Self Destruction – um filme feito pelo celular


Música: DJ Raone Franco (Sugarhill).
Direção e imagens: Renato Cabral. oruminante.com.br
Edição e arte: Luis Felipe Pimenta.
Shot by: Nokia 5230.

Durante algum tempo, as idas e vindas ao trabalho eram acompanhadas de um celular, muitas ligações desnecessárias e do resto: o mundo. E porque minhas órbitas oculares parecem estar sempre ofuscadas, talvez pela falta dos óculos, elas enxergam só o mundo que saltava aos olhos: o volume de uma bunda, um acidente de trânsito, um cachorro morrendo, o lixo na rua atrapalhando os ratos, os cadeirantes que tomam sol na porta da suas casas, os mendigos preparando o almoço com nossos restos. Era só isso, passava, via, registrava. Daí veio meu amigo DJ Raone Franco (Sugarhill) com uma música genial e um tema. Por coincidência, todas as imagens já estavam na câmera. Era editar e tentar um filme, um videoclipe, um documentário, foda-se o gênero, as imagens se importam menos ainda pra isso tudo. Foi feito. Um filme que é um registro de fragmentos isolados, sem nenhuma pretensão ou preocupação de sentido com o todo. Até porque cada pedacinho de imagem traz sozinho sua história e seus desdobramentos dentro do que são e do que foram. Hemingway nos alertava para não confundirmos movimento com ação. Então, que a falta de ação e o excesso de movimento não sejam uma desculpa para pouca arte.

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Quando o amor acaba. Quando a volta começa.

Em noites assim, quando fico sozinho a olhar pra este céu também tão sozinho, sem a presença de homens ou gatos, é que me ocorrem essas ideias de criança. Quando as estrelas parecem próximas na sua peregrinação tão distante, tão imóvel, é que chego a acreditar que eu poderia voltar pra começar tudo de novo.

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JAZZ by GIZ.

A história desta vez é a seguinte. De um lado estava o Alonso Zagaia, tatuador reverenciado dessas bandas, e toda sua nova arte: a de transpor para o papel, usando giz, tudo aquilo que os olhos dele escutam de jazz por aí. Do outro lado eu, com minha recém-chegada GoPro HD Hero2, meu tempo livre, e uma vontade de filmar. Nada melhor que um personagem e uma boa história. Fiz tudo com a câmera, o que deu uma linguagem única ao vídeo. Eu dei o filme. E ele vai me pagar com uma tatuagem de caveira na virilha. Um filme que é um exercício e uma brincadeira despretensiosa e muito aquém da arte que o cara passa pro papel. Uma espécie de making off/clip/documental do processo de elaboração de um quadro até a mostra que ele apresenta a partir de hoje, 20h, na Casa da Cultura de Uberlândia. Agora é com vocês.

 

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Minha mãe, eu e o fim do mundo.

Eu no colo de minha mãe, mesmo que ela esteja no meu.

Aproveito que é o fim do mundo, mãe, e te escrevo. Ao meu lado, um cigarro, uma lata de cerveja, que já é a quinta, e o desconcerto de não saber começar. Fumo por imitação. Bebo por declaração. E me envergonho porque mostrar o boletim para você sempre foi meu maior orgulho. E mais do que tudo porque adoro as desculpas, você sabe melhor que eu.

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O gosto pela solidão voluntária

Daí eu tava aqui pensando (fumacinha de queimado)… Interessante como um dos nossos maiores medos com relação à web, aquele de que a internet iria nos afastar das pessoas, se tornou realidade. Parece um paradoxo já que vivemos o oposto (as tantas direct messages, os infinitos posts e compartilhamentos, o curtir gratuito), mas a ilusão é só uma ilusão. Explico, ou tento. O efeito das mídias sociais é exatamente esse: afastamento e repulsa no fundo, ou na brutal superficialidade na qual ela esbarra e não consegue quebrar.

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