O gosto pela solidão voluntária

Daí eu tava aqui pensando (fumacinha de queimado)… Interessante como um dos nossos maiores medos com relação à web, aquele de que a internet iria nos afastar das pessoas, se tornou realidade. Parece um paradoxo já que vivemos o oposto (as tantas direct messages, os infinitos posts e compartilhamentos, o curtir gratuito), mas a ilusão é só uma ilusão. Explico, ou tento. O efeito das mídias sociais é exatamente esse: afastamento e repulsa no fundo, ou na brutal superficialidade na qual ela esbarra e não consegue quebrar.

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Feliz Natal, meu amor. Feliz Ano Novo.



É mais interessante ler ouvindo isso.

É quase noite, minha querida. Mas você já sabe, eu vou desfazer nosso trato. Não conte comigo para a ceia. Não me peça pra buscar as bebidas. Hoje não haverá conta a ser paga, nem prece a ser feita. A noite será como esta farofa. E brindaremos com sangue.

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Antiácido

Mestre Bukowski. Peça bença. 

Faço o tipo hipocondríaco. Mas não flerto com doenças. Meu interesse é pelas bulas, mais que pelas pílulas. É que a gramática sempre me trouxe mais resultado que as alopatias. Ao invés de aspirina, um parágrafo de livro.

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Preciso comer Fernanda Young

*Só um texto antigo… mas quem disse que punheta envelhece?

Aperte a minha mão e nada de lágrimas, querida. Essa água é pra você. Sem sal. Sem doce. Vai descer amarga com o que vou te dizer. Não vou mais me casar com você.

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Canela na quina

Daí vinha o almoço, o crachá e a fome, que já tinha seu horário e seu jeito de avisar. Eu descia a rua distraído pra tudo, menos praquela esquina. Lá embaixo, na porta de uma fábrica qualquer, à esquerda, aquele qualquer sentado: marmita no colo, depois no passeio; uma perna perto do peito e a outra reta no chão. Ele com o olhar pesado de sono, mas sem perder o passar dos carros. Passava o meu.

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