong>Neymar.</strong></strong></p>
<p>Meu testículo esquerdo é o equivalente ao grande ID Freudiano, sempre cheio de vontades e desejos, expansivo, hedonista. E aí está. Claudinha Leitte é gostosa. Claudinha Leitte é o Neymar da gostosura. Meu testículo esquerdo automaticamente identifica na Claudinha Leitte a mulher que se cuida, que tem aquele ar superior de mulher graúda, graduada de beleza e bens, que se perfuma e que ouve música boa quando está em casa e não precisa ir trabalhar, ou seja, ir cantar para toda aquela gente que, assim como meu testículo esquerdo, só quer beber, pegar praia e tomar pinga. Meu testículo esquerdo quer viver o presente ao lado de Claudinha Leitte, se apossar daquelas formas.</p>
<p>Meu testículo esquerdo gosta muito da Claudinha Leitte, assim como gosta do Neymar e de futebol. Meu testículo esquerdo acha a Claudinha Leitte foda, uma fêmea talentosíssima, com todos os atributos que uma fêmea talentosíssima tem. E, assim, por reflexo, meu testículo esquerdo aumenta imediatamente sua produção de sêmen. Ele quer fecundar Claudinha Leitte, quer  jorrar seu líquido dentro dela. Lembrando aos vestibulandos que o espermatozóide não é produzido ali, mas na vesícula seminal.</p>
<p><strong>Claudinha x Einstein.</strong></p>
<p>Agora vamos para o lado oeste do meu saco. E aqui cito Einstein, que insistia sobre a relatividade de todo movimento. Ou seja, direito e esquerdo é algo relativo ao observador. Então, se a Claudinha Leitte estivesse ajoelhada na minha frente, olhando para o meu saco, o testículo direito, no julgamento dela, seria meu bago esquerdo e as coisas assim não avançariam muito. Então, é preciso estabelecer um referencial.</p>
<p>E aí com o meu testículo direito tudo é ao contrário. Ele até acha a Claudinha Leitte gostosa e sensual, porque é bastante racional e justo. Ele até concorda que num evento de massa, muito melhor que uma boa música, é uma música alta, capaz de fazer as pessoas se encostarem, pularem, darem vazão às suas frustrações. Serem felizes porque são tristes. Por isso meu testículo direito aceita o fato de que num planeta como o nosso exista algo que deram o nome de Axé. Meu testículo direito funciona como o lado esquerdo do cérebro. É todo argumentativo, cheio de opiniões, de preconceitos, de análises, de linguagem. Enfim, é cheio de si. É um bago que se acha.</p>
<p><strong>Claudinha x Hitler. </strong></p>
<p>Meu testículo direito pode ser meio metido a besta, mas não é bobo. Ele não gosta da Claudinha Leite. Porque sabe que a Claudinha Leitte está ali no meio de um evento supostamente de rock, que nasceu como ação de marketing para uma marca de cerveja em 85, como só mais uma coisa entre coisas a juntar uma multidão de gente (ou de outras coisas). Meu testículo direito sabe que ali, no meio da massa, não é o discurso do verde, do sexo, das drogas, da paz e do amor que vale, muito menos ainda o do rock, mas o discurso do “eu vou”, “eu fui”. E “ir” tem um preço. O preço que paga tudo, ou compra tudo, da grama sintética às mordomias da Claudinha Leitte no seu camarim. Enquanto a Claudinha Leite se transforma em Claudinha Leite, a negada espera oito horas numa fila se enganando que fazer isso é ter atitude e mudar o mundo, mesmo que a maioria só vá lá mesmo pela putaria ou nem isso. O mesmo preço que paga o salário do Neymar, a reforma do Maracanã ou os campos de concentração, já que a Claudinha Leitte gosta de citar o nazismo e comparar Hitler a um roqueiro adolescente.</p>
<p>Uma grana que não se importa a mínima para as briguinhas entre o pessoal que veste abada e os que gostam de camiseta preta.  Para essa persona chamada dinheiro, todos são apenas ingressos. É por isso que meu saco está cheio, mas meu testículo direito murchinho. Ele não quer mais produzir esperma. É sua congestão testicular de protesto. Mas só o direito. Porque o esquerdo não para um minuto de berrar quando vê a Claudinha Leitte: “eu quero mais é beijar na boca&#8230;”. Eu ia pôr o apelido nesse fenômeno que dá no meu saco de “Caludiarreia”, como deu no Twitter, mas isso ia ser muito escroto, com o perdão do trocadilho fora de hora. Haja saco.</p>
<p><strong>Claudinha x Led Zeppelin</strong></p>
<p>* Ainda em tempo você me pergunta: Mas, Cabral, você não falou direito do Rock hora nenhuma? Eu sou fãnzão do Metallica, do Ozzy, do Guns, bicho. Ao que eu te respondo: Depois que fiquei sabendo que 90% (até onde sabemos) dos sucessos do intocável Led Zeppelin é uma cópia literal (veja o link) dos caras, pretos, pobres, artistas de verdade, que fundaram o blues, eu resolvi fazer uma operação. Vou me capar.</p>
<p>Por <strong>Renato Cabral</strong>, sujeito a pisar a linha do palavrão. Mas sem ir além. Palavrinhas aqui não, caralho!<br />
<a href="http://www.oruminante.com.br/">www.oruminante.com.br<br />
</a>@CabralDiz<br />
<a href="mailto:oruminante@gmail.com">oruminante@gmail.com</a></p>
<p>Ilustração: <strong>Fernando Mosca.</strong></p>
<p>http://flavors.me/mosca#_</p>
<p>@fernandomosca<br />
mosca@oldblackgallery.com</p>
<p>Se vc conseguiu chegar até aqui, ganhou o brinde.<br />
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		<title>Evolução x Criacionismo.  A história secreta sobre como Nizan Guanaes chegou lá.</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Sep 2011 13:38:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>oruminante</dc:creator>
				<category><![CDATA[LADO A // Mexidão com Chantili]]></category>

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ilustração: @fernandomosca Primeira coisa antes de você ler este magnífico texto. Não tenha expectativas. Expectativas aprisionam a mente num estado vegetativo e é esta a causa da infelicidade. Isso não é uma justificativa para um texto feito às pressas, acredite. &#8230; <a href="http://www.oruminante.com.br/2011/09/27/evolucao-x-criacionismo-a-historia-secreta-sobre-como-nizan-guanaes-chegou-la/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
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<p align="center"><span style="color: #000000;"><strong><a href="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/09/mosca1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-256" title="mosca" src="http://www.oruminante.com.br/wp-content/uploads/2011/09/mosca1.jpg" alt="" width="640" height="672" /></a><br />
</strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><em><small>ilustração: @fernandomosca</small></em></strong></p>
<p>Primeira coisa antes de você ler este magnífico texto. Não tenha expectativas. Expectativas aprisionam a mente num estado vegetativo e é esta a causa da infelicidade. Isso não é uma justificativa para um texto feito às pressas, acredite. O texto é excelente. Vamos a ele.</p>
<p><span id="more-255"></span>Quando os chineses finalmente resolverem acabar com o mundo, anote aí, restarão apenas baratas, ondas de rádio e o Nizan Guanaes. Nizan Guanaes é de longe o exemplar mais bem adaptado e sucedido entre os homo-sapiens e isso não foi obra de Deus, é culpa de Darwin e de sua insistente seleção natural.</p>
<p><strong>Explicação</strong></p>
<p>Desde que o homem desceu da árvore e resolveu explorar a savana perigosa, Nizan Guanaes era aquele que dizia ao corajoso macaco quase homem da criação (mqhdc): É isso aí, temos que descer, temos que descer, vamos inovar!</p>
<p>O mqhdc desceu e Nizan Guanaes foi atrás incentivando e dando tapinhas nas costas. Isso mesmo, é por aí, é por aí, fique a vontade pra sair do briefing! O que aconteceu, então? O mqh covarde do planejamento, aquele que ficou lá na árvore, foi comido pelo leopardo. E o mqh corajoso da criação foi comido pelo leão. Sobrou Nizan Guanaes, que copulou com a esposa dos dois (uma do atendimento e a outra da mídia) e distribuiu o seu DNA para a próxima geração.</p>
<p>Agora saia da África (pegou?), dê um pequeno salto quântico no tempo e caia dentro de uma agência moderna. Djamp! Pumft! Xtá! A reunião de briefing está cheia. O cliente, feroz como um leão, prestes a devorar o primeiro descabido. O chefe, implacável como um leopardo, prestes a pular na cabeça do primeiro desavisado. E os demais com os dedos cruzados, pedindo a Deus que tudo dê certo, porque a verba é boa e a coisa tá preta. Mas a coisa vai indo bem, com seu vocabulário peculiar: “a nível de” pra cá,  “branding” pra lá, “pensar fora da caixa” isso, “necessidade do cliente&#8221; aquilo. E Nizan Guanaes atento, só fazendo que sim com a cabeça.</p>
<p><strong>Glória</strong></p>
<p>E, então, vem aquele breve respiro, aquele momento ínfimo entre a vaidade do diretor de criação, a expectativa do cliente, a agonia do estagiário e a ambição do dono na agência. E é ali, por aquela brecha, que mais uma vez Nizan Guanaes será Nizan Guanaes e provará que simplicidade, timing e cara de pau é ainda a melhor receita para o sucesso. Nesse momento, Nizan Guanaes acrescenta com seu inigualável senso de oportunidade: e digo mais, gente, precisamos de um jingle matador e de um ator global pra gente fechar e dar um tchan, um brilho, mesmo que seja brega, é, sabe aquela coisa popular, plural, que tenha o apelo do simples, algo musical, fácil, dançante, entendem?</p>
<p><strong>Touchet</strong></p>
<p>Nesse momento, o leão se amansa e o cliente abre um sorriso gostoso e fácil. Mas o diretor de criação não aceita e interfere (ah, o ego): “não concordo, isso não é criativo e inteligente, não é isso que a campanha exige. O cliente precisa de uma ação voltada para mídias sociais para explorarmos melhor a verba e ampliarmos seu alcance, algo 360º, algo integrado, algo guerrilha, alg&#8230;”, mas é interrompido pelo chefe, que sabe que nenhuma ideia, por mais genial que seja, pode ser mais forte e mais bela que o sorriso de um cliente satisfeito.</p>
<p>O resto, você sabe, é história. E o pessoal da agência ainda fica por entender por que o cliente convidou Nizan Guanaes para jantares entre os grandes e para passear no seu sítio no fim de semana. E lá, no descontraído churrasco em Angra, enquanto o cliente esquia contente por cumprir seu status na hierarquia, Nizan Guanaes copula com sua filha. E tem sido assim desde o início dos tempos, meus amigos. Por isso, te digo: um Nizan Guanaes ainda será seu chefe. E se há uma mensagem a ser tirada desta história vencedora, leitor, é a de que você deve fazer suas apostas sempre na evolução e nunca no criacionismo, mesmo que seja numa agência de publicidade, ainda mais se tratando de clientes como os nossos. Nizan Guanaes sabe disso. Não é à toa que, de um modo ou de outro, somos todos filhos de Nizan Guanaes. Ok, de Nizan Guanaes e de Chuck Norris. Metade metade.<strong></strong></p>
<p>Por <strong>Renato Cabral</strong>, só mais um filho de Nizan Guanaes ou de Chuck Norris.<br />
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@CabralDiz<br />
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Ilustração: <strong>Fernando Mosca.</strong></p>
<p>http://flavors.me/mosca#_</p>
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mosca@oldblackgallery.com</p>
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